*J.F.LEITE
A literatura contemporânea chama de
autoconhecimento o processo de se conhecer, a necessidade das pessoas saberem
sobre si e sobre suas histórias…
A literatura
contemporânea chama de autoconhecimento o processo de se conhecer, a
necessidade das pessoas saberem sobre si e sobre suas histórias pertence ao ser
humano desde Sócrates (filósofo grego – 470 – 399 a.C.).
Quando em uma de
suas famosas frases ele diz: “conhece-te a ti mesmo”, traz a tona à sociedade
da época que o filósofo, ao estudar sobre o ser humano, precisava também se
conhecer.
O autoconhecimento
é aquele saber que a pessoa desenvolve a seu próprio respeito. Refere-se às
histórias que o indivíduo constrói sobre sua vida, nas quais se delineiam o que
ele é, como ele é e como se relaciona.
Na vida, as
pessoas desempenham papéis: o de profissional, o de mãe ou pai, esposa ou
esposo, filho ou filha, amigo, irmão, dentre tantos outros. Ao desempenhar
esses papéis, elas usam máscaras. Estas servem para que as pessoas se adaptem e
sejam aceitas pelo meio.
Não há problemas
em usar máscaras, elas são necessárias. O problema ocorre quando a pessoa se
relaciona usando sempre só uma delas.
O outro problema é
quando a pessoa troca os papéis, ou seja, está em um lugar, mas se comporta com
atitudes que seriam mais coerentes para outros lugares.
Muitas vezes as
pessoas usam máscaras diferentes daquilo que elas são. Isto pode ocorrer por
diversos motivos: por necessidade de ser aceita ou por precisar contar uma
história diferente do seu real jeito de ser.
Quando a pessoa
vive com pouca flexibilidade entre os papéis que desempenha ou quando troca os
papéis ou quando demonstra ser o aquilo que não é, podem ocorrer dificuldades
emocionais, comportamentais ou de adaptação.
O autoconhecimento
que se refere à capacidade de o sujeito olhar para como ele se relaciona, diz
respeito ao saber que possibilita ao sujeito perceber a forma como está se
colocando no meio que o cerca.
Os feedbacks que
recebemos podem nos ajudar a construir uma imagem de como somos percebidos pelo
meio e o grau de adequação do nosso jeito a cada situação.
A segunda forma de
autoconhecimento se refere a como a pessoa é. Esta maneira de se ver, diz respeito
às características físicas.
A pessoa nasce com
uma biologia, em parte genética, mas há outras, moldadas pelas histórias
vividas.
Reflexões que
envolvem conhecer as características físicas ajudam a pessoa a aceitar aquilo
que a genética lhe impõe e a perceber aquilo que ela pode ou quer transformar
em si mesma.
Há ainda uma
terceira forma de autoconhecimento que diz respeito ao que a pessoa é. Esta
terceira parece ser a mais difícil de ser percebida. Costumo dizer que esse
tipo de autoconhecimento é como se a pessoa olhasse em seus olhos num espelho:
o que ela veria?
Esse tipo de se
conhecer envolve perceber valores, missão de vida, histórias, dificuldades,
talentos, escolhas, decisões, requer que a pessoa compreenda a sua unicidade e
seu jeito particular de ser. Significa se olhar e se perceber como um ser único
e inteiro.
A Psicologia
Analítica chama de processo de individuação, o qual possibilita que a pessoa se
reconheça como um ser único para ser a melhor pessoa que poderia ser para si
mesmo e para o meio em que vive.
Esta terceira
forma envolve refletir sobre a verdadeira essência humana. E é um processo. As
pessoas não nascem com sua identidade pronta, ela é construída ao longo da
vida. Muitas vezes, as pessoas se imaginam com alguma deficiência naquilo que
pensam não serem muito adequadas e vão construindo saberes paralelos a seu
próprio respeito. Algumas pessoas constroem imagens negativas de si mesma e
outras se supervalorizam.
O analista
junguiano Gustavo Barcellos faz o seguinte comentário: “contamos histórias e
somos as histórias que contamos. Mais que isso, somos a maneira como contamos
nossa história”.
O autoconhecimento
está muito atrelado à percepção que a pessoa tem sobre a maneira como foi
construindo sua identidade ao longo da vida e a forma como fala seu respeito.
Conhecer a si
próprio é um processo, não termina nunca, pois a vida está em constante mudança
e sempre coloca a pessoa diante de algo novo que vai requerer construir uma
nova identidade para lidar com a situação. A psicologia pode ajudá-lo. Uma das
formas é com a terapia.
A Psicologia é a ciência que estuda os
comportamentos e trata a parte emocional do ser humano, sua adaptação no meio
em que vive, como sente e pensa. A palavra Psicologia deriva de Psyche, figura
mitológica grega, ao mesmo tempo significa alma (estudo da alma).
Muitos não sabem, mas a Psicologia tem uma vasta
atuação em diferentes ramos, entre eles: Psicologia Social, Industrial,
Infantil, Fisiológica, Forense, Educacional, Recursos Humanos, Clinica.
