O PRAGMATISMO RELIGIOSO SOB A INFLUÊNCIA DA
PÓS-MODERNIDADE PRESENTE NO SÉCULO XX.
FERREIRA, D.R.
INTRODUÇÃO
O relacionamento entre
ministério sacerdotal e pós-modernidade não poderia, por nenhum esforço da
imaginação, ser descrito como um casamento ideal. No entanto, ambos estão
presentes cotidianamente no século XX e no futuro próximo, século XXI. Porém,
devemos estar preparados para essa era que circunda-nos e projeta-se nas
igrejas sobre todos.
Temos visto uma série de
problemáticas que envolvem o ministério sacerdotal e a vida do ministro
eclesiástico, frente às pós-modernidade.
Fatos que levam-nos a
tratar do assunto de perto.
Falaremos sobre a
pós-modernidade, no decorrer da história e suas influências na mídia, em
diversos setores relacionados ao indivíduo e ao meio social.
De algumas pressões da
pós-modernidade sobre o ministério sacerdotal, enfatizando a questão do membro
como um consumidor, tendo sempre a razão e sendo estimulado a comprar em todo o
momento até mesmo dentro dos templos, distanciando-o do verdadeiro evangelho,
levando-o a buscar uma mensagem que possa satisfazer todos os seus desejos como
consumidor.
Por outro lado, iremos
expor a posição do sacerdote, ou seja, do ministro do evangelho, diante dessa
massa consumista, como gerente de uma megaigreja, ou catedral, e os riscos que
ele corre por assim agir. Riscos como a comparação, elitização cultural,
profissionalização, construtor de monumentos, política eclesiástica;
Em contraste com as
posições ministeriais de alguns sacerdotes junto à pós-modernidade, mostraremos
alguns exemplos bíblicos de ministérios sacerdotais, citando como exemplo
Moisés, Neemias, Daniel, Paulo, Pedro, que em todo o momento serviram ao Senhor
não em busca de uma posição hierárquica egocêntrica, mas serviram por crerem e
amarem um povo a quem Deus amou, e a um Deus que os amou em todo o momento. Homens
estes, comuns, sujeito às mesmas paixões que nós, porém, homens que
dispuseram-se a servir no Reino, com fidelidade, como profetas, apóstolos,
missionários, chamados a servir, como discípulos. Assim, expressaremos uma
perspectiva do ministério sacerdotal na pós-modernidade.
I PÓS-MODERNIDADE
Não
podemos aqui traçar uma definição absoluta da pós-modernidade, pois estaríamos
deste modo, definindo uma modernidade. Não poderíamos falar da pós-modernidade
sem mencionar a modernidade.
René
Descartes definiu a natureza humana como uma substância pensante e a pessoa
humana como sujeito racional autônomo.
Enquanto
na modernidade o objetivo era o empenho de infundir na vida um gerenciamento
racional capaz de aperfeiçoar a existência humana por intermédio da tecnologia,
com a defesa da autonomia do eu, o sujeito autodeterminante que existe fora de
qualquer tradição ou comunidade, tendo a antropologia universalista moderna, em
busca da verdade absoluta e sendo o conhecimento inerentemente bom, com a supremacia
da razão, através do método científico; a pós-modernidade surgiu como uma
rejeição da atitude moderna, embora tenha sido lançada no âmbito da
modernidade.
O
pluralismo religioso vigente na sociedade contemporânea ocidental teve a sua
origem em outros ismos filosófico-teológicos nestas últimas décadas. Ele tem a
ver intimamente com o relativismo e com um pós-racionalismo do Iluminismo, que
é o chamado pós-modernismo, além das influências do orientalismo religioso.
Francis
Schaeffer (1988, p.21) afirmou que:
Um dos traços da Modernidade é a civilização
admitir (consciente ou inconscientemente) que o universo e o homem podem ser
explicados pelo impessoal, somado ao tempo e ao acaso.[1]
A filosofia, absorvida
por toda a mentalidade da Renascença, convertia-se em racionalista. Novamente o
ser humano tornava-se auto-suficiente.
Sören Kierkegaard
(1813-1855), chamado “O Pai Do Existencialismo” reagiu a tudo isso. Ele rebateu
a famosa frase de Descartes: “Penso, logo existo”. Para Kierkegaard, “quanto
mais penso, menos sou, e quanto menos penso, mais sou”. O existencialismo,
tornou-se uma força questionadora dos valores da Modernidade através de
escritores como Albert Camus, que viveu na Europa no auge de sua produção
literária, durante a II Guerra Mundial; para ele, o otimismo dos Iluministas
havia sido um terrível engano.
