quinta-feira, 20 de agosto de 2015

PSICOLOGIA – AUTOCONHECIMENTO – GESTÃO DO EU

*LEITE,J.F

Hoje, o que um teólogo tanto precisa é parar e pensar – recuar um passo e refletir com atenção sobre suas expectativas. Ter a prática da gestão do conhecimento.
No livro Rules for Radicals, Saul Alinsky defende a interessante tese de que um acontecimento só vira experiência depois de submetido a uma reflexão ponderada:
“A maioria das pessoas não acumula um conjunto de experiências. A maioria passa a vida transitando por uma série de acontecimentos que passam por seus sistemas sem serem digeridos. Assim como uma informação só se torna uma aprendizagem quando é expandida para uma ação efetiva, quando o objeto de reflexão migra para uma experiência pessoal”.

Sem que se estenda o significado, a gestão é um ato mecânico. Daí tomamos a reflexão como um espaço suspenso entre a experiência e a explicação, no qual a mente estabelece conexões.
Imagine uma reunião na qual alguém subitamente explode numa investida pessoal. Sua inclinação é ignorar ou desconsiderar o destempero – afinal, você ouviu dizer que o sujeito está com problemas em casa.
Por que não aproveitar para refletir sobre sua própria reação – seja constrangimento, raiva ou frustração – e, com isso, identificar em você mesmo certos sentimentos análogos?
Para você, sua reação torna-se uma experiência de aprendizagem: entre sua experiência e sua explicação, você abriu espaço à imaginação. Isso pode fazer toda a diferença.
Uma organização, seja igreja ou em outra área de atuação do teólogo talvez não precise da turma do “espelho” que vê em tudo apenas um reflexo de seu próprio comportamento. Mas tampouco precisa da turma da “janela”, incapaz de enxergar além da imagem diante de seu nariz. Precisa, antes, do administrador que veja dos dois jeitos – que olhe pela janela ao amanhecer e veja, por trás de seu reflexo, o mundo que se descortina lá fora.
“Refletir”, em latim, significa em dobrar, recurvar, o que sugere que a atenção, antes de voltar-se para fora, precisa voltar-se para dentro. 
Isso implica transcender a introspecção. Implica olhar para dentro para melhor olhar para fora e encarar algo familiar de forma diferente – um departamento como serviço, ou um membro/associado como parceiro. Não estaria aí uma descrição do modo de pensar de teólogos realmente bem-sucedidos?
Da mesma forma, um teólgo reflexivo consegue olhar para trás antes de olhar para frente. Uma “visão” de sucesso não surge imaculada; é pintada, pincelada a pincelada, com base em experiências passadas. 
Um teólogo reflexivo, em outras palavras, tem um saudável respeito pela história – não só a grande história de acordos e fiascos, mas também a história cotidiana de todos os pequenos atos que fazem uma associação funcionar.
É preciso entender o passado quando se quer usar o presente para garantir um futuro melhor.

Você se conhece?
Sabe porque se comporta da maneira como o faz?
Sabe o que deseja mudar na sua vida?
Sabe como mudar?