A Psicologia Clínica estuda o indivíduo, seu
comportamento com o intuito de compreender, ajudar, ouvir, olhar e acolhê-lo.
Sem julgamentos e sempre respeitando seja sua opinião ou estilo de vida.
A psicologia auxilia o indivíduo a compreender a
si mesmo, entender os comportamentos dos outros indivíduos, melhorar as
relações de grupo, resolver seus próprios problemas. Descobrir porque está
apresentando determinado comportamento.
Durante o processo terapêutico, o indivíduo entra
em contato com seus conteúdos internos, proporcionando a oportunidade de se
redescobrir e lidar com seus próprios conflitos.
Esse trabalho não seria possível se não houvesse
a confiança do cliente no trabalho do psicólogo.
O processo terapêutico exige muito tempo e muita
paciência por parte do cliente. O indivíduo chega ao ápice quando percebe que
pode lidar com situações que antes pareciam um grande problema para solucionar.
Segundo Carl Rogers, tornar-se pessoa seria
libertar-se dos problemas, ser verdadeiro consigo, buscar soluções, ser receptivo
e amoroso. E quando o ambiente não proporcionar oportunidades, o indivíduo não
deve desistir e sempre lutar.
Alcançar a maturidade para enfrentar problemas,
pensar, planejar, direcionar sua própria vida. Ser forte o suficiente para
buscar suas realizações, seja profissionais, afetivas, familiar.
A vida nos coloca em situações desconfortáveis, a
psicologia vai direcioná-lo a lidar com seus problemas do cotidiano.
O mais importante é alcançar sua felicidade,
superando todas suas dificuldades!
Esta
costuma ser uma das perguntas mais feitas pelos iniciantes na Psicologia,
é uma dúvida muito comum também para os leigos em geral. Há um erro de
percepção sobre o que é a psicologia e o que faz o psicólogo, essa percepção
errônea se deve principalmente ao modo como a mídia tratou a psicologia e,
também, às controversas práticas de alguns profissionais da área.
A
psicologia é tanto uma área de atuação (ciência aplicada) quanto uma área de
pesquisa (ciência acadêmica) que estuda basicamente o comportamento humano e o
funcionamento da mente humana. Os pesquisadores da psicologia têm como objetivo
entender e explicar como funcionam os pensamentos, comportamentos e as emoções.
Dentre as aplicações práticas da psicologia podemos citar como exemplos a
seleção, recrutamento, ergonomia, tratamento de distúrbios mentais, autoajuda,
melhorar a auto eficácia, dentre muitas outras áreas que se envolvem
diretamente com a saúde e os cotidianos das relações humanas.
A proposta “Conheça a Si Mesmo” é impressa desde a
Grécia Antiga, sempre estimulada e dada como exequível. Mas desde as pesquisas
e as publicações de Freud vem sendo mostrado que é um trabalho árduo, exigindo
muito esforço.
É uma aventura através do desconhecido. Não é fácil
como divulgam os livros de autoajuda. Não é possível com a proposta de Buda que
faz uma repressão, uma denegação (nega que nega) do Eu Real: a iluminação com
uma redução do Eu. As propostas que tentam apagar a natureza animal de onde
emerge nossos sentidos só levam às violências internas e violências que são
projetadas nos nossos próximos.
Se a liberdade se mantiver em algumas culturas
podemos esperar uma Gestão do Eu evoluindo para um futuro cada vez melhor. Pode
até reduzir nossa visão escatológica que o mundo está sempre acabando. O
conhecimento da gestão da pessoa jurídica será impactado com o conhecimento do
Eu Real. Empresas são pessoas. O Eu se estrutura sobre o Eu Real – uma base
ainda desconhecida.
É no entanto, necessário entender sobre o nosso eu
enquanto gestor do intelecto, o qual, segundo Cury se apresenta sob aspecto de
códigos.
Cury chama
códigos às funções da inteligência porque diz que não basta admirá-los nem
entendê-los logicamente, mas que é preciso decifrá-los intimamente, desvendar
os seus matizes, conhecer os seus segredos, ter disciplina e treinar para os
assimilar.
"Quem
os assimila, treina e incorpora no seu psiquismo desenvolve as suas
potencialidades psíquicas: a arte de pensar, a saúde psíquica, bem como uma
mente arguta, empreendedora, aberta, flexível, que vê segundo vários ângulos e
dá respostas inteligentes em situações tensas."
Gardner no Inteligências Múltiplas,
defende que o conhecimento está interligado através de sistemas de
inteligências, localizadas em regiões diferentes do cérebro, mais ou menos
desenvolvidas dependendo do indivíduo e da cultura. Ele realçou a inteligência
linguística, a lógica ou matemática, a espacial, a corpóreo-cinestésica, a
musical, a interpessoal, e a intrapessoal.
Cury diz que
estas inteligências estão especialmente ao nível da terceira área da
inteligência, a área consciente).
Para a Psicologia Multifocal a definição de inteligência é abrangente e
como o próprio nome da teoria diz, é multifocal, multidinâmica, multifatorial.
