INCLUSÃO DIGITAL VALORIZADA PELA PSICOPEDAGOGIA COMO FERRAMENTA FACILITADORA DO ENSINO SECULAR NO SÉCULO XXI
LEITE.J.F.
1 INTRODUÇÃO
Apesar da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em vigor
desde 1996, já preconizar a necessidade da alfabetização digital em todos os
níveis de ensino, do fundamental ao superior, o censo escolar do Ministério da
Educação e Cultura (MEC), realizado em 1999, revelou que apenas 3,5% das
escolas de ensino fundamental tinham, naquele ano, acesso à Internet, e cerca
de 64 mil escolas do país não tinham sequer energia elétrica. Nos últimos quinze
anos, esse quadro está mudando, com iniciativas governamentais além de apoios
privados e do terceiro setor. Mas a exclusão digital nas escolas brasileiras
ainda é grande.
A possibilidade de uso de computadores, apesar de sua
importância para o acesso à informação e para a entrada no mercado de trabalho,
continua restrita. A chamada inclusão digital pode significar um avanço para o
desenvolvimento do Terceiro Mundo.
Abordar o processo educacional em qualquer aspecto, no século
XXI é direcionar-se para estudos científicos como a psicopedagogia, que vem
facilitar os caminhos de mudança, observando as dificuldades e necessidades das
partes envolvidas como escola, professor, aluno e concomitantemente família e
sociedade.
Só será possível derrubar as barreiras que limitam as classes
menos favorecidas quando houver consciência de que há essa diferença de classes
juntando à conscientização da busca por diminuí-las. Na seqüência desse processo mais alunos terão
acesso à informatização, que é uma realidade necessária e um dos fatores que
irão alargar o horizonte para um futuro promissor e seguro profissionalmente.
Entender a inclusão digital com suas vantagens e também com
suas dificuldades e levar o psicopedagogo a participar desse processo vem somar
para resultados positivos nessa caminhada. É preciso entender e conhecer a
inclusão digital como mais um recurso didático para saber usá-lo e lutar pelo
seu uso no ensino secular público no século marcado pela modernidade digital e
interativa.
2 INCLUSÃO
A
palavra mestra é inclusão. Inclusão está na moda. Por todos os lados ouve-se
falar em educação inclusiva, uma sociedade mais inclusiva, igrejas inclusivas,
em atitudes inclusivas. Mas pensar e “fazer”
inclusão, não é nada fácil. Na verdade, inclusão é algo complexo.
Inclusão
é processo. Ninguém nasce sabendo ser inclusivo ou exclusivo. Inclusão faz
parte do processo de educação, desde os primeiros anos, com os pais ou
educadores, colegas, dentro de uma determinada cultura e valores (MANTOAN,
1998).
2.1 Análise do conceito
A
década de 60 foi um período de grande criação de instituições especializadas. A
partir do final daquela década, iniciou-se o movimento de inserção das pessoas
portadoras de deficiência nos sistemas sociais gerais. Segundo Mantoan (1998),
os termos integração e inclusão são vocábulos que expressam situações
diferentes de inserção, que, por detrás, se posicionam em execuções diferentes.
Prossegue, ainda, enfatizando que integração tem sido compreendida de diversas
maneiras, surgindo em função dos questionamentos quanto “as práticas sociais e escolares de segregação, assim como as atitudes
sociais em relação às pessoas com deficiência intelectual” (MANTOAN, 1998).
Sobre
esta questão, Werneck (1997) explica que: “a
integração e a inclusão são dois sistemas organizacionais de ensino que têm
origem no princípio de normalização”(1997, p.51). Continua explicando que
normalizar não é tornar o indivíduo normal, mas é atender às suas necessidades
e reconhecer o seu direito de ser diferente.
Entre
estes dois sistemas de organização de ensino existem semelhanças e diferenças.
A semelhança é que ambos promovem a inserção da pessoa com necessidades
educativas especiais. A diferença é que a integração é a inserção parcial.
Questiona-se que nesta forma de inserção não ocorre a reestruturação da escola.
A inclusão é a inserção total e incondicional, também chamada de sistema
caleidoscópio, termo criado por educadores canadenses como Forest et
Lusthaus em 1997 segundo Mantoan (1998). Este sistema de organização de ensino
exige uma transformação da escola, uma ruptura do sistema educacional (MANTOAN,
1998).
Na
integração, a inserção depende da capacidade do aluno em adaptar-se à escola,
enquanto, na inclusão, a inserção focaliza as particularidades de cada aluno. Segundo
Mantoan:
A integração traz consigo a idéia de que a pessoa com deficiência deve
modificar-se segundo os padrões vigentes na sociedade, para que possa fazer
parte dela de maneira produtiva e, conseqüentemente ser aceita. Já a inclusão
traz o conceito de que é preciso haver modificações na sociedade para que esta
seja capaz de receber todos os segmentos que dela foram excluídos, entrando
assim em um processo de constante dinamismo político social (MANTOAN, 1998).
A
inclusão é uma opção que não é incompatível com a integração, mas é um
movimento que vem questionar políticas, organização das estruturas escolares
regulares e especiais, sendo a meta principal não deixar ninguém no exterior da
escola regular. A inclusão tem um caráter de reunir alunos com e sem
dificuldades, funcionários, professores, pais, diretores, enfim todas as
pessoas envolvidas com a educação. Segundo Mantoan sua metáfora é o
caleidoscópio:
O caleidoscópio precisa de todos os pedaços que o compõem. Quando se
retira pedaços dele, o desenho se torna menos complexo, menos rico. As crianças
se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado
(MANTOAN, 1998).
2.2 Espaço para atuar
A inclusão envolve todos os processos que abrangem
resgatar o ser humano excluído, reintegrando-o ao convívio perfeito. As
dificuldades envolvem desde o mais conhecido e abordado que é a inclusão de
portadores de deficiência, a quebra de preconceitos que levantam barreiras como
vícios e desvios de comportamento, não esquecendo as dificuldades familiares,
profissionais, emocionais e econômicas (SASSAKI, 2003).
Trabalhar para inserir o
ser humano em qualquer grupo da sociedade é se ocupar com a inclusão produtiva.