Desde a antiguidade, as pessoas se intrigam com o quanto conhecem da motivação do seu próprio comportamento, dos seus desejos e sonhos.
A famosa exortação de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo” traduz uma das mais antigas preocupações do homem, isto é, quanto às causas do seu próprio comportamento e do comportamento de outras pessoas.
Pensadores, filósofos e pesquisadores a muito debatem o tema do que um indivíduo pode conhecer a respeito do seu próprio comportamento, ou seja, como produzir autoconhecimento e porque esse conhecimento seria relevante para as pessoas.
A Psicologia é uma área do conhecimento que busca encontrar a resposta para essa questão por meio do método científico.
Ao longo dos anos, a observação sistemática do comportamento dos indivíduos tem demonstrado que as pessoas conhecem pouco a respeito do seu próprio comportamento.
As pessoas acreditam que pelo fato de ter acesso privativo aos seus próprios pensamentos e sentimentos, também possuiriam um conhecimento profundo dos porquês do seu comportamento. Contudo, esse tipo de conclusão tem recebido pouco suporte dos dados obtidos no laboratório experimental, na clínica psicológica e nas observações cotidianas.
Freud foi um dos primeiros pensadores a apontar o quanto da motivação humana permanece obscura à própria pessoa e sugeriu que tornar consciente essas motivações seria um passo importante para o estabelecimento de uma vida saudável.
Existem diferentes tipos de autoconhecimento. Segundo Skinner (2004/1974) uma pessoa pode saber que “está fazendo alguma coisa”, “que tende a fazer alguma coisa”, “que fez alguma coisa” ou “o porquê de ter feito alguma coisa”.
Perceber o seu próprio comportamento pode ser muito útil ao tentar mudar esse mesmo comportamento. Quantas pessoas não entendem porque não conseguem: parar de beber ou usar outro tipo de droga, parar de brigar com o conjugue, estabelecer um relacionamento aprofundado com seus filhos, pais e amigos ou ter um emprego bem-sucedido?
A Psicologia tem mostrado que o quanto uma pessoa conhece a respeito de si mesma é, em grande medida, fruto da interação com as demais pessoas.
Descobrimos que somos bonitos ou feios, simpáticos ou tímidos, inteligentes, brilhantes ou não, pelo que as demais pessoas dizem a respeito do nosso comportamento. É nesse reconhecimento pelo outro, é no questionar e pelo olhar do outro que começamos a nos conhecer.
Reflita, grande parte do que você acredita ser suas qualidades e aptidões não é fruto do que durante a sua vida as pessoas reconheceram em você?
E de forma semelhante, grande parte do sofrimento humano também provém daquilo que não é reconhecido pelos demais: do que ignoramos a nosso próprio respeito ou do que não queremos reconhecer.
A Psicologia tem também mostrado a relevância do autoconhecimento para a produção de mudanças desejadas no comportamento. Quando nos defrontamos com uma situação que não nos satisfaz, percebemos que é preciso mudar.
Uma pessoa pode saber que seu casamento não está bem, que está infeliz no trabalho, que não sabe lidar com o comportamento dos filhos, que tem ataques de pânico, ansiedade ou outros medos. Muitas vezes a situação de sofrimento é clara, mas o que mudar, como mudar e em que sentido mudar, não o é.
Diante desse quadro, a psicoterapia é de grande relevância, uma vez que o psicólogo é um profissional especialmente treinado para identificar às causas do comportamento dos indivíduos. Por conseguinte, a terapia é um contexto privilegiado para o desenvolvimento do autoconhecimento, principalmente do tipo de autoconhecimento relevante para a produção das mudanças desejadas por uma pessoa, ou seja, um conhecimento do porque nós comportamos da maneira como o fazemos.
Afinal, por que precisamos nos conhecer para mudar? Porque mudar em qualquer direção não é eficiente, uma vez que na maioria das vezes não vai trazer resultados positivos em termos de qualidade de vida.
Um indivíduo pode perceber que seu casamento não está trazendo mais satisfação e pode tentar mudar essa situação de inúmeras maneiras: arranjando um(a) amante, se afastando do cônjuge, bebendo, se separando, brigando, permanecendo deprimido ou efetivamente buscando o que não o satisfaz e em que medida seria possível mudar.
Logo, se conhecer é um dos primeiros passos para uma mudança bem sucedida. Uma vez que nem sempre descobrir essas motivações e em que sentido mudar é fácil.
A Psicoterapia Comportamental é uma abordagem que possui uma ampla base de conhecimento científico para os tratamentos que implementa. Nessa abordagem, o terapeuta busca estabelecer junto com o cliente objetivos de mudança.
Para tanto, o terapeuta vai ajudar o cliente a reconhecer o problema, saber o que o causa e estabelecer uma meta de mudança. Ou seja, o trabalho de terapia envolve, em um primeiro momento, o desenvolvimento do autoconhecimento necessário para produzir a mudança desejada pelo cliente.
Após o estabelecimento desse conhecimento, o terapeuta fornecerá a ajuda necessária para o cliente implementar a mudança.
Por esse motivo na terapia comportamental, as técnicas de auto-observação são fundamentais.
Os terapeutas utilizam-se de registros, treinos de observação, escalas, questionários e a própria situação terapêutica como uma forma de aumentar o autoconhecimento e de implementação de mudanças.
Esses registros são ainda fundamentais para avaliar a efetividade da terapia e dos tratamentos implementados. Eles são também uma forma do cliente aprender a manejar seu próprio comportamento, aprendendo a observar a si mesmo e como as condições em que ele vive o afetam.
A psicologia é uma ciência fascinante com muitas contribuições sobre vários aspectos da nossa vida.
Assim, a primeira vista pode parecer muito difícil e assustador entender tudo o que a Psicologia pode oferecer, já que a Psicologia engloba muitos tópicos diferentes e complexos.
Por esta razão, apresento aqui uma visão mais geral sobre as principais contribuições da Psicologia afim de te dar noções básicas para que você possa explorar melhorar essa fascinante área do conhecimento.