Alguns autores também sugeriram que a inteligência é multidimensional e
modificável (FEURSTEIN, 1980). O conceito global de inteligência entra em três
grandes estágios ou três grandes áreas. As duas primeiras são inconscientes e a
última, consciente.
A primeira área é mais profunda, refere-se aos fenômenos inconscientes
que atuam em milésimos de segundos no resgate e na organização das informações
da memória e consequentemente na construção de pensamentos e emoções. Essa
produção é registrada milhares de vezes por dia pelo fenômeno RAM (registro
automático da memória), construindo a plataforma que forma o Eu, que é a
expressão máxima da consciência crítica e capacidade de escolha. Tudo o que
percebemos, sentimos, pensamos, experimentamos, tornam-se tijolos na construção
dessa plataforma de formação do Eu.
A segunda área se refere ao corpo das complexas variáveis que
influenciam em pequenas frações de segundos os fenômenos que leem a memória e
produzem os pensamentos, imagens mentais, ideias e fantasias. Entre essas
variáveis destaco "como estou" (estado emocional e motivacional),
"quem sou" (a história existencial arquivada nas janelas da memória),
"onde estou" (ambiente social), "quem sou geneticamente"
(natureza genética e a matriz metabólica cerebral) e o "como atuo como
gestor da psique" (o Eu como diretor do roteiro de nossa história).
Normalmente, as teorias enfatizam os aspectos psíquicos, sociais e
genéticos na construção da inteligência. Alguns pensadores se fixaram na
interação entre as duas grandes forças geradoras do desenvolvimento em geral, e
da inteligência em particular, a natureza e a cultura. "Não é uma
competição, é uma dança" (STERNBERG, 1990). Sim, de fato há uma dança
dinâmica de variáveis, mas que ultrapassa essas duas grandes forças geradoras.
Como vimos, além da variável genética e cultural estão, em primeiro
plano, as variáveis "como atuo como gestor do psiquismo" e o
"grau de abertura das janelas da memória" determinado pelos estados
emocionais (alegria, tranquilidade, humor depressivo, ansiedade). Ao estudar
esses outros fatores descobrimos que a mente humana é mais complexa do que
imaginamos.
Por exemplo, pensávamos no passado que somente quem teve uma infância
com traumas, saturada de perdas e frustrações adoeceria, desenvolveria
transtornos psíquicos e psicossomáticos. Pobre engano! Sabemos hoje que mesmo
os que gozaram de uma infância feliz e sem traumas, que tiveram o privilégio de
ter pais amorosos, generosos, solidários, podem ter uma vida psíquica miserável
na adolescência e na vida adulta se não aprenderam a decifrar alguns códigos fundamentais
ao longo do processo de formação da personalidade.
Poderão ser vítimas dos estresses financeiros, estresses existenciais,
perdas, competição predatória, frustrações, preocupações excessivas; enfim, de
uma série de variáveis que dilapidam seu patrimônio psíquico, em especial seu
prazer de viver.
Outro exemplo: acreditamos ingenuamente que temos pleno domínio do
processo de construção de pensamentos, ideias, imagens mentais. Não é verdade.
Podemos dominar computadores, carros, aviões, mas não temos o domínio completo
da mais incompreensível das máquinas: a mente humana. Quantos pensamentos
inquietantes perturbam nossa tranquilidade sem que os tenhamos produzido
conscientemente? Quantas ideias fóbicas transitam pelo palco psíquico sem que
tenhamos permitido que fossem construídas pela vontade consciente?
O Eu como gestor psíquico, administrador do intelecto, é apenas um dos
códigos da inteligência. Se mesmo sendo um bom gestor psíquico não dominamos
completamente os pensamentos e as emoções da complexa mente humana, imagine se
não decifrarmos esse código, imagine se abrirmos mão dessa gestão que ocorre
nessa segunda grande área da inteligência.
Nesse caso, se usarmos um veículo como uma analogia da mente humana,
podemos dizer que somos amordaçados no banco de passageiro como espectadores
passivos de uma viagem que não programamos. Aliás, diariamente milhões de
pessoas viajam em suas mentes no território das fobias, das preocupações
doentias, da ansiedade, sem ter programado essa viagem. Entraram em um filme de
terror que não queriam assistir. O dramático é que o filme roda na sua mente.
Não há tecla para desligar o aparelho mental.
Ao estudarmos a primeira e segunda grande área da inteligência podemos
concluir que Homo sapiens, capaz de desenvolver equações
matemáticas, fórmulas físicas e lógicos programas de computador, pode ser tão
ilógico a ponto de produzir reações agressivas, desproporcionais, irracionais.
Peritos em lidar com números podem perder sua lógica e reagir
estupidamente à mínima contrariedade. Médicos aparentemente dosados diante de
seus pacientes, podem reagir sem qualquer controle ao serem questionados por
seus pares. Na realidade, o Homo sapiens, seja ele um psiquiatra ou paciente,
matemático ou aluno, é micro ou macro de acordo com cada momento existencial.
Ninguém é plenamente estável e coerente. O nível de flutuação apenas determina
o grau de nossas doenças.
