FACULDADE
ALFREDO NASSER
CURSO
DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA LICENCIATURA
CESAR,J.S.
O PAPEL DA DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR
Agradeço a Deus pela sua presença em minha vida e
sustentação durante todo o curso de pós-graduação e em especial na elaboração e
conclusão desta monografia.
A minha esposa Verbênia e aos meus filhos: Marcos
Vinicius, e Anna Clara, pela compreensão e paciência que tiveram para que eu
pudesse me dedicar a esse trabalho.
Ao meu orientador, prof. Joenildo
Fonseca Leite, e a todos que direta ou indiretamente contribuíram
para que esta monografia fosse concluída e entregue.
INTRODUÇÃO
Atualmente em nosso contexto
educacional tem-se refletido muito sobre a Didática, não só nos cursos de
formação de professores de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, Curso Normal
de ensino médio, mas também nos cursos de graduação na área de educação e nas
pós-graduações, especialmente no curso de docência do ensino superior.
No caso do ensino superior é
motivo de muito debate e reflexão por parte dos professores de Didática e dos
alunos, futuros docentes. Na prática docente de nosso atual contexto escolar,
presencia-se uma atuação ainda autoritária e enciclopedista por parte de alguns
professores, pois segundo Freire (2003), trata-se da educação bancária, onde o
estudante é uma mera conta corrente que o professor depositante vai enchendo o
aluno (depositário) de conhecimento, de forma mecânica, repetitiva e
memorativa.
É preciso mudar essa
concepção, esse modo de agir, logo a Didática é esse instrumental valioso e
imprescindível para a construção do aluno em cidadão crítico e participativo,
sendo um processo lento e gradativo, dependente não apenas do sistema escolar,
mas principalmente da atuação do professor com o aluno, visto que a interação
entre ambos resultará numa vivência que os ajudarão na ratificação da
autonomia, a construção do saber e a reflexão das realidades sociais.
A Didática em si é
construção, é interação, é dialética, é contínua na formação e na prática
docente, é pressuposto fundamental para o exercício do magistério, seja na
educação básica como no ensino superior.
Para o desenvolvimento do
trabalho proposto foram delineados alguns objetivos, de uma forma mais ampla
procurou-se compreender o papel da
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Didática
em sua atuação na relação professor x alunos e a sua concepção no ensino
superior.
Especificamente priorizou perceber a atuação
da Didática na relação professor x aluno, onde o professor do ensino superior
tem um papel marcante em suas mãos, pois trabalhará não somente as técnicas,
mas a interação e a socialização do conhecimento com seus alunos, nesse
processo de construção mútua do saber.
Outro objetivo específico foi o de reconhecer
o papel da Didática no Ensino Superior, visto que a disciplina é necessária na
formação e preparação do futuro docente.
O problema da presente pesquisa é investigar
o papel da Didática no ensino superior, seja na relação professor x aluno, como
também em sua abordagem nesse contexto educacional. Verificou-se em relação a
esse problema que serão as seguintes questões de pesquisa do trabalho:
Qual a atuação da Didática na relação
professor x alunos?
Qual a importância da Didática no
ensino superior?
Este estudo justifica-se
pelo fato do tema ter atraído este pesquisador em função de como educador
formado e atuando atualmente no magistério do ensino fundamental e de ter feito
o Curso Normal há 17 anos atrás, ter terminado uma graduação no ano de 2002, no
curso de Pedagogia e no corrente ano fazendo uma pós-graduação em Docência do
Ensino Superior, fica uma indagação até aqui, o que a Didática, disciplina
integrante e importante nos três cursos citados, ajuda e / ou orienta ao
recém-formado professor em sua prática docente?
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Sendo assim, a presente
pesquisa pretende destacar o papel da Didática no ensino superior, sua relação,
importância e aplicabilidade na prática docente e formação dos futuros
professores.
Sua relevância será em mostrar como estamos e
como poderemos através da presente pesquisa avançar em termos científicos na
formação de futuros professores, para que esses sejam sujeitos atuantes,
agentes de construção, críticos, reflexivos e participativos na sociedade.
Entende-se que a interação professor x aluno reflete positivamente e que a
Didática é o caminho para se buscar a qualidade e a melhor forma de se ensinar.
A pesquisa é do tipo bibliográfica,
apoiando-se nos autores nacionais: Paulo Freire, Moacir Gadotti, José Carlos
Libâneo, Marcos Masseto, Nilda Teves, dentre outros.
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CAPÍTULO I
ATUAÇÃO DA DIDÁTICA
NA RELAÇÃO
PROFESSOR X ALUNO
“... ensinar não é
transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para
a sua produção
ou a sua
construção”.(PAULO FREIRE)
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ATUAÇÃO DA DIDÁTICA NA RELAÇÃO
PROFESSOR X ALUNO
A Didática é importantíssima
na formação do professor e mais ainda em sua prática docente. Nela têm-se os
mecanismos de preparação do educador, visando habitá-lo para as atividades que
irá exercer em seu cotidiano e como atuar com seus alunos.