1. A Psicologia é ao mesmo tempo uma ciência e uma profissão.

Quando se fala em Psicologia é preciso entender que nos referimos ao mesmo tempo a uma ciência e a uma profissão.
A Psicologia é uma área de estudos científicos que na qual se estuda a mente e o comportamento. Essa ciência norteia a profissão do Psicólogo.
Os Psicólogos usam os conhecimentos da Psicologia para melhorar a vida das pessoas em aspectos como saúde, educação, trabalho e família.

2. Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e do comportamento.

Embora você possa encontrar diferentes definições sobre o que é Psicologia e qual seu objeto de estudos, na Psicologia se propõe estudar, sob diferentes perspectivas, como as pessoas (e também os animais) pensam, sentem e se comportam sozinhas e nas relações com os demais membros da sociedade.  
Assim, a Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e dos comportamentos.
Os psicólogos têm diversos interesses e realizam muitos estudos diferentes, algumas das questões estudadas por psicólogos são: como as crianças aprendem; porque as pessoas se lembram mais de fatos que foram acompanhados por fortes emoções; como as pessoas fazem escolhas, porque algumas pessoas são mais extrovertidas e outras mais introvertidas, e etc.

3. Psicologia é uma ciência e utiliza métodos científicos.

É preciso deixar bem claro que a Psicologia é uma ciência e, portanto, o conhecimento produzido na Psicologia é obtido com base no método científico.
Muitas pessoas confundem Psicologia com outros tipos de conhecimentos que também são importantes, mas não são científicos, mas é preciso entender que a Psicologia é sim uma ciência.

4. A Psicologia tem muitas abordagens e subcampos diferentes.

Não existe só um caminho possível em Psicologia, todos os fenômenos podem ser vistos de diferentes perspectivas. Essas várias perspectivas permitiram a construção de diferentes teorias em Psicologia que são usadas nas mais diversas facetas da nossa vida.
Muitas vezes é possível ouvir o termo “Psicologias” para ressaltar essa multiplicidade de teorias e abordagens na Psicologia. No entanto, isso é um erro, na verdade só existe uma Psicologia com várias abordagens teóricas e diferentes áreas de atuação ou subcampos.
Alguns exemplos de abordagens teóricas são: Psicologia Cognitiva, Psicologia Sócio histórica (histórico-cultural), Psicologia Comportamental (behaviorista), Psicologia Psicodinâmica (psicanálise), Psicologia Fenomenológica, Gestalt etc.
Exemplos de áreas de atuação incluem: Psicologia Escolar, Psicologia Clínica, Psicologia Comunitária, Psicologia Hospitalar e Psicologia Social.

5. Psicologia não é apenas Psicoterapia.

Quando se ouve falar em Psicologia muitas vezes a primeira coisa que pensamos é na abordagem Clínica e mais especificamente na Clínica Psicanalítica, com a figura clássica do terapeuta e de um divã.
No entanto, essa é apenas uma das inúmeras possibilidades de atuação dos psicólogos.
Existem psicólogos que trabalham com a educação, psicólogos que trabalham em comunidades, psicólogos que trabalham em empresas, psicólogos jurídicos, psicólogos do esporte, psicólogos que trabalham em laboratórios.
Além disso, a própria psicoterapia, não se restringe a abordagem psicodinâmica (psicanalítica), existem outras abordagens como a cognitivo-comportamental, a abordagem centrada na pessoa e a gestalt-terapia.