Envolve se preocupar com a auto-estima, com as limitações de cada um e com os
resultados que podem estar sendo apresentados (SASSAKI, 2003).
Inclusão abrange muito
mais do que só deficiência física, como é muito divulgado por instituições
governamentais e organizações não-governamentais (ONGs). É pensar no ser como
um todo visando resultados positivos em curto prazo e permanentes, que irão
gerar os resultados positivos em longo prazo, que irão permanecer para novas
gerações (SASSAKI, 2003).
2.3
Apoio governamental
Há grande movimentação no trabalho de divulgação dos
incentivos governamentais para a área de educação. Não se pode negar que nunca
a mídia foi tão utilizada para propagar os feitos para melhorar a educação do nível
fundamental ao universitário (SAVIANI, 1997).
Bolsas são oferecidas, bem como auxílio financeiro,
alimentação, transporte, material didático em melhores condições para
aquisição. Professores têm sido estimulados a buscarem aperfeiçoamento em
cursos de atualização ou “reciclagem”,
como são chamados (MANTOAN, 2001).
Segundo Mantoan (2001), no processo
de inclusão escolar há um enorme trabalho de incentivo e também de alardear o
apoio dado pelos governantes. Pensando em inclusão escolar para deficientes
muito tem se feito, como:
·
Adaptação do ambiente físico com instalação de
rampas, banheiros especiais, etc;
·
Preparação de profissionais para lidar com estas
deficiências;
·
Livros adaptados, como em braile para os cegos;
·
Abertura para discussão com os não-deficientes
para participação no processo.
Inúmeras empresas têm também participado desse processo
justamente pelo incentivo do governo, dando a oportunidade para abater em
impostos ou declaração no imposto de renda. Entre estas empresas investidoras
destacam-se a Fundação Bradesco e a Embraer e especificamente em Uberlândia a
Coca-Cola tem participação efetiva.
Para que a inclusão digital seja economicamente
sustentável e vinculada ao processo de autonomia tecnológica nacional, deverá
utilizar plataformas abertas e não-proprietárias. “O simples fato de desenvolver programas livres é um elemento de
afirmação de nossa cidadania, de inteligência coletiva e de redução da
dependência tecnológica ao Primeiro Mundo” (SILVEIRA, 2001).
Para Silveira (2001) uma decisão governamental de
salutar importância seria o uso de programas livres, que reside em quatro
liberdades que seus usuários devem exercer:
- Liberdade de executar o programa para qualquer propósito;
- Liberdade para estudar o programa e adaptá-lo às suas necessidades, ou seja, de ter acesso ao seu código-fonte;
- Liberdade de redistribuir suas cópias originais ou alteradas;
- Liberdade para aperfeiçoar o programa e liberá-lo para benefício da comunidade.
No estado de São Paulo o governo vem desenvolvendo desde 2001 um “Plano de Inclusão Digital e Alfabetização
Tecnológica” que tende a aprofundar a visão da educação entendida como
prática social transformadora da sociedade. A reflexão crítica da sociedade e
da mundialização será utilizada para fomentar práticas criativas de recusa de
todos os sentidos da exclusão social, inclusive de sua feição tecnológica e
concentradora de conhecimento em círculos fechados do Primeiro Mundo. Por isso,
o uso do software livre é uma decisão política-educacional (SAMPAIO, 2005).
Há
também o programa ‘Um Laptop por Aluno’
para o qual foi veiculado para São Paulo, estimativas de investimentos de R$
150 milhões do orçamento do governo federal para o ano de 2002, caso os estudos
apontem para a viabilidade do projeto (SAMPAIO, 2005).
O
então Ministro das Comunicações, Sr. Hélio Costa, disse em entrevista a jornais
de São Paulo em 2004, que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva “está disposto a bancar o custo do estudo
até o fim do ano”, estimado em R$ 600 mil. A coordenação desse programa e
de outros projetos de inclusão digital, segundo Costa, passou a ser do
Ministério das Comunicações. A decisão foi tomada em reunião realizada em
Brasília no ano de 2004 entre o Ministro, o Presidente e a Ministra da Casa
Civil (SAMPAIO, 2005).
O
programa “Um Laptop por Aluno” foi
idealizado pelo “Media Lab” do
Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), com o nome original de “Laptop de US$ 100”. O diretor do Media
Lab, Nicholas Negroponte, apresentou o projeto ao Presidente Lula no fim de
junho de 2004, e a idéia inicial era distribuir 1 milhão de computadores
portáteis a alunos de escolas públicas. Costa afirmou que é necessário saber
quem irá produzir esses computadores, pois podem ser feitos no Brasil ou
importados (SAMPAIO, 2005).
Os
estudos realizados com produtoras brasileiras de janeiro a março de 2004, apontam,
segundo o Ministro, para a necessidade de se produzirem pelo menos 2 milhões de
aparelhos, porque somente com economia de escala é possível fazer esses
computadores a um custo de US$ 100 (SAMPAIO, 2005).
A pretensão do governo é botar um computador na mão de cada aluno. O
governo compraria, mas não 2 milhões de uma vez. Nós temos que encontrar
financiamento para isso, encontrar gente que queira usar como a gente a mesma
coisa (SAMPAIO, 2005)
Esta
afirmação foi dada pelo Ministro Costa, levantando a possibilidade de o
excedente ser exportado ou vendido para outro comprador além do governo
federal. O Ministro Costa afirmou ainda que “Se o estudo provar que nós temos condições de fazer, ou de alguém fazer
para o governo um computador de US$ 100, o governo teria um programa” (SAMPAIO,
2005).
O processo de inclusão digital envolve mudanças, gastos que
precisam ser compreendidos pelo governo e empresas privadas incentivando-os a
participar com contribuições para que o processo possa crescer acelerado e
aprimorado (SAMPAIO, 2005).
2.4 Envolvimento pedagógico
De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC),
apesar de o número de computadores instalados nas escolas até 2002 ter ficado
abaixo das metas estabelecidas pelo governo, a capacitação de professores
superou as expectativas. Essa também tem sido uma preocupação nas iniciativas
de estados e municípios.
