sábado, 16 de maio de 2015

INCLUSÃO DIGITAL VALORIZADA PELA PSICOPEDAGOGIA COMO FERRAMENTA FACILITADORA DO ENSINO SECULAR NO SÉCULO XXI



 INCLUSÃO DIGITAL VALORIZADA PELA PSICOPEDAGOGIA COMO FERRAMENTA FACILITADORA DO ENSINO SECULAR NO SÉCULO XXI 

LEITE.J.F.
1 INTRODUÇÃO

Apesar da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em vigor desde 1996, já preconizar a necessidade da alfabetização digital em todos os níveis de ensino, do fundamental ao superior, o censo escolar do Ministério da Educação e Cultura (MEC), realizado em 1999, revelou que apenas 3,5% das escolas de ensino fundamental tinham, naquele ano, acesso à Internet, e cerca de 64 mil escolas do país não tinham sequer energia elétrica. Nos últimos quinze anos, esse quadro está mudando, com iniciativas governamentais além de apoios privados e do terceiro setor. Mas a exclusão digital nas escolas brasileiras ainda é grande.
A possibilidade de uso de computadores, apesar de sua importância para o acesso à informação e para a entrada no mercado de trabalho, continua restrita. A chamada inclusão digital pode significar um avanço para o desenvolvimento do Terceiro Mundo.
Abordar o processo educacional em qualquer aspecto, no século XXI é direcionar-se para estudos científicos como a psicopedagogia, que vem facilitar os caminhos de mudança, observando as dificuldades e necessidades das partes envolvidas como escola, professor, aluno e concomitantemente família e sociedade.
Só será possível derrubar as barreiras que limitam as classes menos favorecidas quando houver consciência de que há essa diferença de classes juntando à conscientização da busca por diminuí-las.  Na seqüência desse processo mais alunos terão acesso à informatização, que é uma realidade necessária e um dos fatores que irão alargar o horizonte para um futuro promissor e seguro profissionalmente.
Entender a inclusão digital com suas vantagens e também com suas dificuldades e levar o psicopedagogo a participar desse processo vem somar para resultados positivos nessa caminhada. É preciso entender e conhecer a inclusão digital como mais um recurso didático para saber usá-lo e lutar pelo seu uso no ensino secular público no século marcado pela modernidade digital e interativa. 
 
           


2 INCLUSÃO

A palavra mestra é inclusão. Inclusão está na moda. Por todos os lados ouve-se falar em educação inclusiva, uma sociedade mais inclusiva, igrejas inclusivas, em atitudes inclusivas. Mas pensar e “fazer” inclusão, não é nada fácil. Na verdade, inclusão é algo complexo.
Inclusão é processo. Ninguém nasce sabendo ser inclusivo ou exclusivo. Inclusão faz parte do processo de educação, desde os primeiros anos, com os pais ou educadores, colegas, dentro de uma determinada cultura e valores (MANTOAN, 1998).


2.1 Análise do conceito

A década de 60 foi um período de grande criação de instituições especializadas. A partir do final daquela década, iniciou-se o movimento de inserção das pessoas portadoras de deficiência nos sistemas sociais gerais. Segundo Mantoan (1998), os termos integração e inclusão são vocábulos que expressam situações diferentes de inserção, que, por detrás, se posicionam em execuções diferentes. Prossegue, ainda, enfatizando que integração tem sido compreendida de diversas maneiras, surgindo em função dos questionamentos quanto “as práticas sociais e escolares de segregação, assim como as atitudes sociais em relação às pessoas com deficiência intelectual” (MANTOAN, 1998).
Sobre esta questão, Werneck (1997) explica que: “a integração e a inclusão são dois sistemas organizacionais de ensino que têm origem no princípio de normalização”(1997, p.51). Continua explicando que normalizar não é tornar o indivíduo normal, mas é atender às suas necessidades e reconhecer o seu direito de ser diferente.
Entre estes dois sistemas de organização de ensino existem semelhanças e diferenças. A semelhança é que ambos promovem a inserção da pessoa com necessidades educativas especiais. A diferença é que a integração é a inserção parcial. Questiona-se que nesta forma de inserção não ocorre a reestruturação da escola. A inclusão é a inserção total e incondicional, também chamada de sistema caleidoscópio, termo criado por educadores canadenses como Forest et Lusthaus em 1997 segundo Mantoan (1998). Este sistema de organização de ensino exige uma transformação da escola, uma ruptura do sistema educacional (MANTOAN, 1998).
Na integração, a inserção depende da capacidade do aluno em adaptar-se à escola, enquanto, na inclusão, a inserção focaliza as particularidades de cada aluno. Segundo Mantoan:
 A integração traz consigo a idéia de que a pessoa com deficiência deve modificar-se segundo os padrões vigentes na sociedade, para que possa fazer parte dela de maneira produtiva e, conseqüentemente ser aceita. Já a inclusão traz o conceito de que é preciso haver modificações na sociedade para que esta seja capaz de receber todos os segmentos que dela foram excluídos, entrando assim em um processo de constante dinamismo político social (MANTOAN, 1998).

A inclusão é uma opção que não é incompatível com a integração, mas é um movimento que vem questionar políticas, organização das estruturas escolares regulares e especiais, sendo a meta principal não deixar ninguém no exterior da escola regular. A inclusão tem um caráter de reunir alunos com e sem dificuldades, funcionários, professores, pais, diretores, enfim todas as pessoas envolvidas com a educação. Segundo Mantoan sua metáfora é o caleidoscópio:
O caleidoscópio precisa de todos os pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenho se torna menos complexo, menos rico. As crianças se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado (MANTOAN, 1998).