A terceira grande área da inteligência se refere aos resultados das duas
primeiras áreas. Nessa área se encontram os comportamentos perceptíveis,
capazes de serem analisados, avaliados, aferidos. Nessa área se evidencia a
rapidez de raciocínio, o grau de memorização, a capacidade de assimilação de
informações, o nível de maturidade nos focos de tensão, bem como os patamares
de tolerância, inclusão, solidariedade, generosidade, altruísmo, segurança,
timidez e empreendedorismo.
Na terceira área da inteligência, segundo o conceito da Psicologia
Multifocal, é que são feitos os mais variados testes para se medir os mais
diversos tipos de quocientes de inteligência. Entretanto, todos os testes são
circunstanciais, parciais e incompletos. Nenhum deles é definitivo. Habilidades
que são detectadas em uns, não são em outros. Capacidades que são aferidas em
um momento, se mudamos as variáveis (como estou, onde estou, níveis de gestão
psíquica), não são aferidas em outros.
Que aquelas
inteligências de Gardner são competências intelecto-emocionais. Mas que os
códigos da inteligência são mais abrangentes, envolvendo também as outras duas
grandes áreas inconscientes da Psicologia Multifocal. E que decifrar e
assimilar estes códigos produz o desenvolvimento não só das inteligências
múltiplas de Gardner, mas a inteligência emocional de Goleman, a busca da
superação de Adler, as competências propostas por Piaget, Vigotsky e outros
pensadores.
Cury diz que a
nossa psique precisa de um choque de gestão, caso contrário correremos o risco
de bloquear as funções psíquicas vitais.
Diz que nada
bloqueia mais a gestão do intelecto do que o Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Que precisamos ter consciência
que não é só a qualidade negativa dos pensamentos que temos que pode
comprometer a nossa saúde psíquica, mas também a quantidade de pensamentos.
A
hiperconstrução de pensamentos (mesmo que não sejam pensamentos perturbadores)
pode gerar o SPA, que compromete uma série de códigos da inteligência, como o
da concentração, o da observação, da dedução, indução, bloqueando as funções
vitais do intelecto. "Pensar com
lucidez e coerência é a principal tarefa do homo sapiens, mas pensar demasiado,
constitui o seu maior problema e gera um desgaste excessivo do seu córtex
cerebral."
As causas do
SPA são:
1.
Excesso de informação
2.
Excesso de estímulos visuais e sonoros da
televisão
3.
Excesso de estímulos dos computadores, internet,
jogos, etc.
4.
Excesso de atividades e compromissos
5.
Competição predatória
E os seus sintomas são:
1.
Irritabilidade
2.
Flutuação Emocional
3.
Inquietação
4.
Intolerância a contrariedades
5.
Défice de concentração
6.
Esquecimento
7.
Fadiga excessiva
8.
Sono não reparador
9.
Sintomas psicossomáticos, dores de cabeça,
gastrites, etc.
Chama a
atenção para o desastre mental a que temos sujeitado as crianças e os
adolescentes dos nossos dias:
"O
excesso de estímulos e de informação é registado na sua memória através do
fenómeno RAM (Registo Automático da Memória), dando origem a milhares de
janelas disponíveis que são lidas por um outro fenómeno inconsciente, a que
chamo Autofluxo.
Estas
janelas não são killers, mas sim janelas normais de memória. O fenómeno do
Autofluxo, que deveria manter um 'fluxo calmo' de pensamentos e imagens mentais no
teatro psíquico, de modo a gerar uma fonte de prazer e entretenimento no homo
sapiens, lê rapidamente estas janelas porque está superexcitado, produzindo um
fluxo de construção a uma velocidade nunca antes vista na geração mais nova da
nossa espécie."
Afirma que as
crianças e adolescentes são agitados, ansiosos, insatisfeitos, não gozam o
ócio, que se ficam 10 minutos sem fazer nada entram em stress.
Que não gostam
de estar nas escolas, não se conseguem concentrar, têm conversas paralelas, e
estão sempre agitados nas aulas, não porque sejam alienados, mas porque sofrem
de o SPA. Devido à SPA procuram novos estímulos que os saciem, como a ofegante
procura de ar.
Mas não são só
os jovens que sofrem de SPA. Quem sofre de SPA necessita uma cirurgia ao estilo
de vida e não de tratamento clínico.
Temos que
aprender a descontaminar a nossa psique, a fazer a limpeza da nossa mente, tal
como sabemos que temos que fazer a nossa higiene corporal, tomar banho, escovar
os dentes, etc.
Há algumas
técnicas que por vezes são apontadas, aconselhadas, pela família, e pelos
amigos, para proteger a nossa psique, para fazer uma higienização mental, mas
que na pratica não funcionam, ou são de pouca eficácia:
1.
Tentar parar de pensar
2.
Tentar esquecer
3.
Tentar distrair-se
4.
Tentar mudar o seu pensamento
Não funcionam
porque não é fácil gerir a nossa mente.
Mas há
técnicas mais eficientes.