Em Recife, por exemplo, existe um programa municipal de
formação continuada de professores para trabalhar nas 70 escolas que possuem
laboratórios de informática. A Secretaria de Educação da capital pernambucana também
fez uma parceria com uma associação francesa para inclusão digital de crianças
em idade de alfabetização, através de correspondência com estudantes de outros
países.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de
Minas Gerais, que lançou um Projeto de Inclusão Digital no estado, estabeleceu
parcerias com a empresa de Infovias, provedor de acesso à Internet do governo
estadual, e com representantes da iniciativa privada, como a First
International Computer (FIC) do Brasil, com o objetivo de atender cinco mil
escolas em 150 cidades mineiras, sem custo algum para o governo (SAMPAIO,
2005).
Preparar profissionais para atuarem nesse processo
educacional e social, se faz de suma importância para que se possa colher
frutos num futuro bem próximo. A participação efetiva dos professores só será
alcançada se eles forem motivados por um interesse genuíno e pelo
reconhecimento da importância do projeto, e isso requer trabalho.
3
PSICOPEDAGOGIA
A Psicopedagogia é uma área de estudo e atuação relativamente
recente, tendo chegado ao Brasil na década de 70, embora o seu objeto de estudo
seja tema de discussões e reflexões há séculos. A Psicopedagogia procura
trabalhar com crianças que apresentam dificuldades escolares, analisar as
situações que levam o aprendiz a essas dificuldades, bem como discutir os
próprios processos de aprendizagem (VISCA, 2002).
É uma área de múltiplas faces, pois está diretamente ligada
ao sujeito que aprende, à instituição que ensina e ao contexto familiar. Para
Visca, é a partir desta visão que se torna necessária uma perspectiva mais
ampla das inter-relações do meio escolar e familiar e uma ampliação da
compreensão sobre características de desenvolvimento:
·
Necessidades e dificuldades de aprendizagem;
·
Processos cognitivos, neurológicos, psicológicos, afetivos,
psicomotores, sociais e culturais.
O
objetivo do psicopedagogo é o de conduzir a criança ou adolescente, o adulto ou
a Instituição a reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade normal e saudável,
de acordo com as possibilidades e interesses de cada um dos envolvidos no
trabalho do profissional (VISCA, 1991).
3.1
Evolução
Os primeiros estudos e Centros
Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por J Boutonier e George
Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes Centros uniam conhecimentos da
área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças
com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender
crianças com dificuldades de aprendizagem, apesar de serem inteligentes. Bossa
salienta:
Na literatura francesa – que, como vimos, influencia
as idéias sobre psicopedagogia na Argentina (a qual, por sua vez, influencia a
práxis brasileira) – encontra-se, entre outros, os trabalhos de Janine Mery, a
psicopedagoga francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo
psicopedagogia e sobre a origem dessas idéias na Europa, e os trabalhos de
George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França,...,
onde se percebeu as primeiras tentativas de articulação entre Medicina,
Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução dos problemas de comportamento
e de aprendizagem (BOSSA, 2000).
Médicos e pedagogos esperavam
que, através da união da Psicologia-Psicanálise-Pedagogia, se poderia conhecer
a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender o caso para
determinar uma ação reeducadora (BOSSA, 2000).
Diferenciar os que não aprendiam
apesar de serem inteligentes, daqueles que apresentavam alguma deficiência
mental, física ou sensorial, era uma das preocupações na Europa em 1952 (BOSSA,
2000).
Foi na década de 70 que surgiram, em Buenos
Aires, os Centros de Saúde Mental, onde equipes de psicopedagogos já atuavam havia
aproximadamente 15 anos, fazendo diagnóstico e tratamento. Estes psicopedagogos
perceberam, um ano após o acompanhamento, que os pacientes resolveram seus
problemas de aprendizagem, mas desenvolveram distúrbios de personalidade como
deslocamento de sintoma. Resolveram então incluir o olhar e a escuta clínica
psicanalítica no acompanhamento, perfil atual do psicopedagogo argentino
(BOSSA, 2000).
Na Argentina, a Psicopedagogia
tem um caráter diferenciado da Psicopedagogia no Brasil. Lá são aplicados
testes de uso corrente, uma vez que é exercida por profissionais da área
clínica, “alguns dos quais não sendo
permitidos aos psicopedagogos brasileiros...”, por serem considerados de
uso exclusivo dos psicólogos (BOSSA, 2000, p. 42):
... os instrumentos empregados são mais
variados, recorrendo o psicopedagogo argentino, em geral, a provas de inteligência,
provas de nível de pensamento; avaliação do nível pedagógico; avaliação
perceptomotora; testes projetivos; testes psicomotores; hora do jogo psicopedagógico.
Faz-se necessário esclarecer que
naquela época os psicólogos é que atuavam como clínicos na área psicopedagógica
na Argentina, enquanto no Brasil não são profissionais da área clínica, mas
pedagogos atuando na educação (VISCA, 2002).
A Psicopedagogia chegou ao
Brasil, na década de 70, cujas dificuldades de aprendizagem nesta época eram
associadas a uma disfunção neurológica denominada de disfunção cerebral mínima
(DCM) que virou moda neste período, servindo para camuflar problemas
sociopedagógicos (BOSSA, 2000).
A partir do século XIX, os
problemas de aprendizagem foram estudados e tratados por médicos na Europa e no
Brasil, ainda hoje, a maioria das vezes a primeira atitude dos familiares é
levar seus filhos a uma consulta médica (BOSSA, 2000).
Na
prática do psicopedagogo, ainda hoje é comum receber no consultório crianças
que já foram examinadas por um médico, por indicação da escola ou mesmo por
iniciativa da família, devido aos problemas que está apresentando na escola
(BOSSA, 2000).
A Psicopedagogia foi introduzida
aqui no Brasil baseada nos modelos médicos de atuação e foi dentro desta concepção
de problemas de aprendizagem que se iniciaram, a partir de 1970, cursos de
formação de especialistas em Psicopedagogia na Clínica Médico-Pedagógica de
Porto Alegre, com a duração de dois anos (BOSSA, 2000).