2.2 Espaço para atuar

            A inclusão envolve todos os processos que abrangem resgatar o ser humano excluído, reintegrando-o ao convívio perfeito. As dificuldades envolvem desde o mais conhecido e abordado que é a inclusão de portadores de deficiência, a quebra de preconceitos que levantam barreiras como vícios e desvios de comportamento, não esquecendo as dificuldades familiares, profissionais, emocionais e econômicas (SASSAKI, 2003).
Trabalhar para inserir o ser humano em qualquer grupo da sociedade é se ocupar com a inclusão produtiva. Envolve se preocupar com a auto-estima, com as limitações de cada um e com os resultados que podem estar sendo apresentados (SASSAKI, 2003).
Inclusão abrange muito mais do que só deficiência física, como é muito divulgado por instituições governamentais e organizações não-governamentais (ONGs). É pensar no ser como um todo visando resultados positivos em curto prazo e permanentes, que irão gerar os resultados positivos em longo prazo, que irão permanecer para novas gerações (SASSAKI, 2003).

       
2.3 Apoio governamental
           
Há grande movimentação no trabalho de divulgação dos incentivos governamentais para a área de educação. Não se pode negar que nunca a mídia foi tão utilizada para propagar os feitos para melhorar a educação do nível fundamental ao universitário (SAVIANI, 1997).
Bolsas são oferecidas, bem como auxílio financeiro, alimentação, transporte, material didático em melhores condições para aquisição. Professores têm sido estimulados a buscarem aperfeiçoamento em cursos de atualização ou “reciclagem”, como são chamados (MANTOAN, 2001).
            Segundo Mantoan (2001), no processo de inclusão escolar há um enorme trabalho de incentivo e também de alardear o apoio dado pelos governantes. Pensando em inclusão escolar para deficientes muito tem se feito, como:
·         Adaptação do ambiente físico com instalação de rampas, banheiros especiais, etc;
·         Preparação de profissionais para lidar com estas deficiências;
·         Livros adaptados, como em braile para os cegos;
·         Abertura para discussão com os não-deficientes para participação no processo.

Inúmeras empresas têm também participado desse processo justamente pelo incentivo do governo, dando a oportunidade para abater em impostos ou declaração no imposto de renda. Entre estas empresas investidoras destacam-se a Fundação Bradesco e a Embraer e especificamente em Uberlândia a Coca-Cola tem participação efetiva.
Para que a inclusão digital seja economicamente sustentável e vinculada ao processo de autonomia tecnológica nacional, deverá utilizar plataformas abertas e não-proprietárias. “O simples fato de desenvolver programas livres é um elemento de afirmação de nossa cidadania, de inteligência coletiva e de redução da dependência tecnológica ao Primeiro Mundo” (SILVEIRA, 2001).
Para Silveira (2001) uma decisão governamental de salutar importância seria o uso de programas livres, que reside em quatro liberdades que seus usuários devem exercer:
  • Liberdade de executar o programa para qualquer propósito;
  • Liberdade para estudar o programa e adaptá-lo às suas necessidades, ou seja, de ter acesso ao seu código-fonte;
  • Liberdade de redistribuir suas cópias originais ou alteradas;
  • Liberdade para aperfeiçoar o programa e liberá-lo para benefício da comunidade.

No estado de São Paulo o governo vem desenvolvendo desde 2001 um “Plano de Inclusão Digital e Alfabetização Tecnológica” que tende a aprofundar a visão da educação entendida como prática social transformadora da sociedade. A reflexão crítica da sociedade e da mundialização será utilizada para fomentar práticas criativas de recusa de todos os sentidos da exclusão social, inclusive de sua feição tecnológica e concentradora de conhecimento em círculos fechados do Primeiro Mundo. Por isso, o uso do software livre é uma decisão política-educacional (SAMPAIO, 2005).
Há também o programa ‘Um Laptop por Aluno’ para o qual foi veiculado para São Paulo, estimativas de investimentos de R$ 150 milhões do orçamento do governo federal para o ano de 2002, caso os estudos apontem para a viabilidade do projeto (SAMPAIO, 2005).
O então Ministro das Comunicações, Sr. Hélio Costa, disse em entrevista a jornais de São Paulo em 2004, que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva “está disposto a bancar o custo do estudo até o fim do ano”, estimado em R$ 600 mil. A coordenação desse programa e de outros projetos de inclusão digital, segundo Costa, passou a ser do Ministério das Comunicações. A decisão foi tomada em reunião realizada em Brasília no ano de 2004 entre o Ministro, o Presidente e a Ministra da Casa Civil (SAMPAIO, 2005).
O programa “Um Laptop por Aluno” foi idealizado pelo “Media Lab” do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), com o nome original de “Laptop de US$ 100”. O diretor do Media Lab, Nicholas Negroponte, apresentou o projeto ao Presidente Lula no fim de junho de 2004, e a idéia inicial era distribuir 1 milhão de computadores portáteis a alunos de escolas públicas. Costa afirmou que é necessário saber quem irá produzir esses computadores, pois podem ser feitos no Brasil ou importados (SAMPAIO, 2005).
Os estudos realizados com produtoras brasileiras de janeiro a março de 2004, apontam, segundo o Ministro, para a necessidade de se produzirem pelo menos 2 milhões de aparelhos, porque somente com economia de escala é possível fazer esses computadores a um custo de US$ 100 (SAMPAIO, 2005).
A pretensão do governo é botar um computador na mão de cada aluno. O governo compraria, mas não 2 milhões de uma vez. Nós temos que encontrar financiamento para isso, encontrar gente que queira usar como a gente a mesma coisa (SAMPAIO, 2005)

Esta afirmação foi dada pelo Ministro Costa, levantando a possibilidade de o excedente ser exportado ou vendido para outro comprador além do governo federal. O Ministro Costa afirmou ainda que “Se o estudo provar que nós temos condições de fazer, ou de alguém fazer para o governo um computador de US$ 100, o governo teria um programa” (SAMPAIO, 2005).
O processo de inclusão digital envolve mudanças, gastos que precisam ser compreendidos pelo governo e empresas privadas incentivando-os a participar com contribuições para que o processo possa crescer acelerado e aprimorado (SAMPAIO, 2005).