Os estímulos estressantes
são provenientes de três grandes fontes todas elas relacionadas com fatores
genéticos:
1.
a social (envolve perdas, ofensas, rejeições,
pressões, abuso sexual, ameaças, etc)
2.
a psíquica (abrange fobias, humor depressivo,
angústias, ideias perturbadoras, fantasias doentias, inseguranças, timidez,
etc)
3.
a orgânica
Cury diz que se
aprendermos a filtrar os estímulos estressantes das duas primeiras fontes
podemos melhorar muito a nossa qualidade de vida ainda que a nossa carga
genética possa ser propensa a desenvolver ansiedade e humor depressivo.
A fonte
psíquica de estímulos estressantes tem origem em duas grandes áreas:
1.
a MUC (Memória de Uso Contínuo ou centro
consciente)
2.
a ME (Memória Existencial ou centro
inconsciente)
Na MUC estão
as experiências arquivadas na memória de forma consciente, na qual as zonas de
conflitos ali arquivadas podem levar a ruminar pensamentos pessimistas, ciúmes
exagerados e traumas não ultrapassados.
Na ME estão
milhões de experiências arquivadas na memória de forma inconsciente, na qual as
zonas de conflitos ali arquivadas podem levar a angustia, tristeza,
irritabilidade, timidez, etc.
Para filtrar
os estímulos é necessário desenvolver a capacidade psíquica de os digerir.
Desenvolver
uma espécie de "estômago psíquico", e o suco gástrico deste complexo
estômago é a arte da dúvida e da crítica.
"O
ser humano e as sociedades modernas em que está inserido precisam de dois
grandes choques, um filosófico
e um psicológico, um choque da arte
da dúvida e um da arte da crítica. Sem estes dois choques não há maneira de
dar um choque de gestão na psique."
Para Cury a dúvida é o princípio da sabedoria na
filosofia. Duvidar no silêncio das nossas mentes de tudo o que nos controla,
protestar, questionar, arguir, inquirir e até rebelarmo-nos contra os estímulos
interiores e exteriores que nos aprisionam.
A crítica é o princípio da sabedoria na
psicologia. No silêncio da nossa mente, criticar analisar, ponderar, aferir e
impugnar todos os estímulos sociais e psíquicos que nos controlam.
Para sobreviver "saudavelmente nesta sociedade
agitada e consumista é necessário desenvolver o estômago psíquico saturado de
enzimas da arte da dúvida e da crítica".
"O
choque de gestão psíquica é um processo longo, mas fascinante."
Realça que é
preciso saber-se que se não se usar o filtro da arte da dúvida e da crítica nos
primeiros 5 segundos em que os pensamentos e ideias mórbidas forem construídos,
estes serão arquivados e já não poderão ser apagados.
Não é possível
esquecer ou apagar fontes interiores de traumas e outros problemas, mas é possível
reeditar a memória ou construir janelas paralelas.
As janelas
paralelas são construídas com um auto diálogo, com uma mesa redonda do eu.
Uma
mesa-redonda com as nossas tolices, burrices, medos e pensamentos débeis.
Discutir os fundamentos e a coerência dos nossos medos, debater de forma lúcida
as nossas mazelas. Fazer "uma mesa-redonda usando o cardápio da dúvida e
da crítica de modo a dar um choque de gestão."
Com a técnica
da mesa-redonda do eu promove-se a formação de "janelas light, saudáveis,
que contêm ousadia, autodeterminação, consciência crítica e segurança.
Estas, por sua
vez abrem-se simultaneamente quando uma janela traumática ou killer se abre,
dando orientações para a sua superação."
Deste modo o
"eu" assume a gestão psíquica.
A mesa-redonda
deve ser feita antes, durante e depois das crises.
Mas deve ser
praticada especialmente quando as janelas killers estão fechadas, ou seja, antes
e depois das crises. O objetivo essencial é formar janelas light que vão
funcionar como um filtro na altura das crises.
Mas, não é
possível reeditar todo o filme do inconsciente, devemos pelo menos reeditar as
zonas de conflito que mais influenciam o adoecimento psíquico, as janelas
killers que causam as flutuações de humor, angustias, etc.
Para isso,
devemos usar um processo diferente da construção de janelas paralelas,
"devemos agir diretamente no foco de tensão, no momento em que a janela
killer está aberta, no epicentro da crise."
"no
exacto momento em que uma reacção fóbica ou uma imagem mental destrutiva surgir
a partir da zona de conflito aberta, o eu deve rapidamente agir, criticar,
arguir, examinar, enfim, bombardear com inteligência esta zona de conflito com
as mesmas questões que propus na mesa-redonda do eu."
Assim temos o
que Cury chama de "Plataforma de janelas saudáveis":
·
Exterior da crise -> mesa-redonda para
construir janelas paralelas
·
Durante a crise -> mesa-redonda para reeditar
a janela doentia
Esta plataforma
deve ser tão ampla que nos proporcione condições psíquicas e sociais para
vivermos com dignidade.
Cury compara o
inconsciente a uma grande metrópole, "com
ruas esburacadas, mal iluminadas, com supermercados saqueados e teatros
vazios". A cidade psíquica não é perfeita mas é possível reurbanizar,
construindo bairros muito agradáveis.
Exercícios propostos para decifrar o código do
"eu" enquanto gestor do intelecto:
1.