Mas, Jean Paul Sartre (1994,
p.129), contemporâneo de Camus, foi quem se tornou o grande artífice do
existencialismo moderno e quem mais contribuiu para desacreditar os postulados
renascentistas.
Em sua obra, o romance
intitulado La Nausée, publicado em 1938, ele expõe seu ponto de vista:
Não tinha o direito de existir. Surgira por
acaso, existia como uma pedra, uma planta, um micróbio. Minha vida se
desenvolvia ao acaso e em todos os sentidos. Enviava-me às vezes sinais vagos;
outras vezes percebia apenas um zumbido sem importância.[2]
Para Sartre (1994), não
haviam pontos de referência previamente estabelecidos para guiar o homem.
Ricardo Gondim
(1997,p.19), em seus escritos de reflexão bíblica expressa o seguinte:
O desejo enorme de reverter a realidade,
aliado ao total desencanto, é o que se tenta denominar de Pós-Modernidade. Se
na Modernidade, as pessoas gritavam: ‘Deus está morto’, hoje proclamam: ‘Marx
também, e eu estou doente de morte’. Nessa bagunça toda em que irrompe a
falência da civilização, as pessoas já não sabem mais se a tomografia
computadorizada e o Shopping Center sem mendigos proclamam a aurora de uma nova
civilização ou se Chernobyl, Ruanda e o viciado em crak.[3]
A modernidade crê em determinismo, a
pós-modernidade, em intedeterminismo. Assim a modernidade enfatiza propósito e
desígnio, a pós-modernidade enfatiza a chance e o acaso. A modernidade
estabelece uma hierarquia; a pós cultiva a anarquia. A modernidade valoriza tipos,
a pós, o mutantismo. A modernidade busca o logos, que oferece o substrato do
universo expresso na linguagem, a pós abraça o silêncio e rejeita sentido e
palavra [4].
A modernidade aconteceu
não apenas na esfera da filosofia, mas também sociologicamente, trazendo como
conseqüências a secularização, a privatização e a pluralização, que alternaram
e esvaziaram três pilares da sociedade: o convívio, as relações humanas e a
percepção da ética.
A Pós-modernidade trata
de uma rejeição do projeto iluminista e das suposições básicas sobre as quais
ele se ergueu.
A pós-modernidade, possui
uma mente pós-moderna, caracterizada em diversas áreas por um pós-modernismo
filosófico, uma atitude pós-moderna, um espírito pós-moderno; que refere-se à
atitude intelectual e às expressões culturais que estão se tornando cada vez
mais predominantes na sociedade contemporânea, através de uma consciência
pós-moderna.
A pós-modernidade é tida
como um fenômeno cultural, influenciando nos diversos meios, tais como na
arquitetura, na arte, no teatro, na ficção, na cultura popular, tendo como veículos
mais eficientes para a disseminação do espírito pós-moderno por toda a
sociedade, a televisão, o cinema, o computador.
É certo que a cena já não representará... já
não virá repetir um presente, representar um presente que estaria noutro lugar
e antes dela, cuja plenitude seria mais velha do que ela, ausente de cena e
podendo de direito passar sem ela: presença a si do Logos absoluto, presente
vivo de Deus. [5]
O
filósofo francês Jacques Derrida (1971), reivindica o abandono tanto da
onteologia, como da metafísica da presença; e, segundo Michel Foucault, toda
interpretação da realidade é uma declaração de poder.
Richard
Rorty relata que a verdade não é estabelecida quer pela correspondência de uma
afirmação com a realidade objetiva quer pela coerência interna das afirmações
em si mesmas. Argumenta que deveríamos simplesmente abandonar a busca pela
verdade e nos contentarmos com a interpretação.
A
obra de Derrida, Foucault e Rorty, reflete o que parece ter se tornado a
verdade central da filosofia pós-moderna.
Não
existe verdade absoluta, pelo contrário, a verdade é relativa à comunidade da
qual participamos. Nossa sociedade, porém, está no meio de uma transição
monumental, da modernidade para a pós-modernidade.
Por
anos, combateu-se a idéia de que os fins justificam os meios, porque essa
premissa justificava comportamentos aéticos.
Hoje, o problema
aprofundou-se. Não se sabe mais se a igreja existe para levantar dinheiro ou se
o dinheiro existe para dar continuidade à igreja.