2.4 Envolvimento pedagógico

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), apesar de o número de computadores instalados nas escolas até 2002 ter ficado abaixo das metas estabelecidas pelo governo, a capacitação de professores superou as expectativas. Essa também tem sido uma preocupação nas iniciativas de estados e municípios.
Em Recife, por exemplo, existe um programa municipal de formação continuada de professores para trabalhar nas 70 escolas que possuem laboratórios de informática. A Secretaria de Educação da capital pernambucana também fez uma parceria com uma associação francesa para inclusão digital de crianças em idade de alfabetização, através de correspondência com estudantes de outros países.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, que lançou um Projeto de Inclusão Digital no estado, estabeleceu parcerias com a empresa de Infovias, provedor de acesso à Internet do governo estadual, e com representantes da iniciativa privada, como a First International Computer (FIC) do Brasil, com o objetivo de atender cinco mil escolas em 150 cidades mineiras, sem custo algum para o governo (SAMPAIO, 2005).
Preparar profissionais para atuarem nesse processo educacional e social, se faz de suma importância para que se possa colher frutos num futuro bem próximo. A participação efetiva dos professores só será alcançada se eles forem motivados por um interesse genuíno e pelo reconhecimento da importância do projeto, e isso requer trabalho.
3 PSICOPEDAGOGIA

A Psicopedagogia é uma área de estudo e atuação relativamente recente, tendo chegado ao Brasil na década de 70, embora o seu objeto de estudo seja tema de discussões e reflexões há séculos. A Psicopedagogia procura trabalhar com crianças que apresentam dificuldades escolares, analisar as situações que levam o aprendiz a essas dificuldades, bem como discutir os próprios processos de aprendizagem (VISCA, 2002).
É uma área de múltiplas faces, pois está diretamente ligada ao sujeito que aprende, à instituição que ensina e ao contexto familiar. Para Visca, é a partir desta visão que se torna necessária uma perspectiva mais ampla das inter-relações do meio escolar e familiar e uma ampliação da compreensão sobre características de desenvolvimento:
·         Necessidades e dificuldades de aprendizagem;
·         Processos cognitivos, neurológicos, psicológicos, afetivos, psicomotores, sociais e culturais.

O objetivo do psicopedagogo é o de conduzir a criança ou adolescente, o adulto ou a Instituição a reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade normal e saudável, de acordo com as possibilidades e interesses de cada um dos envolvidos no trabalho do profissional (VISCA, 1991).


3.1 Evolução

Os primeiros estudos e Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por J Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes Centros uniam conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender crianças com dificuldades de aprendizagem, apesar de serem inteligentes. Bossa salienta:
Na literatura francesa – que, como vimos, influencia as idéias sobre psicopedagogia na Argentina (a qual, por sua vez, influencia a práxis brasileira) – encontra-se, entre outros, os trabalhos de Janine Mery, a psicopedagoga francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo psicopedagogia e sobre a origem dessas idéias na Europa, e os trabalhos de George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França,..., onde se percebeu as primeiras tentativas de articulação entre Medicina, Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução dos problemas de comportamento e de aprendizagem (BOSSA, 2000).
 
Médicos e pedagogos esperavam que, através da união da Psicologia-Psicanálise-Pedagogia, se poderia conhecer a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender o caso para determinar uma ação reeducadora (BOSSA, 2000).
Diferenciar os que não aprendiam apesar de serem inteligentes, daqueles que apresentavam alguma deficiência mental, física ou sensorial, era uma das preocupações na Europa em 1952 (BOSSA, 2000).
 Foi na década de 70 que surgiram, em Buenos Aires, os Centros de Saúde Mental, onde equipes de psicopedagogos já atuavam havia aproximadamente 15 anos, fazendo diagnóstico e tratamento. Estes psicopedagogos perceberam, um ano após o acompanhamento, que os pacientes resolveram seus problemas de aprendizagem, mas desenvolveram distúrbios de personalidade como deslocamento de sintoma. Resolveram então incluir o olhar e a escuta clínica psicanalítica no acompanhamento, perfil atual do psicopedagogo argentino (BOSSA, 2000).
Na Argentina, a Psicopedagogia tem um caráter diferenciado da Psicopedagogia no Brasil. Lá são aplicados testes de uso corrente, uma vez que é exercida por profissionais da área clínica, “alguns dos quais não sendo permitidos aos psicopedagogos brasileiros...”, por serem considerados de uso exclusivo dos psicólogos (BOSSA, 2000, p. 42):
... os instrumentos empregados são mais variados, recorrendo o psicopedagogo argentino, em geral, a provas de inteligência, provas de nível de pensamento; avaliação do nível pedagógico; avaliação perceptomotora; testes projetivos; testes psicomotores; hora do jogo psicopedagógico.

Faz-se necessário esclarecer que naquela época os psicólogos é que atuavam como clínicos na área psicopedagógica na Argentina, enquanto no Brasil não são profissionais da área clínica, mas pedagogos atuando na educação (VISCA, 2002).
A Psicopedagogia chegou ao Brasil, na década de 70, cujas dificuldades de aprendizagem nesta época eram associadas a uma disfunção neurológica denominada de disfunção cerebral mínima (DCM) que virou moda neste período, servindo para camuflar problemas sociopedagógicos (BOSSA, 2000).
A partir do século XIX, os problemas de aprendizagem foram estudados e tratados por médicos na Europa e no Brasil, ainda hoje, a maioria das vezes a primeira atitude dos familiares é levar seus filhos a uma consulta médica (BOSSA, 2000).
 Na prática do psicopedagogo, ainda hoje é comum receber no consultório crianças que já foram examinadas por um médico, por indicação da escola ou mesmo por iniciativa da família, devido aos problemas que está apresentando na escola (BOSSA, 2000).
 