Mesa-redonda diária com os nossos medos,
ansiedades, preocupações, angustias e estilo de vida doentio. (pelo menos 10
minutos por dia, ou várias vezes ao dia)
2.
Confrontar cada pensamento negativo através da
arte da dúvida e da crítica no exato momento em que este aparece.
3.
Aprender a conservar o nosso espaço psíquico,
não permitindo que ninguém o invada sem que nós o permitamos
4.
Perguntar-se constantemente: quem sou, onde
estou, o que sou, o que quero, que papel desempenho como ser humano e ser
social.
5.
Cuidar da psique como a mais importante empresa,
a única que não pode falir.
O código da
autocrítica segundo Cury tem a ver com a auto avaliação, com a capacidade de
ponderarmos os nossos atos, avaliar os nossos comportamentos, e ajustá-los e
corrigi-los.
É pensar antes
e depois. Pensar antes de reagir e pensar nos resultados dos nossos atos.
Cury diz que
os nossos comportamentos são como sementes. Pequenas e frágeis, mas que podem
rapidamente se disseminar, no imediato ou num futuro mais distante.
Aconselha a
nos lembrarmos que:
1.
gastar demasiado pode trazer angustias futuras
2.
o sucesso é efémero
3.
trabalhar com conta e medida, pois a saúde não
dura sempre
4.
levar os estudos a sério
5.
o amor não dura para sempre, é preciso
cultivá-lo
A espontaneidade, o respeito, o amor e a admiração
As nossas
expressões espontâneas influenciam muito mais os outros do que o que dizemos de
forma elaborada e pensada. Isto, segundo ele, tem a ver com o registo
"fotográfico" da mente humana - pelo fenômeno RAM - Registo
Automático da Memória.
Este fenômeno
capta as reações espontâneas e regista as que têm mais peso emocional.
As pessoas
respeitam-nos mais pela imagem que construímos nelas do que pelas palavras que
proferimos. Esta imagem psíquica vai determinar o grau de admiração, que por
sua vez, determina o impacto dos nossos atos.
Cury diz que
precisamos de uma estratégia para provocar o fenômeno RAM, pois não é fácil
refazer as imagens plantadas no inconsciente, mas é possível.
Para isso é
preciso reciclar velhos comportamentos e lembrarmo-nos que não se pode pedir a
ninguém para nos amar ou admirar, ou respeitar.
Diz que para
decifrar o código da autocrítica é necessário procurar decifrar o código do
amor e da admiração:
1.
elogiar antes de criticar
2.
ter reações generosas e surpreendentes
3.
falar menos e agir mais
4.
humanizar-se, abrir-se aos outros, expor as
nossas falhas e fraquezas
5.
Descobrir as pessoas que amamos, os seus gostos,
interesses, preocupações
6.
deixar de querer ser perfeito
Antes de
criticar os outros temos que pensar no impacto que os nossos atos vão ter na
sua mente, ou seja temos que fazer a nossa própria crítica.
Os medos que
são fruto de pensarmos nas consequências dos nossos comportamentos são medos
saudáveis e imprescindíveis, pois podem levar a reflexões, a mudanças no nosso
estilo de vida.
Mas não
podemos deixar que esses medos se tornem intensos, que bloqueiem a liberdade de
viver pensar e agir.
Pensar antes
de reagir é fundamental, pois nos segundos que se seguem a um foco de tensão
somos controlados por zonas de conflito que bloqueiam milhares de janelas
light, impedindo o acesso a informações que nos forneceriam serenidade,
coerência intelectual e raciocínio critico.
Cury diz que
muitas vezes pensamos antes de reagir com estranhos, no dia a dia da nossa vida
profissional por exemplo, mas frequentemente não o fazemos com as pessoas que
amamos, no seio da nossa família.
Por isso diz
que se deve praticar a oração dos sábios: o silêncio durante os focos de
tensão.
Que não
podemos viver sob a ditadura da resposta, devemos controlar a necessidade de
reagir quando somos pressionados.
Não contando
até dez pois essa técnica não funciona, mas praticando o silêncio filosófico
(libertarmo-nos da necessidade doentia de reagir em situações de stress) e a
tolerância.
"É melhor ser-se lento a pensar do que
rápido a magoar."
"Quem se orgulha de dizer tudo o que
pensa, magoa quem deveria ser amado e, portanto, não decifrou a linguagem do
autocontrolo."
"As decepções fazem parte do cardápio
das melhores relações. Nesse cardápio necessitamos do tempero do silêncio para
preparar o molho da tolerância."
"O silêncio e a tolerância são o vinho
dos fortes; as reações impulsivas são a bebedeira dos fracos."
"É preferível conviver com uma pessoa
simples, sem cultura acadêmica, mas tolerante do que um ser humano possuidor de
uma irrefutável cultura, mas saturada de radicalismo, egocentrismo e estrelato.
A sabedoria e a autocrítica não se aprendem nos bancos de escola, mas no
traçado da existência."
Alguns exercícios podem auxiliar como
proposta para decifrar o código da autocrítica:
1.
Praticar a paragem introspectiva antes de reagir
2.
