*LEITE,J.F
Hoje, o que um teólogo tanto precisa é parar e
pensar – recuar um passo e refletir com atenção sobre suas expectativas. Ter a
prática da gestão do conhecimento.
No livro Rules
for Radicals, Saul Alinsky defende a interessante tese de que um
acontecimento só vira experiência depois de submetido a uma reflexão ponderada:
“A maioria das pessoas não acumula um conjunto de experiências. A
maioria passa a vida transitando por uma série de acontecimentos que passam por
seus sistemas sem serem digeridos. Assim como uma informação só se torna uma
aprendizagem quando é expandida para uma ação efetiva, quando o objeto de
reflexão migra para uma experiência pessoal”.
Sem que se estenda o significado, a gestão é um
ato mecânico. Daí tomamos a reflexão como um espaço suspenso entre a
experiência e a explicação, no qual a mente estabelece conexões.
Imagine uma reunião na qual alguém subitamente
explode numa investida pessoal. Sua inclinação é ignorar ou desconsiderar o destempero
– afinal, você ouviu dizer que o sujeito está com problemas em casa.
Por que não
aproveitar para refletir sobre sua própria reação – seja
constrangimento, raiva ou frustração – e, com isso, identificar em você mesmo
certos sentimentos análogos?
Para você, sua reação torna-se uma experiência
de aprendizagem: entre sua experiência e sua explicação, você abriu espaço à
imaginação. Isso pode fazer toda a diferença.
Uma organização, seja igreja ou em outra área
de atuação do teólogo talvez não precise da turma do “espelho” que vê em tudo
apenas um reflexo de seu próprio comportamento. Mas tampouco precisa da turma
da “janela”, incapaz de enxergar além da imagem diante de seu nariz. Precisa,
antes, do administrador que veja dos dois jeitos – que olhe pela janela ao
amanhecer e veja, por trás de seu reflexo, o mundo que se descortina lá fora.
“Refletir”, em latim, significa
em dobrar, recurvar, o que sugere que a atenção, antes de voltar-se para fora,
precisa voltar-se para dentro.
Isso implica transcender a introspecção.
Implica olhar para dentro para melhor olhar para fora e encarar algo familiar
de forma diferente – um departamento como serviço, ou um membro/associado como
parceiro. Não estaria aí uma descrição do modo de pensar de teólogos realmente bem-sucedidos?
Da mesma forma, um teólgo reflexivo consegue
olhar para trás antes de olhar para frente. Uma “visão” de sucesso não surge
imaculada; é pintada, pincelada a pincelada, com base em experiências passadas.
Um teólogo reflexivo, em outras
palavras, tem um saudável respeito pela história – não
só a grande história de acordos e fiascos, mas também a história cotidiana de
todos os pequenos atos que fazem uma associação funcionar.
É preciso entender o passado
quando se quer usar o presente para garantir um futuro melhor.
Você se conhece?
Sabe porque se comporta da maneira como o faz?
Sabe o que deseja mudar na sua vida?
Sabe como mudar?
Desde a antiguidade, as pessoas se intrigam com o
quanto conhecem da motivação do seu próprio comportamento, dos seus desejos e
sonhos.
A famosa exortação de Sócrates: “conhece-te a ti
mesmo” traduz uma das mais antigas preocupações do homem, isto é, quanto às
causas do seu próprio comportamento e do comportamento de outras pessoas.
Pensadores, filósofos e pesquisadores a muito
debatem o tema do que um indivíduo pode conhecer a respeito do seu próprio
comportamento, ou seja, como produzir autoconhecimento e porque esse
conhecimento seria relevante para as pessoas.
A Psicologia é uma área do conhecimento que busca
encontrar a resposta para essa questão por meio do método científico.
Ao longo dos anos, a observação sistemática do
comportamento dos indivíduos tem demonstrado que as pessoas conhecem pouco a
respeito do seu próprio comportamento.
As pessoas acreditam que pelo fato de ter acesso
privativo aos seus próprios pensamentos e sentimentos, também possuiriam um
conhecimento profundo dos porquês do seu comportamento. Contudo, esse tipo de
conclusão tem recebido pouco suporte dos dados obtidos no laboratório experimental,
na clínica psicológica e nas observações cotidianas.