A Psicopedagogia foi introduzida aqui no Brasil baseada nos modelos médicos de atuação e foi dentro desta concepção de problemas de aprendizagem que se iniciaram, a partir de 1970, cursos de formação de especialistas em Psicopedagogia na Clínica Médico-Pedagógica de Porto Alegre, com a duração de dois anos (BOSSA, 2000).
Com a visão de uma formação independente, porém complementar, das áreas de Medicina e Psicologia, o Brasil recebeu contribuições, para o desenvolvimento da área psicopedagógica, de profissionais argentinos (VISCA, 2002).
Para a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), existente no Brasil há 13 anos, o professor argentino Jorge Visca foi um dos maiores contribuintes da difusão psicopedagógica no Brasil. Foi o criador da Epistemologia Convergente, linha teórica que propõe um trabalho com a aprendizagem utilizando-se da integração de três linhas da Psicologia:
·         Escola de Genebra - Psicogenética de Piaget já que ninguém pode aprender além do que sua estrutura cognitiva permite;
·         Escola Psicanalítica – Freud, já que dois sujeitos com igual nível cognitivo e distintos investimentos afetivos em relação a um objeto aprenderão de forma diferente;
·         Escola de Psicologia Social de Enrique Pichon Rivière – pois se ocorresse uma paridade do cognitivo e afetivo em dois sujeitos de distinta cultura, também suas aprendizagens em relação a um mesmo objeto seriam diferentes, devido as influências que sofreram por seus meios sócio-culturais.
Visca propõe o trabalho com a aprendizagem utilizando-se de uma confluência dos achados teóricos da escola de Genebra, em que o principal objeto de estudo são os níveis de inteligência, com as teorizações da psicanálise sobre as manifestações emocionais que representam seu interesse predominante. A esta confluência, junta, também, as proposições da psicologia social de Pichon Rivière, mormente porque a aprendizagem escolar, além do lidar com o cognitivo e com o emocional, lida também com relações interpessoais vivenciadas em grupos sociais específicos (BOSSA, 2000).
 
Para Visca a análise do sujeito através de correntes distintas do pensamento psicológico concebeu uma proposta de diagnóstico, dando origem ao método clínico psicopedagógico.
 ...quando se fala de psicopedagogia clínica, se está fazendo referência a um método com o qual se tenta conduzir à aprendizagem e não a uma corrente teórica ou escola. Em concordância com o método clínico podem-se utilizar diferentes enfoques teóricos. O que eu preconizo é o da epistemologia convergente (VISCA, 2002).


3.2 Participação na educação

A Psicopedagogia vem atuando com muito sucesso em diversas Instituições, sejam escolas, hospitais ou empresas. Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervém ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Propõe e ajuda o desenvolvimento dos projetos favoráveis a mudanças, também psicoprofilaticamente (WERNECK, 1997).
A aprendizagem deve ser olhada como a atividade de indivíduos ou grupos humanos, que mediante a incorporação de informações e o desenvolvimento de experiências, promovem modificações estáveis na personalidade e na dinâmica grupal, as quais revertem no manejo instrumental da realidade (WERNECK, 1997).
Na Argentina e na França, considerados Pólos Culturais, este trabalho já vem sendo desenvolvido há 30 anos, tendo o psicopedagogo papel indispensável nas equipes multidisciplinares destas instituições. Ana Maria Muniz, Alícia Fernàndez e Sara Pain são grandes exemplos do quanto a Psicopedagogia Institucional vem colaborando dentro destas instituições (SAVIANI, 1997).
Segundo Pichon, um dos que se preocupou com a questão “GRUPO”, é possível verificar a importância de se trabalhar nestas instituições:
A aprendizagem é uma apropriação instrumental da realidade para transformar-se e transformá-la. Essa apropriação possibilita uma intervenção que gera mudanças em si, e no contexto que se dá. Caracteriza-se também, por ser uma adaptação ativa, constante na realidade. Implica, portanto, em estruturação, desestruturação e reestruturação. Isso gera tensão a qual necessita não apenas ser descarregada, mas revitalizada, renovada, enriquecida (PICHON-RIVIÈRE, 1986).

Ainda segundo Pichon, partindo da Teoria do Vínculo de Pichon-Rivière, a investigação deveria se dar em três dimensões: individual, grupal e institucional ou da sociedade, que permite três tipos de análise (PICHON-RIVIÈRE, 1986):
  • Psicossocial - que parte do indivíduo para fora;
  • Sociodinâmica - que analisa o grupo como estrutura;
  • Institucional - que toma todo um grupo, toda uma instituição ou todo um país como objeto de investigação.
No Brasil, a Psicopedagogia tem hoje uma identidade mais clara, tanto pelo envolvimento de profissionais de forma atuante como pela contribuição que os cursos oferecidos na área. Os profissionais especializados estão ampliando a sua atuação, com competência e responsabilidade, o que constatado por aqueles que supervisionam o trabalho. Instituições que oferecem o curso, tem se primado pela competência e seriedade, além de contribuir para a definição da identidade, colaborando para a institucionalização da Psicopedagogia (MANTOAN, 1997).
Em Uberlândia muitos cursos têm sido oferecidos pela Universidade Federal e também por instituições privadas, como profissionalização e especialização, mas a atuação de forma efetiva ainda é pequena. Na área empresarial, empresas como o Grupo Algar e Cargill, já tem como funcionário efetivo e atuante um psicopedagogo (CUNHA, 2005).
No ensino secular público em Uberlândia, a atuação do psicopedagogo ainda é nova. Raríssimas são as escolas que tem em seu quadro de funcionários um profissional da área. Sua participação tem sido observada no processo de inclusão de alunos com qualquer tipo de deficiência assim como no estímulo ao trabalho em grupo e socialização. O que se observa é que o próprio profissional tem dificuldade para encontrar o seu espaço frente a inúmeras resistências e ao mesmo tempo grandes necessidades (CUNHA, 2005).
Há um vasto campo para ser cultivado e muito ainda precisa ser investido para que os frutos realmente sejam valorosos.         