Com a visão de uma formação
independente, porém complementar, das áreas de Medicina e Psicologia, o Brasil
recebeu contribuições, para o desenvolvimento da área psicopedagógica, de
profissionais argentinos (VISCA, 2002).
Para a Associação Brasileira de
Psicopedagogia (ABPp), existente no Brasil há 13 anos, o professor argentino
Jorge Visca foi um dos maiores contribuintes da difusão psicopedagógica no
Brasil. Foi o criador da Epistemologia Convergente, linha teórica que propõe um
trabalho com a aprendizagem utilizando-se da integração de três linhas da Psicologia:
·
Escola de Genebra - Psicogenética de Piaget já
que ninguém pode aprender além do que sua estrutura cognitiva permite;
·
Escola Psicanalítica – Freud, já que dois
sujeitos com igual nível cognitivo e distintos investimentos afetivos em relação
a um objeto aprenderão de forma diferente;
·
Escola de Psicologia Social de Enrique Pichon
Rivière – pois se ocorresse uma paridade do cognitivo e afetivo em dois
sujeitos de distinta cultura, também suas aprendizagens em relação a um mesmo
objeto seriam diferentes, devido as influências que sofreram por seus meios
sócio-culturais.
Visca propõe
o trabalho com a aprendizagem utilizando-se de uma confluência dos achados
teóricos da escola de Genebra, em que o principal objeto de estudo são os
níveis de inteligência, com as teorizações da psicanálise sobre as
manifestações emocionais que representam seu interesse predominante. A esta
confluência, junta, também, as proposições da psicologia social de Pichon
Rivière, mormente porque a aprendizagem escolar, além do lidar com o cognitivo
e com o emocional, lida também com relações interpessoais vivenciadas em grupos
sociais específicos (BOSSA, 2000).
Para Visca a análise do sujeito
através de correntes distintas do pensamento psicológico concebeu uma proposta de
diagnóstico, dando origem ao método clínico psicopedagógico.
...quando
se fala de psicopedagogia clínica, se está fazendo referência a um método com o
qual se tenta conduzir à aprendizagem e não a uma corrente teórica ou escola.
Em concordância com o método clínico podem-se utilizar diferentes enfoques
teóricos. O que eu preconizo é o da epistemologia convergente (VISCA, 2002).
3.2 Participação na educação
A
Psicopedagogia vem atuando com muito sucesso em diversas Instituições, sejam
escolas, hospitais ou empresas. Seu papel é analisar e assinalar os fatores que
favorecem, intervém ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição.
Propõe e ajuda o desenvolvimento dos projetos favoráveis a mudanças, também
psicoprofilaticamente (WERNECK, 1997).
A
aprendizagem deve ser olhada como a atividade de indivíduos ou grupos humanos,
que mediante a incorporação de informações e o desenvolvimento de experiências,
promovem modificações estáveis na personalidade e na dinâmica grupal, as quais
revertem no manejo instrumental da realidade (WERNECK, 1997).
Na
Argentina e na França, considerados Pólos Culturais, este trabalho já vem sendo
desenvolvido há 30 anos, tendo o psicopedagogo papel indispensável nas equipes
multidisciplinares destas instituições. Ana Maria Muniz, Alícia Fernàndez e
Sara Pain são grandes exemplos do quanto a Psicopedagogia Institucional vem
colaborando dentro destas instituições (SAVIANI, 1997).
Segundo
Pichon, um dos que se preocupou com a questão “GRUPO”, é possível verificar a
importância de se trabalhar nestas instituições:
A aprendizagem é uma apropriação instrumental da realidade para
transformar-se e transformá-la. Essa apropriação possibilita uma intervenção
que gera mudanças em si, e no contexto que se dá. Caracteriza-se também, por ser
uma adaptação ativa, constante na realidade. Implica, portanto, em
estruturação, desestruturação e reestruturação. Isso gera tensão a qual
necessita não apenas ser descarregada, mas revitalizada, renovada, enriquecida
(PICHON-RIVIÈRE, 1986).
Ainda
segundo Pichon, partindo da Teoria do Vínculo de Pichon-Rivière, a investigação
deveria se dar em três dimensões: individual, grupal e institucional ou da
sociedade, que permite três tipos de análise (PICHON-RIVIÈRE, 1986):
- Psicossocial - que parte do indivíduo para fora;
- Sociodinâmica - que analisa o grupo como estrutura;
- Institucional - que toma todo um grupo, toda uma instituição ou todo um país como objeto de investigação.
No Brasil, a Psicopedagogia tem hoje uma identidade mais
clara, tanto pelo envolvimento de profissionais de forma atuante como pela
contribuição que os cursos oferecidos na área. Os profissionais especializados estão
ampliando a sua atuação, com competência e responsabilidade, o que constatado
por aqueles que supervisionam o trabalho. Instituições que oferecem o curso,
tem se primado pela competência e seriedade, além de contribuir para a
definição da identidade, colaborando para a institucionalização da
Psicopedagogia (MANTOAN, 1997).
Em Uberlândia muitos cursos têm sido oferecidos pela Universidade Federal
e também por instituições privadas, como profissionalização e especialização,
mas a atuação de forma efetiva ainda é pequena. Na área empresarial, empresas
como o Grupo Algar e Cargill, já tem como funcionário efetivo e atuante um psicopedagogo
(CUNHA, 2005).
No ensino secular público em Uberlândia, a atuação do psicopedagogo
ainda é nova. Raríssimas são as escolas que tem em seu quadro de funcionários
um profissional da área. Sua participação tem sido observada no processo de
inclusão de alunos com qualquer tipo de deficiência assim como no estímulo ao
trabalho em grupo e socialização. O que se observa é que o próprio profissional
tem dificuldade para encontrar o seu espaço frente a inúmeras resistências e ao
mesmo tempo grandes necessidades (CUNHA, 2005).
Há um vasto campo para ser cultivado e muito ainda precisa ser investido
para que os frutos realmente sejam valorosos.