Freud foi um dos primeiros pensadores a apontar o
quanto da motivação humana permanece obscura à própria pessoa e sugeriu que
tornar consciente essas motivações seria um passo importante para o estabelecimento
de uma vida saudável.
Existem diferentes tipos de autoconhecimento.
Segundo Skinner (2004/1974) uma pessoa pode saber que “está fazendo alguma
coisa”, “que tende a fazer alguma coisa”, “que fez alguma coisa” ou “o porquê
de ter feito alguma coisa”.
Perceber o seu próprio comportamento pode ser muito
útil ao tentar mudar esse mesmo comportamento. Quantas pessoas não entendem
porque não conseguem: parar de beber ou usar outro tipo de droga, parar de
brigar com o conjugue, estabelecer um relacionamento aprofundado com seus
filhos, pais e amigos ou ter um emprego bem-sucedido?
A Psicologia tem mostrado que o quanto uma pessoa
conhece a respeito de si mesma é, em grande medida, fruto da interação com as
demais pessoas.
Descobrimos que somos bonitos ou feios, simpáticos
ou tímidos, inteligentes, brilhantes ou não, pelo que as demais pessoas dizem a
respeito do nosso comportamento. É nesse reconhecimento pelo outro, é no
questionar e pelo olhar do outro que começamos a nos conhecer.
Reflita, grande parte do que você acredita ser suas
qualidades e aptidões não é fruto do que durante a sua vida as pessoas
reconheceram em você?
E de forma semelhante, grande parte do sofrimento
humano também provém daquilo que não é reconhecido pelos demais: do que ignoramos
a nosso próprio respeito ou do que não queremos reconhecer.
A Psicologia tem também mostrado a relevância do
autoconhecimento para a produção de mudanças desejadas no comportamento. Quando
nos defrontamos com uma situação que não nos satisfaz, percebemos que é preciso
mudar.
Uma pessoa pode saber que seu casamento não está
bem, que está infeliz no trabalho, que não sabe lidar com o comportamento dos
filhos, que tem ataques de pânico, ansiedade ou outros medos. Muitas vezes a
situação de sofrimento é clara, mas o que mudar, como mudar e em que sentido
mudar, não o é.
Diante desse quadro, a psicoterapia é de grande
relevância, uma vez que o psicólogo é um profissional especialmente treinado
para identificar às causas do comportamento dos indivíduos. Por conseguinte, a
terapia é um contexto privilegiado para o desenvolvimento do autoconhecimento,
principalmente do tipo de autoconhecimento relevante para a produção das
mudanças desejadas por uma pessoa, ou seja, um conhecimento do porque nós
comportamos da maneira como o fazemos.
Afinal, por que precisamos nos conhecer para mudar?
Porque mudar em qualquer direção não é eficiente, uma vez que na maioria das
vezes não vai trazer resultados positivos em termos de qualidade de vida.
Um indivíduo pode perceber que seu casamento não
está trazendo mais satisfação e pode tentar mudar essa situação de inúmeras
maneiras: arranjando um(a) amante, se afastando do cônjuge, bebendo, se
separando, brigando, permanecendo deprimido ou efetivamente buscando o que não
o satisfaz e em que medida seria possível mudar.
Logo, se conhecer é um dos primeiros passos para
uma mudança bem sucedida. Uma vez que nem sempre descobrir essas motivações e
em que sentido mudar é fácil.
A Psicoterapia Comportamental é uma abordagem que
possui uma ampla base de conhecimento científico para os tratamentos que
implementa. Nessa abordagem, o terapeuta busca estabelecer junto com o cliente
objetivos de mudança.
Para tanto, o terapeuta vai ajudar o cliente a
reconhecer o problema, saber o que o causa e estabelecer uma meta de mudança.
Ou seja, o trabalho de terapia envolve, em um primeiro momento, o
desenvolvimento do autoconhecimento necessário para produzir a mudança desejada
pelo cliente.
Após o estabelecimento desse conhecimento, o
terapeuta fornecerá a ajuda necessária para o cliente implementar a mudança.
Por esse motivo na terapia comportamental, as
técnicas de auto-observação são fundamentais.
Os terapeutas utilizam-se de registros, treinos de
observação, escalas, questionários e a própria situação terapêutica como uma
forma de aumentar o autoconhecimento e de implementação de mudanças.