4 INCLUSÃO DIGITAL

Incluir, da perspectiva tecnológica, envolve apreender o discurso da tecnologia, não só os comandos de programas específicos para a execução de certos fins, não com o objetivo de qualificar melhor as pessoas para o mundo do trabalho, mas sim a capacidade de influir na decisão sobre a importância e as finalidades da tecnologia digital, o que em si é uma postura que está diretamente relacionada a uma perspectiva de inclusão/alfabetização digital, de política pública e de construção de cidadania, o que não deve ser direcionado só para quem consome e assimila um conhecimento já estruturado e direcionado para específicos fins (SAMPAIO, 1992).
É preciso, portanto, um conceito de inclusão digital mais amplo, que proporcione uma dimensão social e política para o papel que a tecnologia representa para a sociedade, que segundo Sampaio (1992) visa “fomentar o exercício da cidadania, para dar voz às comunidades e setores que normalmente não têm acesso à grande mídia”.
Inclusão digital é, antes de qualquer coisa, a busca por melhores condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia. Do inglês a expressão significa “divisória digital” que vem do termo “digital divide”. Existem expressões parecidas hoje, como informação democratizada, tecnologia universal e formas parecidas que são politicamente corretas (SILVEIRA, 2001).
De forma coerente e concreta, inclusão digital não é só “alfabetizar” indivíduos em informática, mas pelo manuseio dos computadores melhorar uma sociedade. È ensinar o bê–á–bá da informática, dando um direcionamento de como se pode ganhar dinheiro e alcançar melhores condições de vida com ajuda do computador (SILVEIRA, 2001).
Para Sampaio (1992), a interpretação errada é comum, porque:
(...) muita gente acha que incluir digitalmente é colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná–las a usar Windows e pacotes de escritório. A analogia errônea tende a irritar os especialistas e ajuda a propagar cenários surreais da chamada inclusão digital, como é o caso de comunidades ou escolas que recebem computadores novinhos em folha, mas que nunca são utilizados porque não há telefone para conectar à internet ou porque faltam professores qualificados para repassar o conhecimento necessário (SAMPAIO,1992).

A partir da década de 90, estudiosos e especialistas em tecnologia da informação começaram a uma série de debates sobre o preocupante quadro que não tem mudado: os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo os mais pobres, estão perdendo atrasados na área da informação. Sem computadores, laboratórios, internet rápida e telecomunicações, esses países estão deixando para trás uma gama variada de opções para estimular a economia e melhorar os índices sociais (SILVEIRA, 2001).
Portanto, não basta dar um computador as pessoas ou tornar a sua aquisição mais fácil: isto não é inclusão digital. Faz-se preciso ensinar como utilizá-lo de forma a ter como resultado benefício próprio e social. No Brasil a inclusão social partindo da digital é um campo pouco trabalhado (SILVEIRA, 2001).
Sampaio (1992) ainda salienta que “(...) nestes últimos anos, tivemos muitas conquistas e desafios. Agora é o momento para refletirmos sobre eles e prestarmos conta para a sociedade sobre as ações que realizamos” (SAMPAIO, 1992).
Problemas como infra-estrutura são destaques entre os obstáculos para a inclusão digital no ensino secular público no Brasil. Há regiões como Pernambuco onde as escolas são deficientes como toda a cidade e Silveira (2001) cita exemplo bem claro como (...) acontece de chegamos em uma comunidade de baixa renda e não termos como levar internet até lá, porque não há fiação telefônica ou instalação elétrica adequada” (SILVEIRA, 2001).
Outro ponto negativo citado por ele é a baixa escolaridade dos instrutores, que via de regra são indivíduos da própria comunidade. E aí entra o papel da inclusão digital como indutor à inclusão social. Chico Science disse que computadores fazem arte e especialistas acrescentam que também fazem cidadania (SILVEIRA, 2001).


4.1 Informatização para educar

As tentativas de uso do computador na educação escolar vão desde a simples digitação de uma redação manuscrita, ao uso de softwares prontos, como também e felizmente, através de projetos educacionais com um enfoque interdisciplinar. Este último é resultado de um trabalho integrado, processado pelos alunos e mediado pelo educador.
A proposta para o uso do computador situa-se no contexto das mudanças e evoluções ocorridas na sociedade. A escola tem a possibilidade de incorporar as transformações, intervindo para sistematizar a integração de todas as mídias disponíveis como recursos pedagógicos e usando o que cada uma tem de melhor.
Utilizar esses recursos para algo que potencialmente é a possibilidade de uma efetiva comunicação com criatividade, tomando o devido cuidado para não se limitar a reproduzir exatamente as mesmas práticas antigas por meios tecnológicos, de forma instrucionista.
O mundo tem crescido aceleradamente na área tecnológica. A Internet tem aproximado pessoas, acelerado a transmissão de notícias e pode ser também usada para adquirir conhecimentos formando profissionais mais completos. Ao se apropriar de tais conceitos e práticas tecnológicas, a escola pode facilitar o uso coletivo dos computadores integrado com o seu projeto político-pedagógico.
A interligação de computadores em rede permite que os recursos disponíveis possam ser compartilhados e que - o que é mais importante no caso da educação - figuras, textos, sons e apresentações elaboradas pelos alunos também possam ser compartilhadas. Tal ligação permite a criação de textos coletivos, o incremento da idéia de solidariedade e da noção da informação como algo que deve estar disponível para todos, a fim de que o trabalho seja realmente de boa qualidade.
Nesse contexto o computador vem ganhando espaço e importância decorrente do próprio processo de modernização e globalização, facilitando a viabilidade das mais diversas tarefas, complexas ou não, e saber utilizá-lo é salutar e vem se tornando primordial.