E nesse sentido, segundo Luckesi, o
educador deve:
“... deter habilidades e recursos técnicos de
ensino suficientes para possibilitar aos alunos a sua elevação cultural através
da apropriação da cultura elaborada. Ensinar não significa, simplesmente, ir
para uma sala de aula onde se faz presente uma turma de alunos e ‘despejar’
sobre ela uma quantidade de conteúdos. (...) o educador necessita possuir
habilidades na utilização e aplicação de procedimentos de ensino”. (LUCKESI,
1994, p.116-117).
No passado não muito
distante, a Didática era uma disciplina meramente técnica, onde a ênfase maior
estava nos métodos e procedimentos a serem utilizados no ensino-aprendizagem.
Atualmente, além de cumprir essa premissa, também está incumbida de atuar na
construção do futuro professor, não só em sua prática docente, bem como em sua
atuação como cidadão. Não é meramente despejar conteúdos nos alunos, mas
levá-los a se apropriarem deles de uma forma em que se tenha reflexão, crítica
e os possibilitem a atuar na sociedade de uma maneira mais participativa. É
essa uma das habilidades em que o professor universitário deve ter e que a
Didática apresenta para que possa haver a construção do conhecimento.
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E a Didática nesse contexto de construção do conhecimento
faz com que o professor de hoje, se relacione com seus alunos de uma forma
diferente
de outrora, onde
alguns valores deverão ser discutidos e trabalhados em sala
de
aula. A Didática mostra ao professor que ele não é um mero reprodutor do
sistema, mas que tem senso crítico, e Gadotti diz que: “o educador não é
aquele que
reproduz os sermões
prontos e acabados,
mas aquele que
desperta consciência,
motiva para existência”. (GADOTTI, 1995, p.45)”.
Ser consciente e
conscientizar seus alunos é algo que deve ser presente e marcante no professor
de nossos dias, pois é imprescindível para construção de cidadãos cônscios de
sua existência e do seu papel na sociedade.
Freire (2000) fala do inacabamento do ser
humano, onde afirma que a experiência da vida parte da construção do próprio
ser humano. Não se tem nos animais a consciência ética em que há nos homens e
mulheres, ou seja, o poder de intervir no mundo, de interagir com outras
pessoas, de criar, de se comunicar, de decidir, de lutar e fazer política. O
homem é um ser inacabado que no decorrer da vida percebe a sua existência, que
por sua vez, vira corpo consciente, que pensa, age e será enchido por
conteúdos. Ao perceber o mundo, o ser humano inacabado, aprende através da
experiência vivida, pois não está no mundo para simplesmente se adaptar a ele,
mas de quem se insere nele. O professor nessa relação com os alunos, segundo
Libâneo visa
“preparar os alunos para se tornarem
cidadãos ativos e participantes na família,
no
trabalho, nas associações de classe, na vida cultural e política”. (LIBÂNEO,
1994, p.47).
Nesse aspecto, Freire (2000) e Libâneo (1994)
concordam que o homem é um ser inacabado e que o professor é um mediador entre
o aluno e a sociedade, e sua contribuição é formar cultural e cientificamente,
preparando-os para conquistas democráticas. A Didática tem um papel valioso
nessa
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relação
de construção mútua do saber, do crescimento do ser, de mostrar que ambos são
inacabados e que interdependem para se realizarem.
No decorrer da vida do se
inacabado que somos, há outro ponto importante em que a Didática também visa
trabalhar em sala de aula, na relação professor x alunos, que é a autonomia, e
Teles afirma que: “ser crítico,
enquanto educador,
é considerar que o jovem
pensa, vive, que
ele tem
hipóteses sobre o objeto do
conhecimento”. (TELES, 1992, p.60). O professor que
não é tradicional, mas tem essa visão, procura desenvolver em seus alunos uma
maior consciência, levando-os a buscarem suas autonomias. Nesse processo cabe
ao professor, ouvir e conhecer seus alunos, dialogar de forma a abrir espaços
para questionamentos e debates, sendo sua preocupação maior, ajuda-los na
construção da expressão e do conhecimento, formando assim, seres participantes,
críticos e reflexivos como cidadãos. O professor não deixa de utilizar a
didática em sala de aula, ou seja, métodos, técnicas e procedimentos para
ministrar uma aula, mas a tem também como uma ferramenta de construção
constante com seus alunos, de um diálogo que os levem a respeitarem a autonomia
um outro.
Freire diz que “o respeito à
autonomia e a dignidade de cada um é um
imperativo ético
e não um
favor que podemos
ou não conceder
uns aos
outros”. (FREIRE,
2000, p.66), ou seja, se você não respeita a autonomia do outro,
dos seus alunos, você está transgredindo a ética aos seus princípios
fundamentais. Nota-se que a partir do momento em que o professor foge desse
princípio de respeito à autonomia de cada um, ele sorrateiramente tornar-se-á
um professor autoritário onde limita a liberdade do ser inacabado, daquele que
não vem vazio para a escola, para universidade, etc., mas que pode trocar
experiências e vivências, logo não está usando a didática em sua plenitude, em
seu contexto atual.