6. A psicologia estuda tanto o comportamento típico quanto o atípico.

É muito comum pensar que a Psicologia estuda apenas o comportamento atípico (anormal), o comportamento inadequado, a “loucura”. No entanto, a psicologia estuda todo e qualquer comportamento.
A Psicologia tem contribuições não só para o tratamento de doenças mentais, mas também para a promoção e manutenção da saúde mental.
Uma das mais importantes áreas da Psicologia, por exemplo, é a Psicologia do Desenvolvimento Humano e esta se ocupa do estudo do desenvolvimento geral dos seres humanos, tanto o normal quanto o patológico.
Mais recentemente, por exemplo, uma nova área da Psicologia tem conquistado cada vez mais espaço, trata-se da chamada Psicologia Positiva. 
O foco da psicologia positiva é no crescimento pessoal, em vez do estudo das patologias (doenças), como é comum entre outros quadros dentro do campo da psicologia.
Nesta área se estudam o papel dos sentimentos positivos, de pontos fortes, virtudes, talentos, felicidade, bem como as formas que estes podem ser promovidos por sistemas e instituições sociais.

7. A Psicologia está em todos os lugares

Como muitos associam Psicologia à saúde mental ou a algo muito difícil, comumente as pessoas podem pensar que a Psicologia se restringe aos consultórios ou faculdades de Psicologia.
No entanto, a Psicologia está em todos os lugares, desde a formulação de métodos de ensino mais eficazes baseados em psicologia da aprendizagem até na organização dos produtos em supermercados e a elaboração de comerciais de produtos que se baseiam em psicologia do marketing.
Outros temas da Psicologia também são conhecidos por todos, como por exemplo identificar sentimentos dos outros e saber como as crianças se desenvolvem. A grande diferença entre esses saberes populares, também chamados de Psicologia do senso comum é que os Psicólogos estudam cientificamente esses conhecimentos.
Ao produzir conhecimentos científicos os psicólogos podem ajudar as pessoas de modo mais eficiente, por exemplo sabendo exatamente o que se esperar em cada fase do desenvolvimento das crianças e como ajudar as crianças a atingirem todo seu potencial e melhorar seu desenvolvimento.

8. Psicólogos objetivam descrever, explicar, predizer e modificar comportamentos.

Como a Psicologia é uma ciência e se utiliza do método científicos, os psicólogos realizam parte de seus estudos observando e descrevendo comportamentos e pensamentos o que possibilita explicar o porque esses comportamentos e pensamentos ocorrem.
As explicações formuladas pelos psicólogos são reunidas em teorias que possibilitam predizer comportamentos e entender como modificá-los para melhorar a vida dos indivíduos e da sociedade como um todo.
Na graduação em Psicologia, os estudantes de psicologia entram em aprendem essas diversas teorias e também aprendem métodos básicos de pesquisa. No mestrado e doutorado os psicólogos aprendem mais sobre essas teorias e métodos de pesquisa e passam também a produzir novas teorias e reformular teorias antigas.

9. A Psicologia oferece muitas possibilidades de carreiras.

Psicólogos podem ser professores de psicologia nos diferentes segmentos educacionais, mas comumente no ensino superior lecionando para futuros psicólogos e pessoas que tenham profissões em que a Psicologia é necessária como em cursos de formação de professores, administradores, marketing e etc.

10. Psicólogos exploram questões básicas e aplicadas.

As vezes pode parecer difícil de entender algumas das questões básicas que psicólogos estudam, por parecerem muito distantes da nossa realidade cotidiana. Porém, psicólogos teóricos precisam estudar questões muito pontuais como, por exemplo, investigar como a intensidade da luminosidade pode afetar a percepção de cores.
Resultados de pesquisas como essa podem servir para formular teorias mais aplicadas e orientar questões importantes, como por exemplo, orientar o porquê o vermelho, verde e amarelo são as melhores cores para serem usadas em semáforos, já que o vermelho pode ser visto em distâncias maiores.

A Psicologia aplicada, portanto, se vale dos conhecimentos básicos produzidos em Psicologia para resolver problemas práticos nas mais diferentes facetas da nossa vida.


*Joenildo Fonseca Leite, Servidor Público Estadual/MG. Diretor Acadêmico da FAETEFIL. Teólogo, Pedagogo, Psicólogo Clínico. Psicanalista Clínico.

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