4.2 Auxílio para educador

O computador facilita uma aprendizagem mais autônoma, no momento em que o professor ensina a processar a informação de maneira crítica e reflexiva, a trabalhar em grupos e a efetivar trocas.
O computador serve para despertar a atenção dos alunos. Os alunos processam melhor o conhecimento quando aprendem ativamente como em trabalhos de campo, experimentos ou interagindo com o computador.
O valor do investimento aplicado pelas escolas não está no computador, mas na preparação dos profissionais da educação para melhor lidarem com essa tecnologia. É necessário que os educadores estejam capacitados e conscientes do seu papel, para que esse novo instrumento não se transforme apenas em um acúmulo quantitativo de informação, tornando-se um objeto a mais de instrução.
A eficácia do uso do computador na escola depende de uma idéia integradora que promova a aprendizagem significativa e a motivação, privilegiando a totalidade do estudo do objeto na tentativa de reduzir a fragmentação do saber.
Crianças que têm acesso a recursos que facilitam a aprendizagem, que são estimuladas a encontrarem soluções e a produzirem ou incrementarem seus conhecimentos acumulados, não têm fronteiras nem limitações em relação ao conhecimento.
O computador pode ser um poderoso recurso na área de informática educacional, mas para isso tem que ser usado com inteligência e eficácia, para tanto é preciso que o educador desenvolva projetos que sejam coerentes com a proposta pedagógica da escola, que promovam a integração dos alunos, ajudem a desenvolver a cooperação entre eles, enriqueçam seus universos e que complementem os trabalhos desenvolvidos em sala de aula, através de uma linguagem diversificada.


4.3 Trabalho futurista

Centros de Processamento de Dados como do Rio de Janeiro (Proderj) desenvolve programas de inclusão digital nas comunidades carentes. Um deles é o Liberdade Digital, que estabelece um ambiente de aprendizagem de informática e de Internet para jovens em conflito com a lei que cumprem medidas sócio-educativas em sistema de internação, semi-liberdade e liberdade assistida nas instituições do Degase - Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas.
Além do laboratório com 10 microcomputadores conectados à Internet, o Proderj montou no instituto, localizado na Ilha do Governador, subúrbio do Rio de Janeiro, as oficinas profissionalizantes de reciclagem de cartuchos para impressoras, montagem e manutenção de microcomputadores, operação de telemarketing, digitalização de imagens e gestão de cooperativas.
O objetivo é incentivar esses jovens a montarem o seu próprio negócio, abrindo perspectivas para o futuro. O gerente de Ações Sócio-educativas do Proderj, Carlos Eduardo Batalha relata:
Os jovens em conflito com a lei têm poucas alternativas. Um projeto que abra caminho para o mercado lícito de trabalho e um espaço na sociedade é algo que funciona. Estes jovens não se adaptaram à escola. Basta conversar um pouco com eles para perceber a resistência que têm em cumprir rituais diários, que parecem não ter sentido algum. E, apesar da baixa escolaridade desses jovens, os instrutores procuram colocar a linguagem do computador de maneira simples e objetiva, tendo como resultado final o entusiasmo dos alunos em concluir os módulos dos cursos.

O projeto Liberdade Digital tomou forma no final de 2001, a partir de uma pesquisa encomendada à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que constatou que 99% dos alunos aprovariam a criação do laboratório. A pesquisa mostrou ainda que 52% dos entrevistados jamais tinham utilizado um computador e que 84,4% nunca haviam acessado a Internet. No Centro Profissionalizante do Degase já funcionavam oficinas de mecânica, padaria, serigrafia, entre outras, voltadas para o aprendizado dos internos.
O espaço já existia, mas coube ao Proderj oferecer a infra-estrutura necessária para a aplicação do curso que conta com a instalação de 10 microcomputadores de última geração, conectados à Internet, com técnicos do Proderj, que formaram a base dos instrutores, preparando o conteúdo programático do curso, com o apoio de especialistas em Educação Aplicada à Informática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EDAI / UERJ). O Proderj montou salas, sendo duas delas em parceria com o Instituto Telemar. As aulas estão distribuídas em turmas que comportam 10 alunos.
Até o final de 2006, o Proderj pretende montar salas nas outras 28 unidades do Degase, instituto que possui 29 unidades e abriga cerca de 3,3 mil internos. Até hoje, o programa Liberdade Digital já treinou mil jovens. São jovens que estão sendo preparados para um futuro com maiores possibilidades de se firmarem como profissionais. É a sociedade do futuro que acompanha as mudanças e avanços tecnológicos abrindo portas e incluindo os menos privilegiados no mundo informatizado.














5 OBSTÁCULOS

Tanto no âmbito escolar como em outros setores, as principais resistências têm como origem o desconhecimento e ou as informações equivocadas a respeito do paradigma da inclusão. Quanto à inclusão escolar, as resistências estão presentes entre as autoridades educacionais de todos os níveis, entre os professores comuns e especiais e entre famílias e alunos com e sem deficiências.
No que se refere à inclusão profissional, as resistências existem dos dois lados das relações de trabalho, as agências de educação profissional, os empregadores em geral, as pessoas deficientes e suas famílias e entre os dirigentes e profissionais especializados na área da deficiência.
Uma das grandes barreiras a serem derrubadas está nos preconceitos em relação ao tema.
Os preconceitos em relação à inclusão poderão ser eliminados ou, pelo menos, reduzidos por meio das ações de sensibilização da sociedade e, em seguida, mediante a convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas, das empresas inclusivas, dos programas de lazer inclusivo.
Resultados já existem que comprovam a eficácia da educação inclusiva em melhorar os seguintes aspectos:
  • Comportamentos na escola, no lar e na comunidade;
  • Resultados educacionais; senso de cidadania;
  • Respeito mútuo;
  • Valorização das diferenças individuais e aceitação das contribuições pequenas e grandes de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem, dentro e fora das escolas inclusivas.

Escolas que procuram desenvolver a educação inclusiva encontram dificuldades inerentes ao processo e a inclusão digital não é diferente. Também tem enfrentado barreiras físicas e profissionais, governamentais e conseqüentemente financeiras. A busca pela inclusão digital é abrangente no aspecto profissional futuro que visa adequação as necessidades modernas preparando com um currículo rico e também dando maior segurança na execução de suas futuras atividades no mercado de trabalho.  

5.1 Sócio-cultural

O coordenador do governo eletrônico da Prefeitura de São Paulo, Silveira observa que enquanto a revolução industrial ampliou a capacidade física e a velocidade humana, provocando uma separação entre as classes, a revolução digital pode criar um fosso. Ele afirma:
A tecnologia da informação amplia a inteligência humana, a capacidade de armazenar, processar e transformar informação em conhecimento. Aos poucos, a brecha digital, como é chamada, vai criando uma diferença cognitiva, uma incapacidade de pensar, ampliando exponencialmente a riqueza dos incluídos. Por isso, não podemos pensar em política social sem olhar esse novo aspecto.