A Didática é uma disciplina
em que aborda que o ensinar é uma especificidade humana, onde a troca de
experiências e vivências é
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fundamental para que os
conteúdos a serem apreendidos pelos alunos, tragam êxito no final, onde o
professor possa vislumbrar e perceber a construção de ambos no tocante ao
conhecimento. Para que essa relação venha se efetivar de forma satisfatória e
plena, Freire diz que uma das qualidades que o professor deve ter é a que as “suas
relações com as liberdades dos alunos é a segurança em si mesmo”.
(FREIRE, 2000, p.102). Essa segurança está no fato do
professor respeitar as liberdades individuais dos alunos, aceitar rever
conteúdos e práticas docentes, a ser firme em sua atuação, decidido a criar
possibilidades de expressão e crescimento dos discentes. Esta é uma qualidade
importante em que o professor como ser inacabado, consciente e autônomo,
propicia a seus alunos a oportunidade de se conscientizarem e ratificarem suas
autonomias.
Freire diz ainda que “quem ensina
aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. (FREIRE,
2000, p.25). Observa-se nessa afirmativa o quão importante é
ensinar do que meramente transmitir conhecimentos e que nesse processo de
interação não há ensino, educação, se não houver professores e alunos. A didática
também orienta que ensinar exige rigorosidade metódica, mas o professor como
mediador levará os educandos a pensar certo, a conhecer e a intervir no mundo
como seres históricos.
Nessa linha de raciocínio, ensinar exige
pesquisa, que é sair da curiosidade ingênua ou senso comum para se chegar a uma
consciência crítica. Ensinar também exige respeito aos saberes dos educandos, a
usar a criticidade, a ter uma formação ética, sabendo que como professor é
preciso fazer a corporeifação das palavras pelo exemplo ao ensinar, ou seja,
fazer isso através de uma pratica testemunhal. Ensinar exige também o
reconhecimento de se assumir como ser social e histórico e que sua assunção de
si mesmo não exclui os outros, pelo contrário denota sua identidade cultural.
O professor que prepara futuros docentes, no caso do
ensino superior, seja na graduação ou na pós-graduação, deve também trabalhar
com eles
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quanto aos obstáculos que vivenciarão, bem como levá-los
a reconhecerem o valor das emoções, da sensibilidade e da afetividade, pois na
prática cotidiana da docência, o futuro professor saberá que não estará lidando
com alunos meros depositários de conhecimentos acumuláveis, que na visão da
pedagogia tradicional é feita de forma reprodutora e mecânica, mas sim, que são
seres humanos inacabados e em constantes mudanças, tanto biológica, psicológica
e socialmente.
O professor que não tem a preocupação primaz de
reproduzir, pode segundo Masetto:
“Juntos, professor e aluno, têm a tarefa de
buscar novas informações além das que os textos escolares trazem. Enfim, a
criatividade e o crescimento são um desafio a ser permanentemente perseguidos
pelos dois parceiros do projeto educacional”. (MASETTO,
1997, p.36).
A partir desse momento, o
professor tem a oportunidade de trocar o conhecimento, compartilhar as
experiências e vivências de seus alunos, a intensificarem suas relações em sala
de aula, pois ela é um espaço de crescimento e aprendizado, e que professor e
alunos são os maiores interessados na busca e troca de saberes, onde ensinar
não é restritamente transferir conhecimentos, mas como diz Freire: “Ensinar
exige consciência do
inacabamento do
ser humano e do reconhecimento do
ser condicionado,
sabendo respeitar a
autonomia do ser do educando”. (FREIRE, 2000, p.55).
No ato de ensinar, o professor deve agir com
bom senso, humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos,
pois exige também apreensão da realidade, alegria daquilo que está fazendo e a
esperança de junto com os alunos pode aprender, ajudando-os a produzirem seus
conhecimentos.
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O conhecimento é construído,
não é meramente transmitido ou produzido pelo professor, mas ao estar em sala
de aula, deve ter consciência que esse é um espaço que possibilita uma troca,
oportunidade ímpar de tirar proveito do currículo oculto. Sem dúvida que o
aluno, um ser inacabado, mas em processo de crescimento, de aprendizado
constante, construirá com a mediação do professor, os conhecimentos
imprescindíveis para sua vida.
A vivência dos saberes dos
alunos contribui na formação e na produção do conhecimento, não descartando a
teoria (conteúdos), mas a junção das duas partes poderá chegar a uma melhor
conscientização e autonomia do aluno, que é sujeito ativo e participativo no
processo de ensino, aluno que está se preparando para exercer o magistério na
educação básica ou ensino superior.