4 INCLUSÃO DIGITAL
Incluir, da perspectiva tecnológica, envolve
apreender o discurso da tecnologia, não só os comandos de programas específicos
para a execução de certos fins, não com o objetivo de qualificar melhor as
pessoas para o mundo do trabalho, mas sim a capacidade de influir na decisão
sobre a importância e as finalidades da tecnologia digital, o que em si é uma
postura que está diretamente relacionada a uma perspectiva de
inclusão/alfabetização digital, de política pública e de construção de
cidadania, o que não deve ser direcionado só para quem consome e assimila um
conhecimento já estruturado e direcionado para específicos fins (SAMPAIO, 1992).
É preciso, portanto, um conceito de inclusão digital
mais amplo, que proporcione uma dimensão social e política para o papel que a
tecnologia representa para a sociedade, que segundo Sampaio (1992) visa “fomentar o exercício da cidadania, para dar
voz às comunidades e setores que normalmente não têm acesso à grande mídia”.
Inclusão digital é, antes de qualquer coisa, a busca por melhores
condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da
tecnologia. Do inglês a expressão significa “divisória digital” que vem do
termo “digital divide”. Existem expressões parecidas hoje, como informação democratizada,
tecnologia universal e formas parecidas que são politicamente corretas
(SILVEIRA, 2001).
De forma coerente e concreta, inclusão digital não é só “alfabetizar” indivíduos
em informática, mas pelo manuseio dos computadores melhorar uma sociedade. È ensinar
o bê–á–bá da informática, dando um direcionamento de como se pode ganhar
dinheiro e alcançar melhores condições de vida com ajuda do computador
(SILVEIRA, 2001).
Para Sampaio (1992), a interpretação errada é comum, porque:
(...) muita gente acha que incluir digitalmente é
colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná–las a usar Windows e
pacotes de escritório. A analogia errônea tende a irritar os especialistas e
ajuda a propagar cenários surreais da chamada inclusão digital, como é o caso
de comunidades ou escolas que recebem computadores novinhos em folha, mas que
nunca são utilizados porque não há telefone para conectar à internet ou porque
faltam professores qualificados para repassar o conhecimento necessário
(SAMPAIO,1992).
A partir da década de 90, estudiosos e especialistas em tecnologia da
informação começaram a uma série de debates sobre o preocupante quadro que não
tem mudado: os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo os mais
pobres, estão perdendo atrasados na área da informação. Sem computadores,
laboratórios, internet rápida e telecomunicações, esses países estão deixando para
trás uma gama variada de opções para estimular a economia e melhorar os índices
sociais (SILVEIRA, 2001).
Portanto, não basta dar um computador as pessoas ou tornar a sua
aquisição mais fácil: isto não é inclusão digital. Faz-se preciso ensinar como utilizá-lo
de forma a ter como resultado benefício próprio e social. No Brasil a inclusão social
partindo da digital é um campo pouco trabalhado (SILVEIRA, 2001).
Sampaio (1992) ainda salienta que “(...)
nestes últimos anos, tivemos muitas conquistas e desafios. Agora é o momento
para refletirmos sobre eles e prestarmos conta para a sociedade sobre as ações
que realizamos” (SAMPAIO, 1992).
Problemas como infra-estrutura são destaques entre os obstáculos para a
inclusão digital no ensino secular público no Brasil. Há regiões como
Pernambuco onde as escolas são deficientes como toda a cidade e Silveira (2001)
cita exemplo bem claro como (...) acontece
de chegamos em uma comunidade de baixa renda e não termos como levar internet
até lá, porque não há fiação telefônica ou instalação elétrica adequada” (SILVEIRA,
2001).
Outro ponto negativo citado por ele é a baixa escolaridade dos
instrutores, que via de regra são indivíduos da própria comunidade. E aí entra
o papel da inclusão digital como indutor à inclusão social. Chico Science disse
que computadores fazem arte e especialistas acrescentam que também fazem
cidadania (SILVEIRA, 2001).
4.1 Informatização para educar
As tentativas de uso do computador na educação escolar vão
desde a simples digitação de uma redação manuscrita, ao uso de softwares
prontos, como também e felizmente, através de projetos educacionais com um
enfoque interdisciplinar. Este último é resultado de um trabalho integrado,
processado pelos alunos e mediado pelo educador.
A proposta para o uso do computador situa-se no contexto das
mudanças e evoluções ocorridas na sociedade. A escola tem a possibilidade de
incorporar as transformações, intervindo para sistematizar a integração de
todas as mídias disponíveis como recursos pedagógicos e usando o que cada uma
tem de melhor.
Utilizar esses recursos para algo que potencialmente é a
possibilidade de uma efetiva comunicação com criatividade, tomando o devido
cuidado para não se limitar a reproduzir exatamente as mesmas práticas antigas
por meios tecnológicos, de forma instrucionista.
O mundo tem crescido aceleradamente na área tecnológica. A
Internet tem aproximado pessoas, acelerado a transmissão de notícias e pode ser
também usada para adquirir conhecimentos formando profissionais mais completos.
Ao se apropriar de tais conceitos e práticas tecnológicas, a escola pode
facilitar o uso coletivo dos computadores integrado com o seu projeto
político-pedagógico.
A interligação de computadores em rede permite que os
recursos disponíveis possam ser compartilhados e que - o que é mais importante
no caso da educação - figuras, textos, sons e apresentações elaboradas pelos
alunos também possam ser compartilhadas. Tal ligação permite a criação de
textos coletivos, o incremento da idéia de solidariedade e da noção da
informação como algo que deve estar disponível para todos, a fim de que o
trabalho seja realmente de boa qualidade.
Nesse contexto o computador vem ganhando espaço e importância
decorrente do próprio processo de modernização e globalização, facilitando a
viabilidade das mais diversas tarefas, complexas ou não, e saber utilizá-lo é
salutar e vem se tornando primordial.
4.2 Auxílio para educador
O
computador facilita uma aprendizagem mais autônoma, no momento em que o professor
ensina a processar a informação de maneira crítica e reflexiva, a trabalhar em
grupos e a efetivar trocas.
O
computador serve para despertar a atenção dos alunos. Os alunos processam
melhor o conhecimento quando aprendem ativamente como em trabalhos de campo,
experimentos ou interagindo com o computador.