A inclusão digital é vista também como um incentivo à alfabetização e como uma ferramenta na busca da cidadania. Ao perceber as possibilidades abertas pelo mundo digital, o analfabeto descobre a necessidade de aprender a ler e escrever, a comunidade carente percebe formas de lutar por melhores condições de vida, o desempregado cria novas fontes de renda. A experiência de alguns projetos mostra que isso não é utopia.
Mas, para que isso aconteça não basta colocar um computador na frente das pessoas. Segundo Rodrigo Assumpção coordenador da Sampa:
Inclusão digital é dar oportunidade às comunidades de se inserirem na sociedade da informação como agentes. Conhecimento é a chave dos programas que vêm obtendo sucesso. Tem que ter o computador, acesso à Internet, softwares adequados e, principalmente, orientação, não apenas aulas de informática.

È importante limitar os excluídos e qual devem ser o principal público-alvo dessas ações. Além da população de baixa renda, é preciso criar formas de incluir as minorias, como portadores de deficiências e os idosos. Não se vê mais inclusão digital como acesso ao computador e sim como acesso à informação digital, ou seja, à Internet.
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5.2 Financeiros

De acordo com o IBGE, dos 5.507 municípios brasileiros, menos de 350 têm infra-estrutura de acesso local à Internet. Então, para realizar um projeto de inclusão digital nos grotões brasileiros é preciso criar sistemas de comunicação. “Temos que mobilizar a sociedade para exercer uma pressão no poder público e nas empresas visando a ampliação dessa infra-estrutura básica”, afirma Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do Centro de Democratização da Informática (CDI), entidade responsável pela criação e coordenação de 617 escolas de informática em 38 cidades de 19 Estados.
“As doações de computador, muitas vezes tecnologicamente atrasado, enfraquecem a pressão para que a indústria produza um PC adequado ao público de baixa renda, com tecnologia atual e custo de R$ 500”, analisa Ricardo Kobashi, do CDI São Paulo, acrescentando que mais de 50% dos equipamentos angariados em grandes campanhas de doação não têm condições mínimas de uso.
Nesse sentido salienta-se a necessidade de espaço físico, com salas preparadas para receber alunos e equipamentos, com instalações elétricas o que também é uma grande dificuldade para o processo de inclusão digital.
Espaço físico, computadores e profissionais preparados para incentivar e orientar os educandos a utilizarem os recursos oferecidos, são obstáculos que com toda modernidade da tecnologia ainda precisam ser melhorados. 



















6 COMPROMISSOS


Um parceiro importante à inclusão digital é a educação o que é preciso vir associada a conscientização da importância dessa parceria. A inclusão digital deve ser parte do processo de ensino de forma a promover a educação continuada. Note que educação é um processo e a inclusão digital é elemento essencial deste processo.
Embora a ação governamental seja de suma importância, ela deve ter a participação de toda sociedade em face de necessidade premente que se tem de acesso à educação e redistribuição de renda permitindo assim acesso as Tecnologias de Informações e Comunicações.
Ações de inclusão digital devem estimular parcerias entre governos - nas esferas federal, estadual e municipal - empresas privadas, organizações não governamentais (ONGs), escolas e universidades. Governos e empresas privadas devem atuar prioritariamente na melhoria de renda, suporte à educação bem como tornar disponíveis equipamentos à população. Algumas ações que podem ser promovidas pelos governos e empresas privadas incluem:
  • Disponibilizar acesso a terminais de computadores e correio eletrônico a toda a população;
  • Oferecer tarifas reduzidas para uso dos sistemas de telecomunicações;
  • Criar mecanismos de isenção fiscal, sem muita burocracia, para o recebimento de doações de computadores e equipamentos de infra-estrutura.

Essas ações por si não são suficientes. É ainda necessário o desenvolvimento de redes públicas que possibilitem a oferta de meios de produção e difusão de conhecimento. As escolas e universidades constituem também componentes essenciais à inclusão digital uma vez que diversos protagonistas - professores, alunos, especialistas membros da comunidade - atuam em conjunto para o processo de construção de conhecimento.
Destaque-se  que os três pilares do tripé da inclusão digital devem existir em conjunto para que ela ocorra de fato. De nada adianta acesso às tecnologias e renda se não houver acesso à educação. Isto porque o indivíduo deixa de ter um mero papel passivo de consumidor de informações, bens e serviços, e então passa também a atuar como um produtor de conhecimentos, bens e serviços.
É também imperativo que a inclusão digital esteja integrada aos conteúdos curriculares e isto requer um redesenho do projeto pedagógico e grade curricular atuais de ensino fundamental e médio. É pré-requisito considerá-lo também na formação de profissionais dos cursos de Pedagogia, Licenciaturas e similares.
                Há todo um trabalho de formação e conscientização que deve caminhar juntos.


6.1 Carência

A inclusão digital tem por base aspectos que compreende acesso a educação, renda e Tecnologia de Informação e Comunicação. A ausência de qualquer um desses fatores significa deixar quase 90% da população brasileira permanecendo na condição de mera aspirante a inclusão digital.
Dentro deste contexto, considera-se que a inclusão digital é necessária a fim de possibilitar à toda a população, por exemplo, o usufruto dos mais variados serviços prestados via Internet. Hoje em dia, ter acesso a Internet significa acesso a um vasto banco de informações e serviços. Este imenso repositório de conteúdo e serviços merece e deve ser utilizado por toda população brasileira.
É preciso que o governo, como principal protagonista, assuma o papel de coordenador e atue em conjunto com sociedade civil organizada a fim de assegurar o tripé da inclusão digital.
O projeto de inclusão digital precisa ser entendido a partir das vantagens que tem a oferecer e também pela necessidade que tem sido exigida na inclusão social.