A Didática aproxima e traz a reflexão de se
buscar uma maior interação entre professor e aluno, seja no compartilhar, na
construção mútua do conhecimento, no respeito à autonomia de ambos, mas como
diz Masetto: “É
importante que o aluno desenvolva sua
sociabilidade e comunicabilidade com os colegas da turma, da escola, com os
professores e com a comunidade em geral”.(MASETTO, 1997,
p.22).
O professor que leciona no
ensino superior deve valorizar esses aspectos na sala de aula, como enfocar
para os futuros educadores a adotarem desde cedo com seus alunos a comunicação,
a valorização do outro e da solidariedade, mostrando que jamais perderão suas
individualidades.
Vivemos num país e num
momento em que a competição e a sobrevivência estão mais acirradas, mas que
apesar dessa luta constante, é importante o entrosamento, a troca de
experiências, a afetividade e a comunicação entre colegas de turma, com os
professores e ampliando para fora da sala de aula, com todos que estão em seu
entorno. O professor e sua relação com os alunos devem primar por esses valores
que são positivos para
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aplicabilidade na sociedade
em que vive, no entanto, a mesma, pouco ou quase nunca os difundem como
poderia, pois o individualismo e a competição são patentes e ferozes
atualmente.
Cabe então ao professor
preparar os futuros educadores a trabalhar esses valores com os futuros
discentes, par que a sociabilidade e a comunicabilidade não desapareçam da sala
de aula como reflexo do que a sociedade tem pregado, mas que nela possam
exercê-las, aplicando quando estiverem em seu cotidiano, com todas as pessoas e
nos mais variados contextos.
Tendo um ambiente favorável
para o aprendizado, o aluno que é solidário e usa a comunicação como parte de
seu crescimento como pessoa e cidadão, tem como reflexo uma maior interação com
o professor e essa relação pode também como diz Libâneo:
“... ressaltar dois aspectos (...) no
trabalho docente: o aspecto cognitivo (que diz respeito à forma de comunicação
dos conteúdos escolares e às tarefas escolares indicadas aos alunos) e o
aspecto sócio-emocional (que diz respeito às relações pessoais entre professor
e aluno)”.(LIBÂNEO, 1994, p.249).
No aspecto cognitivo, o
saber ouvir é imprescindível, pois o professor não pode ser apenas um
transmissor de informações ou fazedor de perguntas, mas alguém que dá atenção,
escuta e dar oportunidade para que seu aluno expresse sua opinião. Ao responder
e opinar, o professor pode perceber se há dificuldades na assimilação dos
conteúdos. Nesse contexto, Libâneo (1994) chama de avaliação diagnóstica, ou
seja, o professor diagnosticará de acordo com as causas que venham originar as
dificuldades detectadas por seus alunos, procurando através dessa avaliação uma
melhor adequação dos conteúdos e por conseqüência tendo um maior êxito no
ensino-aprendizagem.
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Em relação ao aspecto sócio-emocional,
refere-se aos vínculos afetivos entre professor e aluno, bem como a disciplina,
no que diz respeito à conduta dos alunos em sala de aula. O professor exerce
sua autoridade em sala de aula sem ser autoritário e o aluno tem espaço para
exercer sua autonomia, através de sua liberdade e individualidade, mas ambos
interagem nesse ambiente em que deve primar o respeito e a responsabilidade.
A didática nesse contexto incentiva a
interação e o desenvolvimento entre professor e alunos, levando o docente a
observar e aplicar também os aspectos cognitivo e sócio-emocional em seu cotidiano
escolar com o corpo discente.
Costa entrevistou a
educadora Nilda Teves para a Revista Ensino Superior, sobre a pesquisa que ela
fez com universitários a respeito da percepção que eles têm sobre a figura e o
papel do professor, e em um dado momento ela afirma que atualmente: “A
relação professor e aluno não é algo
simétrico. (...) O
aluno traz um saber, mas é o saber dele e, eu trago outro”.
(COSTA, 2003, p.2).
Nessa construção do
conhecimento, professor e aluno têm uma contribuição a dar, não há igualdade
entre ambos, pois os saberes são diferentes e nesse processo a interação é o
elo de ligação para o objetivo final que é a aprendizagem. O professor trabalha
na construção do conhecimento com o aluno diariamente e precisa perceber o que
ele traz consigo também é importante para apreensão dos conteúdos dados, mas
que precisam torná-los contextualizado com a realidade presente.
Já estamos no terceiro milênio, século XXI,
onde a tecnologia está avançando cada vez mais e a relação humana tem se distanciadas
com as mesmas proporções. Pessoas atarefadas e sem tempo lutam constantemente
por sobrevivência, e nesse contexto estão inseridos professor e alunos, astros
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reluzentes desse sistema globalizado, acelerado e de
rapidez na informação, mas que até o presente momento precisa de relações
interpessoais, de conato, de troca de experiências, da mediação, do contato, da
afetividade, enfim, professor e alunos trazem bagagens para sala de aula, e no
dia-a-dia vão sendo preenchidas com vivências e conteúdos relevantes as suas
formações.