O
valor do investimento aplicado pelas escolas não está no computador, mas na
preparação dos profissionais da educação para melhor lidarem com essa
tecnologia. É necessário que os educadores estejam capacitados e conscientes do
seu papel, para que esse novo instrumento não se transforme apenas em um
acúmulo quantitativo de informação, tornando-se um objeto a mais de instrução.
A
eficácia do uso do computador na escola depende de uma idéia integradora que
promova a aprendizagem significativa e a motivação, privilegiando a totalidade
do estudo do objeto na tentativa de reduzir a fragmentação do saber.
Crianças
que têm acesso a recursos que facilitam a aprendizagem, que são estimuladas a
encontrarem soluções e a produzirem ou incrementarem seus conhecimentos
acumulados, não têm fronteiras nem limitações em relação ao conhecimento.
O
computador pode ser um poderoso recurso na área de informática educacional, mas
para isso tem que ser usado com inteligência e eficácia, para tanto é preciso
que o educador desenvolva projetos que sejam coerentes com a proposta
pedagógica da escola, que promovam a integração dos alunos, ajudem a
desenvolver a cooperação entre eles, enriqueçam seus universos e que
complementem os trabalhos desenvolvidos em sala de aula, através de uma
linguagem diversificada.
4.3 Trabalho futurista
Centros de
Processamento de Dados como do Rio de Janeiro (Proderj) desenvolve programas de
inclusão digital nas comunidades carentes. Um deles é o Liberdade Digital, que
estabelece um ambiente de aprendizagem de informática e de Internet para jovens
em conflito com a lei que cumprem medidas sócio-educativas em sistema de
internação, semi-liberdade e liberdade assistida nas instituições do Degase - Departamento
Geral de Ações Sócio-Educativas.
Além do laboratório
com 10 microcomputadores conectados à Internet, o Proderj montou no instituto,
localizado na Ilha do Governador, subúrbio do Rio de Janeiro, as oficinas
profissionalizantes de reciclagem de cartuchos para impressoras, montagem e
manutenção de microcomputadores, operação de telemarketing, digitalização de
imagens e gestão de cooperativas.
O objetivo é
incentivar esses jovens a montarem o seu próprio negócio, abrindo perspectivas
para o futuro. O gerente de Ações Sócio-educativas do Proderj, Carlos Eduardo
Batalha relata:
Os jovens em conflito com a lei têm poucas
alternativas. Um projeto que abra caminho para o mercado lícito de trabalho e
um espaço na sociedade é algo que funciona. Estes jovens não se adaptaram à
escola. Basta conversar um pouco com eles para perceber a resistência que têm
em cumprir rituais diários, que parecem não ter sentido algum. E, apesar da
baixa escolaridade desses jovens, os instrutores procuram colocar a linguagem do
computador de maneira simples e objetiva, tendo como resultado final o
entusiasmo dos alunos em concluir os módulos dos cursos.
O projeto Liberdade
Digital tomou forma no final de 2001, a partir de uma pesquisa encomendada à
Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
(Faperj) que constatou que 99% dos alunos aprovariam a criação do laboratório.
A pesquisa mostrou ainda que 52% dos entrevistados jamais tinham utilizado um
computador e que 84,4% nunca haviam acessado a Internet. No Centro
Profissionalizante do Degase já funcionavam oficinas de mecânica, padaria,
serigrafia, entre outras, voltadas para o aprendizado dos internos.
O espaço já existia,
mas coube ao Proderj oferecer a infra-estrutura necessária para a aplicação do
curso que conta com a instalação de 10 microcomputadores de última geração,
conectados à Internet, com técnicos do Proderj, que formaram a base dos
instrutores, preparando o conteúdo programático do curso, com o apoio de
especialistas em Educação Aplicada à Informática da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (EDAI / UERJ). O Proderj montou salas, sendo duas delas em
parceria com o Instituto Telemar. As aulas estão distribuídas em turmas que
comportam 10 alunos.
Até o final de 2006,
o Proderj pretende montar salas nas outras 28 unidades do Degase, instituto que
possui 29 unidades e abriga cerca de 3,3 mil internos. Até hoje, o programa
Liberdade Digital já treinou mil jovens. São jovens que estão sendo preparados
para um futuro com maiores possibilidades de se firmarem como profissionais. É
a sociedade do futuro que acompanha as mudanças e avanços tecnológicos abrindo
portas e incluindo os menos privilegiados no mundo informatizado.
5 OBSTÁCULOS
Tanto
no âmbito escolar como em outros setores, as principais resistências têm como
origem o desconhecimento e ou as informações equivocadas a respeito do
paradigma da inclusão. Quanto à inclusão escolar, as resistências estão
presentes entre as autoridades educacionais de todos os níveis, entre os
professores comuns e especiais e entre famílias e alunos com e sem
deficiências.
No
que se refere à inclusão profissional, as resistências existem dos dois lados
das relações de trabalho, as agências de educação profissional, os empregadores
em geral, as pessoas deficientes e suas famílias e entre os dirigentes e
profissionais especializados na área da deficiência.
Uma das grandes barreiras a serem derrubadas está
nos preconceitos em relação ao tema.
Os
preconceitos em relação à inclusão poderão ser eliminados ou, pelo menos,
reduzidos por meio das ações de sensibilização da sociedade e, em seguida,
mediante a convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas, das
empresas inclusivas, dos programas de lazer inclusivo.
Resultados
já existem que comprovam a eficácia da educação inclusiva em melhorar os
seguintes aspectos:
- Comportamentos na escola, no lar e na comunidade;
- Resultados educacionais; senso de cidadania;
- Respeito mútuo;
- Valorização das diferenças individuais e aceitação das contribuições pequenas e grandes de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem, dentro e fora das escolas inclusivas.
Escolas
que procuram desenvolver a educação inclusiva encontram dificuldades inerentes
ao processo e a inclusão digital não é diferente. Também tem enfrentado
barreiras físicas e profissionais, governamentais e conseqüentemente
financeiras. A busca pela inclusão digital é abrangente no aspecto profissional
futuro que visa adequação as necessidades modernas preparando com um currículo
rico e também dando maior segurança na execução de suas futuras atividades no
mercado de trabalho.