Crescer
numericamente não imuniza a igreja de perigos. Pelo contrário, torna-a mais
vulnerável. Grande soma de pessoas têm abandonado as suas igrejas em busca de
uma nova unção, uma nova onda do Espírito. Portanto, faltam com a fidelidade
para com a denominação, e, acabam não possuindo raízes, tornando passíveis de
uma queda, derrota.
O
pluralismo tem várias grandes pressuposições que controlam todo um conjunto de
idéias inclusivistas, o abandono da arrogância cultural e teológica é uma
dessas pressuposições, num contexto pluralista em que vivemos, ninguém pode
afirmar algo sobre fundamentos da sociedade e da moralidade, razão e fé - pois
tudo é relativo.
Outra
pressuposição do pluralismo religioso é a ausência da verdade absoluta.
Segundo
Nietzsche (1978), nosso mundo é uma obra de arte em contínua criação e
recriação. Nada há, porém, “por trás” ou “além” dessa teia de ilusões. De certa
forma, a “obra de arte”, em todo seu esmero, cria-se a si mesma; de algum modo,
ela dá à luz a si própria.
O que é a verdade, portanto? Um batalhão
móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismo, enfim, uma soma de relações
humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas,
enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e
obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são,
metáforas que se tornaram gasta e sem força sensível, moedas que perderam sua
efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moeda. [6]
Não
existe a verdade, mas verdades. A verdade é alguma coisa subjetiva, na mente de
quem interpreta um texto, mas não no texto propriamente. O pós-modernismo tem
sido caracterizado por uma aversão endêmica pelas questões da verdade.
Assim,
na concepção pluralista, nenhuma religião, inclusive o cristianismo, é a
depositária da verdade. Não existe a idéia de definição: este versus aquele.
Não deve haver, em
hipótese alguma, a definição de estar de um lado ou de outro, como se somente
um dos lados estivesse com a verdade. A verdade está com todas as religiões, e
, não é propriedade de uma só. Há uma relativização histórica das verdades do
cristianismo.
Dá
para perceber que não é simplesmente a verdade que está em jogo, mas também o
poder.
Há
muitos sacerdotes evangélicos que não estão percebendo o grande perigo da
inconsistência teológica, que é produto direto do pluralismo em que vivemos. Na
presente geração de sacerdotes, muitos não possuem solidez e consistência
teológica.
Uma parte da nova geração
de sacerdotes que está sendo formada em muitos seminários vem sendo atacada
pelo pós-modernismo, e ela não percebe isso.
Temos
que evitar o perigo da inconsistência teológica. Temos que assumir a nossa
identidade doutrinária com as devidas cores. Não podemos ser camaleões,
assumindo a cor do ambiente onde estamos. Temos que lutar contra as
inconsistências teológicas em nosso mundo pluralista.
Os
pós-modernistas acabam caindo na inconsistência de aceitar verdades universais
para resolver situações específicas.
As
pessoas não estão preocupadas com a verdade na Igreja, mas se os resultados
aparecem; muitos ministros têm sacrificado a verdade em nome da performance, em
benefícios dos resultados. A crença básica do pluralismo está expressa nestas
palavras de McGrath:
Todos os sistemas de crença devem ser
considerados como igualmente plausíveis. Alguma coisa é verdadeira se ela é
verdadeira para mim. O cristianismo tem se tornado aceitável porque é crido ser
verdadeiro por alguns, não porque ele é verdadeiro.[7]
Olham
para além da razão e dão guarida a meios não-racionais de conhecimento, dando
às emoções e às intuições um status privilegiado.
A
pós-modernidade afirma e celebra a diversidade, o relativismo e o pluralismo, a
celebração da diversidade cultural, por sua vez, requer um novo estilo: o
ecletismo.
Podemos
encontrar na pós-modernidade a duplicidade de códigos, diversidade, a ênfase ao
sentimento, a opinião coletiva, o que funciona, a produção de informações.
Segundo
Jencks (1989), a Pós-modernidade é marcada pelo pluralismo e relativismo
exacerbado, e pela negação de critérios de verdade.
O pós-modernismo é, fundamentalmente, a
mistura eclética de uma tradição qualquer com a tradição do passado imediato:
é, a um só tempo, a continuação do modernismo e sua transcendência. Suas
melhores obras têm como característica a duplicidade de códigos e a ironia, a
padronização de um amplo espectro de opções, o conflito e a descontinuidade das
tradições, porque é a heterogeneidade que capta com maior clareza nosso pluralismo. [8]
Enquanto que nas
academias do pré-modernismo e do modernismo buscou-se a verdade objetiva
através da pesquisa, nas academias do pós-modernismo procura-se “o que
funciona”.