Hoje vivemos uma situação em
que alguns alunos já estão anos-luz a frente de seus professores, pois a
facilidade e o contexto atual, os fazem pesquisar, buscar informações
imprescindíveis a sua formação acadêmica na internet, o espaço onde se tem
encontrado uma infinidade de saberes e conhecimento numa proporção mais
atualizada, que por muitas vezes o professor está defasado nas informações,
seja por não saber usar ou não estar se aperfeiçoando junto com os acontecimentos
e tecnologias atuais.
O professor de ensino
superior, formador de futuros educadores, que por sua vez trabalharão na
educação básica ou até mesmo em cursos de graduação, deve enfatizar a esses,
que o professor trabalha na construção do conhecimento do aluno, não é um
simples transmissor de informações, de conteúdos, porque isso o livro faz, as
apostilas fazem, atualmente a internet faz, e não é necessária a presença do
professor, mas na construção desse conhecimento para vida, é preciso diálogo,
troca e interação constante entre educador e educando.
Wachowicz diz que:
“O
trabalho da educação escolar, no cotidiano da sala de aula, é um trabalho de
reflexão pelo qual o pensamento dos alunos e dos professores, vem apossar-se do
significado da realidade concreta, retornando-a a partir do abstrato, que é o
conhecimento existente”.
(WACHOWICZ, 2002, p.5).
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A sala de aula constitui-se
num espaço de interação e comunhão entre professor e alunos, espaço esse
voltado para reflexão, para a construção do conhecimento mútuo, onde se deve
respeitar e fazer respeitar as diferenças de opiniões, incentivando a
participação, a iniciativa, a cooperação dos alunos com os colegas, enfim, um
ambiente em que os sujeitos do conhecimento, professor e alunos, possam com maturidade
e vivências diferenciadas compartilhar tais conhecimentos de modo a ocorrer uma
aprendizagem significativa para todos.
Viu-se até aqui que a
didática apresenta um caráter técnico, tudo se faz com planejamento, há
execução e avaliação, contudo a didática também tem sua importância atualmente,
ela é essencial ao professor, por faz uma ligação entre o técnico e o crítico,
visando uma ação prática na construção do conhecimento, onde a interação entre
professor e aluno é o facilitador para obtenção do ensino-aprendizagem de
ambos.
O aperfeiçoamento do
educador e a sua aproximação com os educandos são fundamentais na construção do
saber, na formação do cidadão e na ratificação de suas autonomias.
Atualmente temos algumas
graduações e até pós-graduações à distância, professores e alunos não se vêem
com tanta freqüência, é uma relação que tem algumas fronteiras, mas no ensino
presencial, a proximidade é constante, faz com que essa relação traga ganhos
imensuráveis, pois a interação, a troca, a afetividade e a mediação são fatores
primordiais para que se tenha uma boa aprendizagem e um ensino que prime pela
qualidade.
Conclui-se esse capítulo
reconhecendo a didática como um instrumento que atua de forma marcante na
construção do educador e no preparo do futuro professor, basta dar a ela o seu
devido valor, porque é incisiva quanto à relação que deve primar entre
professor e alunos, educador e educandos.
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CAPÍTULO II
A DIDÁTICA NO ENSINO
SUPERIOR
“A Didática tem como objetivo a
direção do processo de
ensinar, tendo em vista finalidades
sócio-políticas e pedagógicas e as condições e meios formativos...” (JOSÉ
CARLOS LIBÂNEO).
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A DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR
A Didática no ensino superior é de suma
importância no processo ensino aprendizagem, pois trabalha com as dimensões
humana, técnica e político-social da prática docente. Essas dimensões são
imprescindíveis e o posicionamento crítico atualmente tem sido um dos
principais temas discutidos pelos educadores que ministram essa disciplina.
É preciso ter uma reflexão
ampla sobre a realidade educacional em que vivemos e as instituições de ensino
superior devem levar esse debate adiante na formação do futuro docente, dando
ferramentas e condições de através da Didática conhecerem as possíveis causas e
desde então já buscarem soluções para as problemáticas educacionais existentes,
muitas delas ligadas à docência.
Por muito tempo enfatizou-se com mais
veemência a dimensão técnica, onde o professor de Didática perdia muito tempo
nessas questões, como exemplo, a forma de apagar a lousa, como fazer um plano
de aula perfeito, tudo isso era visto no curso Normal de ensino médio a duas
décadas atrás.
Dentro dessa dimensão encontra-se também a
metodologia a ser utilizada, tais como planos de cursos e de aula, etc. Tudo
isso é importante, mas num curso de nível superior, no espaço acadêmico da
graduação ou da pós-graduação, que o irá capacitar para atuar no magistério, a
Didática é uma ferramenta de ajuda na formação do futuro educador, do sujeito
reflexivo, crítico e participativo na saciedade em que vive, e com a visão de
ministrar aulas que levem seus alunos a perceberem e a atuarem como cidadãos
conscientes de sua historicidade e de seu papel em seu contexto social.