Praticar a oração dos sábios, o silêncio em vez
da ditadura da resposta
3.
Não viver sob o binómio estimulo-resposta
4.
Não ser escravo do que pensam e falam sobre si
5.
Conquistar a admiração em vez do temor,
provocando o fenômeno RAM com ações/reações surpreendentes
Cury diz-nos
que o código da psicoadaptação reflete a capacidade de suportar a dor, de
ultrapassar obstáculos, de gerir conflitos e adaptar-se a mudanças
psicossociais.
Diz que é o
fenómeno de psicoadaptação que gera o código da resiliência.
O grau de
resiliência de um ser humano depende, pois, de ser capaz de superar, de se
adaptar, perante as adversidades que surgem no caminho na sua vida.
Um baixo grau
de resiliência em que uma pessoa suporta de forma deficiente as crises e os
acontecimentos adversos, pode levá-la a sofrer de depressão, de pânico,
ansiedade, de sintomas psicossomáticos e mesmo levar ao suicídio imaginário,
físico ou psíquico, em que a pessoa auto abandona-se, e passa a refugiar-se no
alcoolismo, nas drogas e em comportamentos autodestrutivos.
Este código, o
da resiliência, está fortemente ligado ao código de gestão do intelecto, em
especial à gestão de pensamentos mórbidos, à construção de janelas paralelas e
à reedição do inconsciente.
Lembra
novamente que é fundamental um choque de gestão do intelecto para suportar
crises e tensões.
A
adaptabilidade e capacidade de superação de crises depende mais da aprendizagem
do que da carga genética.
Os fatores genéticos
de propensão à hiperatividade, ansiedade e irritabilidade dificultam as
capacidades de psicoadaptação, mas este código deve ser decifrado pela
aprendizagem.
Alguém que
sofre de SPA tem também mais dificuldades de superar adversidades.
Apesar das
dificuldades de superação em relação a outras pessoas, estes indivíduos, ao
decifrar os códigos da inteligência, podem desenvolver grandes competências
resilientes.
Cury refere
que o sentimento de culpa em excesso gera hipersensibilidade. Que esta causa
transtornos, entre eles a escassez de proteção emocional. E que as perdas podem
causar grandes impactos.
Sem o fenômeno
da psicoadaptação "um adulto não sobreviveria aos vexames, humilhações
sociais, perdas de emprego e crises financeiras que lhe vão acontecendo ao
longo da vida."
"A
dor, as derrotas e as lágrimas devem ser sempre evitadas, mas ninguém vive
continuamente sob um céu sem nuvens. Como as turbulências são inevitáveis,
inclusive em dias de céu limpo, deveríamos usá-las para expandir a nossa
maturidade resiliente."
Como isto pode
concorrer para a maturidade? Aprendendo:
1 -
a ser digno de subir ao pódio usando os fracassos para lá chegar
2 -
a ser digno da maturidade usando as incoerência para a atingir
3 -
a ser digno da saúde psíquica usando as crises, problemas, depressões para a
destilar
4 -
a ser digno do sucesso ao não desprezar as derrotas e acidentes de percurso
5 -
que a pior forma de lidar com as adversidades é virar-lhes as costas
6 -
que é necessário fazer a "mesa redonda do eu", para delinear
estratégias de superação
7 -
que uma pessoa que não desiste dos seus sonhos pode usar o caos como
oportunidade criativa.
Cury fala da
sua própria experiência para lembrar que a vida é cíclica. Que vales e
montanhas se sucedem.
"A
vida é uma grande aventura em que as noites e os dias se alternam."
A vida tem o bom e o mau, o
drama e o lírico.
"Viver
é conquistar, ter experiências, cultura, amigos, um grande amor; viver também é
perder, reduzir a destreza muscular, o reconhecimento social, a vitalidade
social. Viver é ficar encantado com os outros e ter expectativas
correspondidas; viver também significa desencantar-se e ter expectativas
defraudadas."
"Quem
decifra o código da resiliência vai construindo, apesar de não ter consciência,
ao longo da sua vida centenas de janelas light no seu inconsciente, que darão
sustentabilidade à sua lucidez, ânimo, sensibilidade, sabedoria e
tranquilidade. Ainda que se perca a vitalidade física, preservar-se-á a
psíquica; ainda que os aplausos cessem, a vida continuará a ser um espetáculo
no anonimato."
Cury diz que é
importante considerar dois ingredientes fundamentais do psiquismo: o treino (disciplina)
e os sonhos.
Mas que os
sonhos sem treino produzem pessoas frustradas e conformistas, e que treino sem
sonhos produz pessoas sem objetivos, vítimas e servas do sistema social.
Pontos para
decifrar o código da resiliência:
1 - Ter consciência de que a vida é cíclica
2 - Treinar-se diariamente a enfrentar obstáculos e crises
com flexibilidade
3 - Usar as decepções e adversidades para nos reconstruir e
não para nos destruir
4 - Ter consciência de que para ser digno de saúde psíquica é
necessário usar as próprias crises para a destilar
5 - Aprender a escrever nos dias mais dramáticos da nossa
existência os capítulos mais importantes da nossa história.