A tentativa dos
pós-modernistas é de desmantelar todos os sistemas construídos anteriormente.
Enquanto o cristianismo
moderno enfatiza a experiência com Cristo Jesus como base de sua fé, no
pluralismo pós-modernista é a de que a experiência religiosa de todas as
tradições deve ser fonte de autoridade.
Segundo o princípio pluralista,
a fé cristã tem que se contentar em ser apenas mais uma entre as muitas
alternativas religiosas neste mundo pós-modernista.
A fé cristã não pode
jactar-se de ser a única detentora da verdade. O orgulho teológico do
cristianismo deve ser combatido.
A Pós-modernidade tem
influenciado na vida do ministério sacerdotal em diversos aspectos, onde
podemos ressaltar uma consistência doutrinária rala, demonstrando pouca
preocupação ética e um mínimo de impacto social.
A teologia liberal tem
minado o ânimo evangelístico, havendo uma forte tendência teológica e litúrgica
na busca de uma divindade que se molde aos contornos teológicos dessa igreja e
que ofereça apoio aos anseios e caprichos pessoais.
O deus que está a serviço
de seu povo para lhe cumprir todos os desejos certamente não é o Deus da
exortação de Hebreus 12:28-29. As experiências que só geram arrepios pelo corpo
são relatadas como se Deus fosse apenas um estimulante químico.
Uma
das marcas mais patéticas do tempo em que vivemos é a repetição maçante de
jargões nos púlpitos evangélicos.
Frases de efeito são
copiadas e multiplicadas nos sermões. Servem para esconder o despreparo
teológico e a falta de esmero ministerial. Manipulam-se os auditórios, eleva-se
a temperatura emotiva dos cultos, mas não se cria um enraizamento de
princípios.
A insegurança diante do
novo e do imponderável, a identidade ameaçada pela globalização fazem ressurgir
certas práticas culturais tidas como pré-modernas.
A Pós-Modernidade
encolheu-se, e morre com a doença do pânico.
No mundo pós-moderno, o
homem considera Deus como um louco, um ser enlouquecido, tudo para o homem
falhou, o homem descrê de tudo, de todos e de si, diante da falta de opções
para o futuro ele inquieta-se e procura buscar do passado, na pré-modernidade,
respostas para seu dilema. Segundo Grenz (1996), o homem está em busca de um
paraíso perdido e distante.
A transição da era moderna para a pós-moderna
coloca um sério desafio à igreja e à sua missão no contexto de sua nova
geração. Confrontados por esse novo estado de coisas, não podemos cair na
armadilha do desejo nostálgico pelo retorno daquela modernidade primitiva que
deu à luz o movimento evangélico, pois não somos chamados a ministrar a uma
época remota, mas aos dias de hoje, cujo contexto acha-se sob a influência da
pós-modernidade. [9]
A
pós-modernidade assume formas diversas. Ela aparece personificada em certas
atitudes e expressões que tocam o dia-a-dia de inúmeras pessoas da sociedade
contemporânea.
Os pós-modernos substituíram
o ideal do Iluminismo pela crença de que todas as reivindicações à verdade - e,
em última análise, à verdade em si mesma - estão condicionadas socialmente.
II ALGUMAS PRESSÕES DA PÓS-MODERNIDADE SOBRE O
MINISTÉRIO
SACERDOTEAL.
As igrejas do passado funcionavam,
mais ou menos, como centros comunitários nas pequenas cidades e bairros onde se
instalavam. Lá, as pessoas encontravam-se e desenvolviam um ambiente de
aconchego.
Divertiam-se, tinham
sonhos comuns, namoravam e casavam. É verdade que havia muita fofoca, as vezes
uns se metiam exageradamente na intimidade dos outros, mas em compensação os
laços de amizade e afetos eram duradouros.
Hodiernamente,
numa igreja urbana as pessoas chegam anonimamente, assistem passivamente ao
culto e saem como entraram, anonimamente, muitas vezes sem ao menos serem
cumprimentadas na porta pelo sacerdote.
As
igrejas gradativamente deixam de ser centros comunitários para se converterem
em centros de auto-ajuda. O fim disso tudo é que conseguem produzir momentos,
apenas momentos, de júbilo, alegria e sensações.
Quando, porém, despedem
as multidões, devolvem-nas à solidão e desespero de suas vidas. A igreja assim
pode até ganhar o mundo inteiro. Contudo, perdendo sua capacidade de oferecer
afetos, não perde também sua alma? Mateus 8:36.
2.1
O membro como consumidor.