Muitos que estão cursando na graduação ou na
pós-graduação não conseguem ter essa visão, pois criticam muitos dos
professores que ministram
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essa
disciplina, achando que estão “enrolando” nas aulas e que o conteúdo que é bom
“nada”. Fomos acostumados a reproduzir mecanicamente o que os outros nos
passam, mas pensar, refletir e expor opiniões nos foram podados desde pequenos
e quando chegamos nessa fase, a maioria dos estudantes universitários não
percebem e muitos professores também não repassam essa visão atual da Didática
e de como trabalha-la, o que aborda atualmente e o que precisa ser mais
enfatizado.
Silva diz: “Portanto,
a Didática existe como prática, não como técnica, tampouco como
teoria. Contudo não se trata de dizer que a Didática é mais ou menos importante
no trabalho docente, pois ela desempenha o papel que lhe cabe”.(SILVA,
2003, p.136). Vê-se que a Didática é uma disciplina que muito contribui
para a prática docente, seja no tocante a ministrar uma aula, na relação
professor x aluno, no exercício prático e na contextualização do conteúdo,
enfim, ela desempenha um papel vital na vida do educador, ajudando-o no
processo ensino-aprendizagem.
Há três décadas atrás, o
professor de Didática tinha o papel de reservado de não pensar, porque baseava
suas aulas apenas para a dimensão técnica, cabendo a ele simplesmente executar
o programa instrutivo para atingir os objetivos previamente planejados, devendo
então fazê-lo para obter o êxito desejado. Vê-se nesse professor um mero
reprodutor do saber e seu pensamento estava delimitado pela chamada razão
instrumental, pois a eficiência e a eficácia do professor de Didática estava
relacionada com a praticidade e o desenvolvimento da teoria sem
questionamentos.
Temos hoje uma realidade diferente de vinte a
trinta atrás, porque a educação contemporânea está voltada para uma perspectiva
mais global do ser humano que vive no mundo, não mais sendo objeto, mas o
sujeito que pensa, questiona e age em meio à globalização e o domínio das
técnicas em prol do ser humano.
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Vivemos num mundo em que as técnicas têm prevalecido
sobre o homem, mas em relação à Didática, a dimensão também chamada técnica,
também tem sua importância como descrita anteriormente, no entanto há também a
dimensão político-social, onde destacamo-la, quando, por exemplo, o professor
passa a trabalhar com seus alunos a necessidade de exercerem suas cidadanias,
como sujeito ativo e participativo na sociedade em que vivem, de forma também a
ratificarem suas autonomias no decorrer de suas vidas, não apenas enquanto
alunos, mas para sempre, como cidadão.
Vivemos num mundo em que ninguém é dono da
verdade e que tudo que existe na vida não surgiu do nada, logo teve uma origem,
somos cercados de certezas e incertezas, tendo muitas coisas para questiona e
refletir. Morin diz que: “O mesmo acontece com a nossa consciência.
Assim, quando conservamos e descobrimos novos arquipélagos de
certezas, devemos saber que navegamos em um oceano de incertezas”.(MORIN,
2000, p.59).
Percebe-se então que ninguém é dono da
verdade, logo o conhecimento deve ser analisado, debatido, fruto de uma
reflexão, e nesse caso, o professor de Didática pode trabalhar com seus alunos,
tornando-os sujeitos participativos nesse processo.
Essa interação entre professor e alunos, e a
observância do contexto social, é necessário juntamente com a técnica, mas a
Didática no ensino superior tem o papel de ratificar através do professor, a
autonomia desse ser humano que está em processo de construção de suas múltiplas
relações, seja com o saber, com a família, com a comunidade, com a profissão,
enfim, a autonomia se fortalece ao longo dos anos.
O professor de Didática no
ensino superior tem em suas mãos um papel importante, não só em trabalhar com a
técnica, mas a interação e a socialização do conhecimento, tendo também as
dimensões humana e político-social nas abordagens das aulas, ao falar sobre os
paradigmas da educação, a
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autonomia, a interação, a
formação continuada, etc. As três dimensões destacadas são importantes e devem
ser trabalhadas pelo professor de Didática com os futuros docentes do
magistério da educação básica e / ou superior.
Em nosso contexto atual, a tecnologia
continua avançando a passos largos e o professor de uma forma geral e
especificamente o da disciplina de Didática deve se atualizar e busca constante
aperfeiçoamento, pois se não o fizer, ficará perdido e desnorteado ao ser
indagado por alunos que já utilizam uma das ferramentas mais moderna e polêmica
do mercado, a internet.
Muitos alunos já dominam a internet, têm uma
gama de informações muitas vezes mais atualizadas que de alguns professores que
se estagnaram e não acompanham ou não querem acompanhar a modernidade.
A Didática também traz essa questão, quando
professores da disciplina começam a abordar que além do educador dominar os
conteúdos a serem ensinados, faz-se também necessário saber lidar com as outras
formas de divulgação do conhecimento, no exemplo citado, a internet.