Esses registros são ainda fundamentais para avaliar
a efetividade da terapia e dos tratamentos implementados. Eles são também uma
forma do cliente aprender a manejar seu próprio comportamento, aprendendo a
observar a si mesmo e como as condições em que ele vive o afetam.
A
psicologia é uma ciência fascinante com muitas contribuições sobre vários
aspectos da nossa vida.
Assim, a
primeira vista pode parecer muito difícil e assustador entender tudo o que a
Psicologia pode oferecer, já que a Psicologia engloba muitos tópicos
diferentes e complexos.
Por
esta razão, apresento aqui uma visão mais geral sobre as principais
contribuições da Psicologia afim de te dar noções básicas para que você possa
explorar melhorar essa fascinante área do conhecimento.
1.
A Psicologia é ao mesmo tempo uma ciência e uma profissão.
Quando
se fala em Psicologia é preciso entender que nos referimos ao mesmo tempo a uma
ciência e a uma profissão.
A
Psicologia é uma área de estudos científicos que na qual se estuda a mente
e o comportamento. Essa ciência norteia a profissão do Psicólogo.
Os
Psicólogos usam os conhecimentos da Psicologia para melhorar a vida das pessoas
em aspectos como saúde, educação, trabalho e família.
2.
Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e do comportamento.
Embora
você possa encontrar diferentes definições sobre o que é Psicologia e qual seu
objeto de estudos, na Psicologia se propõe estudar, sob diferentes
perspectivas, como as pessoas (e também os animais) pensam, sentem e se
comportam sozinhas e nas relações com os demais membros da sociedade.
Assim,
a Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e dos comportamentos.
Os
psicólogos têm diversos interesses e realizam muitos estudos diferentes,
algumas das questões estudadas por psicólogos são: como as crianças aprendem;
porque as pessoas se lembram mais de fatos que foram acompanhados por fortes
emoções; como as pessoas fazem escolhas, porque algumas pessoas são mais
extrovertidas e outras mais introvertidas, e etc.
3.
Psicologia é uma ciência e utiliza métodos científicos.
É
preciso deixar bem claro que a Psicologia é uma ciência e, portanto, o
conhecimento produzido na Psicologia é obtido com base no método
científico.
Muitas
pessoas confundem Psicologia com outros tipos de conhecimentos que também são
importantes, mas não são científicos, mas é preciso entender que a Psicologia é
sim uma ciência.
4.
A Psicologia tem muitas abordagens e subcampos diferentes.
Não
existe só um caminho possível em Psicologia, todos os fenômenos podem ser
vistos de diferentes perspectivas. Essas várias perspectivas permitiram a
construção de diferentes teorias em Psicologia que são usadas nas mais diversas
facetas da nossa vida.
Muitas
vezes é possível ouvir o termo “Psicologias” para ressaltar essa multiplicidade
de teorias e abordagens na Psicologia. No entanto, isso é um erro, na verdade
só existe uma Psicologia com várias abordagens teóricas e diferentes áreas de
atuação ou subcampos.
Alguns
exemplos de abordagens teóricas são: Psicologia Cognitiva, Psicologia Sócio
histórica (histórico-cultural), Psicologia Comportamental (behaviorista),
Psicologia Psicodinâmica (psicanálise), Psicologia Fenomenológica, Gestalt etc.
Exemplos
de áreas de atuação incluem: Psicologia Escolar, Psicologia Clínica, Psicologia
Comunitária, Psicologia Hospitalar e Psicologia Social.
5.
Psicologia não é apenas Psicoterapia.
Quando
se ouve falar em Psicologia muitas vezes a primeira coisa que pensamos é na
abordagem Clínica e mais especificamente na Clínica Psicanalítica, com a figura
clássica do terapeuta e de um divã.
No
entanto, essa é apenas uma das inúmeras possibilidades de atuação dos
psicólogos.
Existem
psicólogos que trabalham com a educação, psicólogos que trabalham em
comunidades, psicólogos que trabalham em empresas, psicólogos jurídicos,
psicólogos do esporte, psicólogos que trabalham em laboratórios.
Além
disso, a própria psicoterapia, não se restringe a abordagem psicodinâmica
(psicanalítica), existem outras abordagens como a cognitivo-comportamental, a
abordagem centrada na pessoa e a gestalt-terapia.
6.
A psicologia estuda tanto o comportamento típico quanto o atípico.