5.1 Sócio-cultural
O
coordenador do governo eletrônico da Prefeitura de São Paulo, Silveira observa
que enquanto a revolução industrial ampliou a capacidade física e a velocidade
humana, provocando uma separação entre as classes, a revolução digital pode
criar um fosso. Ele afirma:
A tecnologia da informação amplia a inteligência humana, a capacidade de
armazenar, processar e transformar informação em conhecimento. Aos
poucos, a brecha digital, como é chamada, vai criando uma diferença cognitiva,
uma incapacidade de pensar, ampliando exponencialmente a riqueza dos incluídos.
Por isso, não podemos pensar em política social sem olhar esse novo aspecto.
A
inclusão digital é vista também como um incentivo à alfabetização e como uma
ferramenta na busca da cidadania. Ao perceber as possibilidades abertas pelo
mundo digital, o analfabeto descobre a necessidade de aprender a ler e
escrever, a comunidade carente percebe formas de lutar por melhores condições
de vida, o desempregado cria novas fontes de renda. A experiência de alguns
projetos mostra que isso não é utopia.
Mas,
para que isso aconteça não basta colocar um computador na frente das pessoas. Segundo
Rodrigo Assumpção coordenador da Sampa:
Inclusão digital é dar oportunidade às comunidades de se inserirem na
sociedade da informação como agentes. Conhecimento é a chave dos programas que
vêm obtendo sucesso. Tem que ter o computador, acesso à Internet, softwares
adequados e, principalmente, orientação, não apenas aulas de informática.
È
importante limitar os excluídos e qual devem ser o principal público-alvo
dessas ações. Além da população de baixa renda, é preciso criar formas de
incluir as minorias, como portadores de deficiências e os idosos. Não se vê
mais inclusão digital como acesso ao computador e sim como acesso à informação
digital, ou seja, à Internet.
.
5.2 Financeiros
De acordo com o IBGE, dos 5.507 municípios brasileiros, menos de 350 têm
infra-estrutura de acesso local à Internet. Então, para realizar um projeto de
inclusão digital nos grotões brasileiros é preciso criar sistemas de
comunicação. “Temos que mobilizar a
sociedade para exercer uma pressão no poder público e nas empresas visando a
ampliação dessa infra-estrutura básica”, afirma Rodrigo Baggio, fundador e
diretor-executivo do Centro de Democratização da Informática (CDI), entidade
responsável pela criação e coordenação de 617 escolas de informática em 38
cidades de 19 Estados.
“As doações de
computador, muitas vezes tecnologicamente atrasado, enfraquecem a pressão para
que a indústria produza um PC adequado ao público de baixa renda, com
tecnologia atual e custo de R$ 500”, analisa Ricardo Kobashi, do CDI São
Paulo, acrescentando que mais de 50% dos equipamentos angariados em grandes
campanhas de doação não têm condições mínimas de uso.
Nesse sentido salienta-se a necessidade de espaço físico, com
salas preparadas para receber alunos e equipamentos, com instalações elétricas
o que também é uma grande dificuldade para o processo de inclusão digital.
Espaço físico, computadores e profissionais preparados para
incentivar e orientar os educandos a utilizarem os recursos oferecidos, são
obstáculos que com toda modernidade da tecnologia ainda precisam ser
melhorados.
6 COMPROMISSOS
Um
parceiro importante à inclusão digital é a educação o que é preciso vir
associada a conscientização da importância dessa parceria. A inclusão digital
deve ser parte do processo de ensino de forma a promover a educação continuada.
Note que educação é um processo e a inclusão digital é elemento essencial deste
processo.
Embora
a ação governamental seja de suma importância, ela deve ter a participação de
toda sociedade em face de necessidade premente que se tem de acesso à educação
e redistribuição de renda permitindo assim acesso as Tecnologias de Informações
e Comunicações.
Ações
de inclusão digital devem estimular parcerias entre governos - nas esferas
federal, estadual e municipal - empresas privadas, organizações não
governamentais (ONGs), escolas e universidades. Governos e empresas privadas
devem atuar prioritariamente na melhoria de renda, suporte à educação bem como
tornar disponíveis equipamentos à população. Algumas ações que podem ser
promovidas pelos governos e empresas privadas incluem:
- Disponibilizar acesso a terminais de computadores e correio eletrônico a toda a população;
- Oferecer tarifas reduzidas para uso dos sistemas de telecomunicações;
- Criar mecanismos de isenção fiscal, sem muita burocracia, para o recebimento de doações de computadores e equipamentos de infra-estrutura.
Essas
ações por si não são suficientes. É ainda necessário o desenvolvimento de redes
públicas que possibilitem a oferta de meios de produção e difusão de
conhecimento. As escolas e universidades constituem também componentes
essenciais à inclusão digital uma vez que diversos protagonistas - professores,
alunos, especialistas membros da comunidade - atuam em conjunto para o processo
de construção de conhecimento.
Destaque-se
que os três pilares do tripé da inclusão
digital devem existir em conjunto para que ela ocorra de fato. De nada adianta
acesso às tecnologias e renda se não houver acesso à educação. Isto porque o
indivíduo deixa de ter um mero papel passivo de consumidor de informações, bens
e serviços, e então passa também a atuar como um produtor de conhecimentos,
bens e serviços.
É
também imperativo que a inclusão digital esteja integrada aos conteúdos
curriculares e isto requer um redesenho do projeto pedagógico e grade
curricular atuais de ensino fundamental e médio. É pré-requisito considerá-lo
também na formação de profissionais dos cursos de Pedagogia, Licenciaturas e
similares.
Há
todo um trabalho de formação e conscientização que deve caminhar juntos.
6.1 Carência
A inclusão digital tem por base aspectos que compreende
acesso a educação, renda e Tecnologia de Informação e Comunicação. A ausência
de qualquer um desses fatores significa deixar quase 90% da população brasileira
permanecendo na condição de mera aspirante a inclusão digital.
Dentro deste contexto, considera-se que a inclusão digital é
necessária a fim de possibilitar à toda a população, por exemplo, o usufruto
dos mais variados serviços prestados via Internet. Hoje em dia, ter acesso a
Internet significa acesso a um vasto banco de informações e serviços. Este
imenso repositório de conteúdo e serviços merece e deve ser utilizado por toda
população brasileira.