Sabe-se que o ensino não é apenas transmissão
de conhecimentos, porque temos também como foi dito, a internet para ser
navegada e explorada, mas se assim fosse, qual seria a importância e o papel da
Didática? Porque as metodologias de ensino de cada área de conteúdo fariam o
trabalho necessário por si só. Vivemos num tempo em que alunos e professores
estão em constantes mudanças, por mais que muitos não queiram ou tenham medo
delas.
Mendonça afirma que:
“Nossos atuais
alunos são não-lineares, multimídicos e
audiovisuais. A esses
indivíduos não se ensina como se
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ensinava
aos da geração da escrita e da linearidade. A estes cabiam silêncio,
imobilidade, registro, memória e reprodução. Os alunos de hoje têm nova maneira
de raciocínio, fazem conexões entre conceitos já conhecidos, inferem novo
saberes. Têm gosto pela pesquisa e fazem, em casa, sem o pedido e permissão da
escola, via internet. A imagem faz patê de sua leitura. A compreensão e o
significado têm nova dimensão. Estão aí os complicadíssimos games, que são
jogados e resolvidos por eles com facilidade imensa”. (MENDONÇA,
2003, p.1).
Atualmente não se pode
ensinar como se ensinava antigamente, da maneira tradicional, mecânica e
reprodutora, porque essa forma está perdendo gradativamente o seu espaço,
frente ao dinamismo tecnológico e a globalização.
A Didática no ensino superior deve ser
ministrada tendo em foco esses alunos destacados por Mendonça (2003), pois o
professor e o futuro docente já não podem mais penar na educação como outrora,
onde as aulas costumavam ser enfadonhas, lineares, mais próprias à reprodução e
a formação lingüístico-cultural do aluno.
O educador de nossos dias
tem que participar dos acontecimentos, se interessar pelo o que está
acontecendo em seu entorno e no mundo, percebendo as mudanças que estão
ocorrendo, os avanços científicos, a globalização, porque o conhecimento não é
algo acabado, mas construído e numa constante atualização, sendo essas
situações, uma preocupação profissional.
No ensino superior, a Didática traz essas questões à
tona, levando-as a uma reflexão pedagógica, com intuito de revitalizar o
trabalho do educador com
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seus alunos. É importante
como educador utilizar com os alunos atuais e futuros, os mais diversos
recursos multimídicos em sala de aula, tais como jornais, revistas, rádio,
vídeo, etc., e incentiva-los a usarem os meios que as instituições de ensino
dispõem, tais como: biblioteca, sala de leitura, sala de artes, laboratórios de
informáticas, dentre outros. O professor também deve usar estratégias que
envolvam músicas, hipertextos e pesquisas, fazendo assim uma conexão com o
contexto atual em que vivem, utilizando as ferramentas tecnológicas recentes.
A Didática é fundamental no ensino superior,
seja na graduação ou na pós-graduação, permitindo espaço para a reflexão,
participação e crítica, questões que hoje são essenciais na formação e no
aperfeiçoamento do professor.
O processo educativo não se encerra em sala
de aula, portanto, através dela, que seres humanos se relacionam, vivem,
constroem o conhecimento, trocam experiências e levam consigo o saber para
vida, para a sua prática efetiva como cidadão-educador na sociedade em que
vivem.
A Didática atualmente traz esse método
dialético, onde o professor procura despertar no aluno a capacidade de ler
criticamente a prática social de seu tempo, trazendo para o ambiente da sala de
aula essa reflexão. Para que se ocorra esse método é preciso que haja uma
relação a dois, professor e aluno, pois não é feito individualmente, sendo um
processo coletivo, pelo o qual um grupo de pessoas, reunidas em uma instituição
escolar, faculdade ou universidade, defrontam-se com o conhecimento, mas
ninguém perde sua individualidade, trabalha-se com a crítica, com o
desvelamento e a análise do conteúdo.
Wachowicz afirma que:
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“Temos então um conteúdo dinâmico, que não
pode ser trabalhão de forma estática, pois seria transformado em outro
conteúdo. Na forma dialética, o conteúdo a ser trazido, para o cotidiano da
sala de aula, é um conteúdo que se faz enquanto sofre a exegese do grupo –
professor e alunos”. (WACHOWICZ, 2002, p.5).
Por mais que muitos alunos
desconheçam essa perspectiva e abordagem atual da Didática, faz-se necessário
que os professores dessa disciplina exponham essas questões ao corpo discente
com mais freqüência, que vendam o “peixe” de forma mais entusiasta, para que se
possa despertar em cada aluno, que essa disciplina não é mais uma na matriz
curricular, ou que ela apenas lhe servirá para exercê-lo como ministrar aulas
com eficiência. Mas que é uma disciplina que visa também a questionar, refletir
e a buscar soluções para as questões relativas a educação em todas as esferas
do sistema de ensino, seja, por exemplo, no tocante a qualidade do ensino como
a acesso de todos, rico ou pobre, a iniciarem na vida escolar.