É
muito comum pensar que a Psicologia estuda apenas o comportamento atípico
(anormal), o comportamento inadequado, a “loucura”. No entanto, a psicologia
estuda todo e qualquer comportamento.
A
Psicologia tem contribuições não só para o tratamento de doenças mentais, mas
também para a promoção e manutenção da saúde mental.
Uma
das mais importantes áreas da Psicologia, por exemplo, é a Psicologia do
Desenvolvimento Humano e esta se ocupa do estudo do desenvolvimento geral dos
seres humanos, tanto o normal quanto o patológico.
Mais
recentemente, por exemplo, uma nova área da Psicologia tem conquistado cada vez
mais espaço, trata-se da chamada Psicologia Positiva.
O
foco da psicologia positiva é no crescimento pessoal, em vez do estudo das
patologias (doenças), como é comum entre outros quadros dentro do campo da
psicologia.
Nesta
área se estudam o papel dos sentimentos positivos, de pontos
fortes, virtudes, talentos, felicidade, bem como as formas que estes podem
ser promovidos por sistemas e instituições sociais.
7. A
Psicologia está em todos os lugares
Como
muitos associam Psicologia à saúde mental ou a algo muito difícil, comumente as
pessoas podem pensar que a Psicologia se restringe aos consultórios ou
faculdades de Psicologia.
No
entanto, a Psicologia está em todos os lugares, desde a formulação de métodos
de ensino mais eficazes baseados em psicologia da aprendizagem até na
organização dos produtos em supermercados e a elaboração de comerciais de
produtos que se baseiam em psicologia do marketing.
Outros
temas da Psicologia também são conhecidos por todos, como por exemplo
identificar sentimentos dos outros e saber como as crianças se desenvolvem. A
grande diferença entre esses saberes populares, também chamados de Psicologia
do senso comum é que os Psicólogos estudam cientificamente esses conhecimentos.
Ao
produzir conhecimentos científicos os psicólogos podem ajudar as pessoas de
modo mais eficiente, por exemplo sabendo exatamente o que se esperar em cada
fase do desenvolvimento das crianças e como ajudar as crianças a atingirem todo
seu potencial e melhorar seu desenvolvimento.
8.
Psicólogos objetivam descrever, explicar, predizer e modificar comportamentos.
Como
a Psicologia é uma ciência e se utiliza do método científicos, os psicólogos
realizam parte de seus estudos observando e descrevendo comportamentos e pensamentos
o que possibilita explicar o porque esses comportamentos e pensamentos ocorrem.
As
explicações formuladas pelos psicólogos são reunidas em teorias que
possibilitam predizer comportamentos e entender como modificá-los para melhorar
a vida dos indivíduos e da sociedade como um todo.
Na
graduação em Psicologia, os estudantes de psicologia entram em
aprendem essas diversas teorias e também aprendem métodos básicos de
pesquisa. No mestrado e doutorado os psicólogos aprendem mais sobre essas
teorias e métodos de pesquisa e passam também a produzir novas teorias e
reformular teorias antigas.
9.
A Psicologia oferece muitas possibilidades de carreiras.
Psicólogos
podem ser professores de psicologia nos diferentes segmentos educacionais, mas
comumente no ensino superior lecionando para futuros psicólogos e pessoas que
tenham profissões em que a Psicologia é necessária como em cursos de formação
de professores, administradores, marketing e etc.
10.
Psicólogos exploram questões básicas e aplicadas.
As
vezes pode parecer difícil de entender algumas das questões básicas que
psicólogos estudam, por parecerem muito distantes da nossa realidade
cotidiana. Porém, psicólogos teóricos precisam estudar questões muito
pontuais como, por exemplo, investigar como a intensidade da luminosidade pode
afetar a percepção de cores.
Resultados
de pesquisas como essa podem servir para formular teorias mais aplicadas e
orientar questões importantes, como por exemplo, orientar o porquê o vermelho,
verde e amarelo são as melhores cores para serem usadas em semáforos, já que o
vermelho pode ser visto em distâncias maiores.
A
Psicologia aplicada, portanto, se vale dos conhecimentos básicos produzidos em
Psicologia para resolver problemas práticos nas mais diferentes facetas da nossa
vida.
*Joenildo Fonseca Leite, Servidor Público Estadual/MG. Diretor Acadêmico da FAETEFIL. Teólogo, Pedagogo, Psicólogo Clínico. Psicanalista Clínico.
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