   
6.2 Profissional

Outra questão bem sutil, mas não menos determinante está diretamente relacionada à eficiência das iniciativas de inclusão digital: as estratégias de capacitação. Nesse ponto não se pode abordar apenas pessoas não incluídas, mas também daqueles que irão proporcionar um envolvimento mais pleno com o ambiente informacional.
É notório que não somente professores, mas facilitadores também, pessoas que contarão com disposição para compartilhar o desenvolvimento de estratégias de incremento do acesso por parte da dos educandos aplicadas em novos programas, novos recursos de compartilhamento, como os blogs, por exemplo, que não introduzem nenhum componente novo de linguagem, mas tornam as possibilidades de criação de homepages mais acessíveis às pessoas de um modo geral e fazem com que se sintam mais à vontade para se iniciar na rede.
            Capacitadores serão aqueles que, numa dimensão mais ampla, apresentam o ambiente digital e virtual em suas potencialidades de aproveitamento, de modo diretamente relacionado às realidades de cada cultura e de cada grupo, estabelecido de maneira territorial ou minimamente com um componente de identidade que os identifique.


6.3 Social

A questão da inclusão digital já foi analisada pela Organização das Nações Unidas (ONU) que para melhor visualizar a questão estabeleceu um novo indicador para o Desenvolvimento Humano: o Índice de Avanço Tecnológico (IAT), criado para avaliar a produção e disseminação das novas tecnologias e, acima disso, seu aproveitamento pela população.
Foram analisados 72 países onde houve acesso à dados confiáveis. O Brasil ficou em 43º lugar. O índice leva em conta a criação e capacidade de inovação em novas tecnologias, difusão das mais recentes conquistas assim como das tecnologias mais antigas (eletricidade e telefonia, por exemplo) e habilidade intelectual, ou seja, a taxa de escolaridade. O delicado ranqueamento brasileiro, atrás de países como Panamá, Trinidad e Tobago e Romênia, mostra que é preciso investir ainda muito mais tempo e recursos.
Cabe a sociedade lutar por seus direitos, o que só ocorre se tiver consciência de que tem deixado de usufruir o que a própria constituição garante.
Por isso é importante a mobilização de esforços coordenados de empresas, governo e sociedade civil para a criação de condições à expansão da rede no país, fortalecendo a consciência social entre as empresas de telecomunicações e tecnologia, e por que não dizer através da conexão telefônica gratuita para organizações educacionais e da sociedade civil (0800), infra-estrutura adequada, equipamentos mais baratos e locais públicos de acesso à Internet para que seja possível aumentar a inclusão digital. Para um efetivo progresso, é necessário que este assunto também esteja presente na elaboração de uma política de informática equânime e justa.


7 CONCLUSÃO

As novas tecnologias, em particular a Internet, vieram para ficar e já começam a alterar o comportamento da sociedade, como um dia fizeram o telefone, o rádio e a TV. É a era chamada de Sociedade da Informação, tendo em mãos uma infinidade de soluções digitais cada vez mais surpreendentes e poderosas.
No entanto, todos estes avanços ainda não estão disponíveis para toda a população. Custos altos, falta de infra-estrutura, ausência de capacitação e de uma política definida para a inclusão digital.
As novas tecnologias de comunicação e informação devem ser compartilhadas o quanto antes, caso contrário corre-se o risco de criar uma nova categoria social: os excluídos digitais.
A Sociedade da Informação tem que ser para todos, sua democratização deve possibilitar que toda a população tenha acesso às novas tecnologias, utilizando-as em todo o seu potencial, incluindo aí o acesso à rede mundial. O consumidor não precisa mais sair de casa para conferir seu saldo bancário, fazer aplicações, pagar suas contas, comprar bens e serviços. Isso faz do computador uma excelente ferramenta comercial.
O assunto é de relevância mundial, diversos organismos internacionais como o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial vêm trabalhando na busca de soluções e no alerta para os perigos do analfabetismo digital.
O principal documento que ratifica a importância da Inclusão Digital foi publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final do ano passado. Em seu Relatório Anual de Desenvolvimento Humano, a Organização não só priorizou as novas tecnologias como as colocou como facilitadora de avanços sociais.
Trabalhar para melhorar a inclusão digital é colocar em exercício a Democracia dando oportunidade a todos de ampliar seus conhecimentos. É a efetiva democratização da tecnologia para o cidadão.
Hoje, a tecnologia é excludente. A inclusão digital tem que ser distribuída de forma gradual e contínua, sendo mais um passo em direção da inclusão social, funcionando como uma ponte entre o acesso à informação e a possibilidade de conseguir um emprego.
É mais uma ferramenta a favor da educação e da atuação do psicopedagogo, com objetivo de alcançar a interação e o progresso para um povo e a inclusão de toda a sociedade para que todos possam evoluir.
É a efetiva participação do cidadão na sociedade da informação, com todos os benefícios que esta pode lhe garantir não deixando que uma pseudo “inclusão digital” não sirva para agravar ainda mais a exclusão social.
Inclusão digital no ensino secular associada ao trabalho do psicopedagogo é exercer a cidadania. É o profissional mais qualificado para acompanhar este processo de integração e suas transformações escolhendo os corretos caminhos, observando os resultados e evitando os exageros.
As parcerias têm por objetivo aumentar os resultados positivos e juntar a psicopedagogia para orientar a inclusão digital é ter respaldo para solidificação na aprendizagem desejada e aprimorada.





















8 REFERÊNCIAS

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_________________Caminhos pedagógicos da inclusão: como estamos implementando a educação (de qualidade) para todos na escola brasileira. São Paulo: Memnon, 2001.

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VISCA, J. Psicopedagogia e aprendizagem. Coletânea de reflexões. Curitiba: Simaia Psicopedagoga, 2002.
________________Clínica Psicopedagógica. Epistemologia Convergente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.
________________Psicopedagogia: novas contribuições. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

WERNECK, C. Muito prazer, eu existo. 4 ed. Rio de Janeiro: WBE, 1997.
_______________Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

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