É preciso que o governo, como principal protagonista, assuma
o papel de coordenador e atue em conjunto com sociedade civil organizada a fim
de assegurar o tripé da inclusão digital.
O projeto de inclusão digital precisa ser entendido a partir
das vantagens que tem a oferecer e também pela necessidade que tem sido exigida
na inclusão social.
6.2 Profissional
Outra questão bem sutil, mas não menos determinante
está diretamente relacionada à eficiência das iniciativas de inclusão digital:
as estratégias de capacitação. Nesse ponto não se pode abordar apenas pessoas
não incluídas, mas também daqueles que irão proporcionar um envolvimento mais
pleno com o ambiente informacional.
É notório que não somente professores, mas
facilitadores também, pessoas que contarão com disposição para compartilhar o
desenvolvimento de estratégias de incremento do acesso por parte da dos
educandos aplicadas em novos programas, novos recursos de compartilhamento,
como os blogs, por exemplo, que não introduzem nenhum componente novo de
linguagem, mas tornam as possibilidades de criação de homepages mais acessíveis
às pessoas de um modo geral e fazem com que se sintam mais à vontade para se
iniciar na rede.
Capacitadores
serão aqueles que, numa dimensão mais ampla, apresentam o ambiente digital e
virtual em suas potencialidades de aproveitamento, de modo diretamente
relacionado às realidades de cada cultura e de cada grupo, estabelecido de
maneira territorial ou minimamente com um componente de identidade que os
identifique.
6.3 Social
A
questão da inclusão digital já foi analisada pela Organização das Nações Unidas
(ONU) que para melhor visualizar a questão estabeleceu um novo indicador para o
Desenvolvimento Humano: o Índice de Avanço Tecnológico (IAT), criado para
avaliar a produção e disseminação das novas tecnologias e, acima disso, seu
aproveitamento pela população.
Foram
analisados 72 países onde houve acesso à dados confiáveis. O Brasil ficou em
43º lugar. O índice leva em conta a criação e capacidade de inovação em novas
tecnologias, difusão das mais recentes conquistas assim como das tecnologias
mais antigas (eletricidade e telefonia, por exemplo) e habilidade intelectual,
ou seja, a taxa de escolaridade. O delicado ranqueamento brasileiro, atrás de
países como Panamá, Trinidad e Tobago e Romênia, mostra que é preciso investir
ainda muito mais tempo e recursos.
Cabe
a sociedade lutar por seus direitos, o que só ocorre se tiver consciência de
que tem deixado de usufruir o que a própria constituição garante.
Por
isso é importante a mobilização de esforços coordenados de empresas, governo e
sociedade civil para a criação de condições à expansão da rede no país,
fortalecendo a consciência social entre as empresas de telecomunicações e
tecnologia, e por que não dizer através da conexão telefônica gratuita para
organizações educacionais e da sociedade civil (0800), infra-estrutura
adequada, equipamentos mais baratos e locais públicos de acesso à Internet para
que seja possível aumentar a inclusão digital. Para um efetivo progresso, é
necessário que este assunto também esteja presente na elaboração de uma
política de informática equânime e justa.
7 CONCLUSÃO
As
novas tecnologias, em particular a Internet, vieram para ficar e já começam a
alterar o comportamento da sociedade, como um dia fizeram o telefone, o rádio e
a TV. É a era chamada de Sociedade da Informação, tendo em mãos uma infinidade
de soluções digitais cada vez mais surpreendentes e poderosas.
No
entanto, todos estes avanços ainda não estão disponíveis para toda a população.
Custos altos, falta de infra-estrutura, ausência de capacitação e de uma
política definida para a inclusão digital.
As
novas tecnologias de comunicação e informação devem ser compartilhadas o quanto
antes, caso contrário corre-se o risco de criar uma nova categoria social: os
excluídos digitais.
A
Sociedade da Informação tem que ser para todos, sua democratização deve
possibilitar que toda a população tenha acesso às novas tecnologias,
utilizando-as em todo o seu potencial, incluindo aí o acesso à rede mundial. O
consumidor não precisa mais sair de casa para conferir seu saldo bancário,
fazer aplicações, pagar suas contas, comprar bens e serviços. Isso faz do
computador uma excelente ferramenta comercial.
O
assunto é de relevância mundial, diversos organismos internacionais como o
Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial vêm trabalhando na busca de soluções e
no alerta para os perigos do analfabetismo digital.
O
principal documento que ratifica a importância da Inclusão Digital foi
publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final do ano passado. Em
seu Relatório Anual de Desenvolvimento Humano, a Organização não só priorizou
as novas tecnologias como as colocou como facilitadora de avanços sociais.
Trabalhar para melhorar a inclusão digital é colocar em exercício a
Democracia dando oportunidade a todos de ampliar seus conhecimentos. É a
efetiva democratização da tecnologia para o cidadão.
Hoje, a tecnologia é excludente. A inclusão digital tem que ser
distribuída de forma gradual e contínua, sendo mais um passo em direção da
inclusão social, funcionando como uma ponte entre o acesso à informação e a
possibilidade de conseguir um emprego.
É mais uma ferramenta a favor da educação e da atuação do psicopedagogo,
com objetivo de alcançar a interação e o progresso para um povo e a inclusão de
toda a sociedade para que todos possam evoluir.
É
a efetiva participação do cidadão na sociedade da informação, com todos os
benefícios que esta pode lhe garantir não deixando que uma pseudo “inclusão digital” não sirva para agravar
ainda mais a exclusão social.
Inclusão
digital no ensino secular associada ao trabalho do psicopedagogo é exercer a
cidadania. É o profissional mais qualificado para acompanhar este processo de
integração e suas transformações escolhendo os corretos caminhos, observando os
resultados e evitando os exageros.
As
parcerias têm por objetivo aumentar os resultados positivos e juntar a
psicopedagogia para orientar a inclusão digital é ter respaldo para
solidificação na aprendizagem desejada e aprimorada.
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mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
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