Cury diz-nos
que o "altruísmo é o reflexo da nossa humanidade, pois quanto mais
altruístas somos, mais humanos seremos".
O altruísmo é
o contrário do egoísmo e do individualismo. Com estes expressamos a nossa
natureza animalesca ou instintiva, e seremos agentes da exclusão e da
agressividade.
Com aquele
(com o altruísmo) expressaremos a grandeza da alma, e seremos agentes da
bondade, compaixão, generosidade e desprendimento. Seremos solidários com quem
falha e estimularemos o outro incluindo-o.
A decifração
deste código levará uma pessoa a ser um ser humano sem fronteiras. Desenvolverá
a paixão pela Humanidade, aprendendo que primeiro somos seres humanos, e só
depois somos Portugueses, Brasileiros, Chineses ou Americanos, ou qualquer
outra classificação de grupo.
Cury diz que
quem decifra este código passa a ver para além das aparências exteriores dos
outros, passa a ver as suas necessidades e conflitos, passa a querer
compreender o que lhes vai na alma.
Os altruístas
não exploram nem se aproveitam dos outros, antes partilham com eles. Que o
altruísta nutre um sentimento de gratidão para com os outros: para com os
empregados que o servem, para com os colegas de trabalho que com ele colaboram,
para com os professores que o ensinaram, e para com os pais que o educaram e
sustentaram.
Os altruístas
não são ingênuos. Doam-se aos outros porque aprenderam a reconhecer e a
agradecer aos que se doaram por eles.
O altruísta
não vive em função de si mesmo antes procura fazer os outros felizes cultivando
o bem-estar à sua volta.
Cury fala dos
problemas de agressividade entre jovens nas escolas. E diz que isso é apenas a
ponta do icebergue de um problema maior de muito e muitos alunos que não
desenvolveram o altruísmo, a capacidade de se doarem aos outros, a capacidade
de se colocarem no lugar dos outros.
E que na base
de tudo estão pais e professores que também não desenvolveram adequadamente
essas capacidades de gratidão e generosidade.
Diz ainda que
para nos colocarmos no lugar do outro temos que fazer uma interpretação do
outro. E isso levanta vários problemas, porque as interpretações são imagens
que podem estar mais ou menos ajustadas à realidade daquilo que o outro é e
sente.
Que
interpretar gera frequentemente grandes distorções, e que é precisamente o
código do altruísmo, associado ao código da autocrítica e da gestão psíquica do
eu, que pode minimizar essas distorções de interpretação.
Cury aponta as
consequências trágicas do egoísmo, individualismo e egocentrismo, quando estes
se desenvolveram no passado, dando como exemplo a II Guerra Mundial, Hitler e a
opressão dos campos de concentração.
Segundo ele só
a educação altruísta pode lutar contra a manifestação do instinto humano no
tecido social.
Mas não se
julgue esta uma tarefa fácil. Pois é mais fácil educar o intelecto para
aprender a ler do que para educar a emoção para aprender a doar-se.
O altruísmo
ensina-se pelo exemplo. No ensino do altruísmo a eloquência do silêncio é mais
eficaz do que as palavras.
O
individualismo é uma fonte de transtorno psíquico, a solidariedade é fonte de
saúde emocional.
O excesso de atividades
e estímulos leva ao SPA e ao Síndrome da Exteriorização Existencial, em que o
ser humano deixa de conseguir refletir, repensar e reorganizar-se adequadamente
para descobrir o sentido da existência.
Para decifrar
o código do altruísmo temos que reduzir a ansiedade e isso não se coaduna com
uma mente agitada e inquieta.
Estas são duas
armadilhas para a mente humana: a insensibilidade e a hipersensibilidade. Podem
bloquear o código do altruísmo e o código do eu como gestor psíquico. Pode
também comprometer o código da resiliência.
Um
anti-altruísta sofre de insensibilidade.
E um
hiper-altruísta sofre de hipersensibilidade.
Se o primeiro
fere os outros, o segundo fere-se a si mesmo para não magoar os outros.
Os hipersensíveis
são excelentes seres humanos, mas estão mais sujeitos a depressões e a outros
transtornos emocionais.
Cury diz que
devemos educar a sensibilidade, e que para isso devemos procurar conhecer a
história das pessoas que amamos, aprendendo com as experiências mais
importantes dos nossos pais e professores.
Eis um modelo
de exercício proposto para
decifrar o código do altruísmo:
1.
Descobrir o prazer de se doar rompendo com o individualismo
2.
Participar em atividades sociais de preservação da vida e do meio
ambiente
3.
Ensinar os mais jovens a ser apaixonados pela Humanidade, e a compreender que existe um tesouro
dentro de cada ser humano
4.
Prevenir a hipersensibilidade, não vivendo a dor dos outros, nem super protegendo-os.
5.
Praticar a oração dos sábios: o silêncio
*Joenildo Fonseca Leite, Servidor Público Estadual/MG. Diretor Acadêmico da FAETEFIL. Teólogo, Pedagogo, Psicólogo Clínico. Psicanalista Clínico.