Cabe ao educador fazer a sua
parte sempre, ou seja, passar adiante esse lema aos futuros professores,
trabalhando com os conteúdos que fazem parte da disciplina ou currículo, mas
fazer com que os alunos uma exegese do conhecimento que está sendo construído
de forma reflexiva, crítica e participativa.
O professor de Didática no
ensino superior não pode estritamente tomar as técnicas didáticas tais como são
elaboradas nos manuais e livros, porque estará reproduzindo objetivo alheio,
mas deve tê-las como mediadora estratégica na relação professor x alunos. O
homem moderno em seu processo de reconstrução passa pela apropriação do
conhecimento, e nesse processo, como educador é essencial incentivar os alunos,
futuros docentes, a descoberta da alegria, do conhecimento, pois é a base da
autonomia e da subjetividade.
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É preciso como educador refletir com os
alunos a ideologia reprodutiva inserida seja nas técnicas didáticas, nos
livros, no sistema educacional, etc., enfim, faz-se necessário desvelar o que
não se vê claramente, mas que sutilmente muda a vida de milhões de pessoas. É
preciso fazer uma leitura crítica para que possa atuar de forma consciente e
participativa, seja como aluno, professor e cidadão na sociedade em que vive.
O homem moderno vive neste mundo rodeado de ideologias e
por incertezas no conhecimento. Morin afirma que: “Conhecer e pensar não
é
chegar a uma verdade
absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza”.
(MORIN, 2000, p.59).
Neste contexto, o professor de Didática no
ensino superior tem o papel de despertar nos futuros educadores, o exercício do
pensamento aplicado, o esforço de pensar bem, de saber os limites do
conhecimento e que ninguém é dono da verdade, e que o conhecimento é construído
gradativamente, não de forma isolada, individual, mas através de uma prática
coletiva, da interação, no exercício da dialética, no confronto da incerteza
com a incerteza, na constante buscar do saber mais elaborado e para vida.
Viu-se neste capítulo que a
Didática é voltada para a formação do futuro docente, tendo a sala de aula como
um ambiente propício ao desenvolvimento individual de cada um, seja como
pessoa, aluno, futuro professor e cidadão em si. Conclui-se que a Didática no
ensino superior além de abordar o lado teórico traz à tona a prática docente em
todos os seus aspectos, tornando-a uma disciplina dinâmica e viva. É uma
disciplina que precisa de muita interação por parte dos sujeitos do processo
ensino-aprendizagem – professor e alunos – para que juntos construam o
conhecimento, sejam críticos, reflexivos e participativos na sociedade, sendo
cidadãos que ratifiquem a cada dia suas autonomias, e mais, façam a diferença
como cidadãos.
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CONCLUSÃO
Ao chegar ao final deste trabalho, entende-se
que ele não atingiu toda complexidade do tema, pois há de se falar muito sobre
a Didática no ensino superior, sabendo também que há autores consagrados que
falam sobre o problema tratado.
Em relação a esta pesquisa,
destacaram-se os autores trabalhados nos capítulos anteriores, como sendo
aqueles que procurou atender aos questionamentos do tema abordado.
O estudo e reflexão do
presente trabalho demonstraram ser fundamental para o crescimento pessoal e
profissional deste pesquisador, que almeja exercer o magistério superior, logo
também se tornou uma ferramenta útil para análise e tomada de decisão no que
tange a prática docente, mas especificamente no que diz respeito à Didática no
ensino superior.
Começou-se o trabalho demonstrando no
primeiro capítulo a atuação da Didática na relação professor x alunos,
destacando o valor da interação de ambos para a construção do conhecimento e
que os futuros professores devem ser incentivados pelos educadores, a tomarem
uma postura diferente dos professores ditos tradicionais.
E no segundo e último capítulo tratou-se do
papel da Didática no ensino superior, onde o professor da disciplina tem em
suas mãos a tarefa de levarem seus alunos, futuros docentes, a serem críticos,
reflexivos, participativos, cidadãos ativos que ratifiquem suas autonomias a
cada dia e respeite também de seus futuros alunos, para que possam exercê-las
na sociedade em que vivem.
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Concluí-se neste trabalho
que todos nós, seja professor ou aluno, somos seres inacabados, que a cada dia
vai construindo seu conhecimento e que não se constrói sozinho, pois se dá
através da interação, da troca, do compartilhar com outros. A Didática no
ensino superior tem o papel de despertar, de desvelar os saberes, de trazer à
tona a crítica, a reflexão e a participação.
Como últimas palavras desse trabalho monográfico ficam as
palavras de Freire ao leitor: “Já agora ninguém educa ninguém, como
tampouco, ninguém
se educa a si mesmo: os homens se
educam em comunhão, mediatizados pelo
mundo”. (FREIRE, 2003, p.69).
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6 –
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática
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7 –
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11 – LIBÂNEO, José
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referidos. Disponível em: <http://prograd.ufpr.br/forgrad/formen3n.html>
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18 – MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a
reforma, reformar o pensamento. Trad. Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2000.
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