Estamos
vivendo em meio a uma sociedade consumista, onde o ser humano vive cercado por
produtos lançados pela mídia, durante todo o dia, passando a ser visto não como
um ser criado para adorar a Deus, mas um ser criado para consumir, na busca de
possuir coisas e consumi-las. E envolvido neste sistema de pensar, encontramos
presas e predadores.
Não nos esqueçamos de que existem vítimas da
prosperidade, gerações inteiras devoradas pela droga, pelo vazio existencial,
pela falta de desafio, de motivação.[10]
Muitos
traços e características do capitalismo de hoje são impensáveis, se não
certamente condenados na história da Igreja Cristã. A cobrança de juros era
contrária à lei. A reserva de mercado e a especulação eram considerados como
dissoluto.
No século IV, Agostinho
dizia que “ Os negócios em si mesmo são
um mal”. Na mesma ocasião Jerônimo achava que “O negociante raramente pode
agradar a Deus, se é que pode”.
Assim como no meio
comercial, o mesmo tem acontecido no seio de muitas igrejas, ou seja, a razão
não está mais centralizada e alicerçada na Palavra de Deus, e sim, na palavra
do membro.
No
mercado, o cliente sempre tem razão e, como o gosto dos clientes muda
rapidamente, a mentalidade mercantil da igreja a força a adaptar-se ao sabor
dos novos eventos. Entendem-se porque tantos modismos eclesiásticos e tantos
novos ventos de doutrina: uma necessidade de agradar o cristão como se ele
fosse um cliente.
O consumismo tem
alcançado e dominado a muitos em diversas áreas, tendo como lema “Consumir para
viver e viver para consumir”; através da propaganda persuasiva e invasiva, o
consumismo tem entrado nos lares, sendo ele o avesso do cristianismo, possuindo
poder através do capitalismo e deste modo gerando mudanças na teologia, onde
procuram levar o membro a uma
estimulação consumista através do desejo, utilizando até mensagens de salvação
econômica.
Hoje
em dia, o membro de uma igreja evangélica, tem uma concepção diferente da dos
cristãos da Igreja Primitiva,
possuem hoje uma fé virtual, esquecem-se da fidelidade que
é uma virtude central da fé bíblica.
O
consumismo encontrou a porta da igreja evangélica. Tudo gira em torno do
indivíduo, e tudo existe para satisfazer às suas necessidades.
Esta
mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas, a
forma e o conteúdo das pregações, a escolha das músicas, o tipo de liturgia, e
as estratégias para crescimento de comunidades locais.
Métodos são justificados à
medida que se prestam para atrair mais freqüentadores, e torná-los mais
felizes, mais alegres, mais satisfeitos, e dispostos a continuar freqüentando
as igrejas.
Temos
percebido isto em diversos meios eclesiásticos, dentre eles a Igreja Católica
Romana, que abriu suas portas para os cultos afro-brasileiros, carismáticos,
onde a mesma procura envolver todos os seus fiéis, sem entrar em contradição
com seus pensamentos teológico-liberais que contracenam com a teologia da
libertação.
Décadas passadas
encontrávamos um piano antigo e um coral no momento da Koinonia, hoje temos
guitarras, violões elétricos, baterias eletrônicas, pedaleiras, teclados,
contra-baixos, e várias equipes de louvores, que procuram através de seus
vários ritmos, melodias e músicas; agradar as diversas classes de ouvintes
presentes em suas reuniões.
O
membro que antes falava em vigílias e retiros de orações mudou o vocabulário
para um vocabulário pós-moderno, hoje fala-se sobre lual de verão, com muita
música e animação, acampamentos onde após regressarem o mais comentado é “estou satisfeito, jogamos, bebemos,
brincamos...”.
Outros
membros, contrariados com a performance das reuniões nos templos, procuram
investir nas reuniões nos lares, o chamado culto doméstico, buscando assim
possuir o seu próprio público, através de reuniões de orações em casas
apertadas, invocando os dons espirituais e muitos fazendo até mesmo o mal uso
de tais dons, envolvidos por um “fogo estranho”, procuram agradar ao máximo as
pessoas presentes.
Dessa
forma, a igreja vai-se transformando paulatinamente em um lugar onde princípios
importantes são proclamados do púlpito, mas sem coerência nem consistência na
vida das pessoas.
Elas não querem ser
cobradas, passam a semana obrigadas a decidir sobre tudo e sentam-se nos bancos
das igrejas, dominicalmente, anelando um ambiente que as deixe aliviadas. Pagam
um sacerdote para que busque a Deus ao invés de O buscarem, investem em missões
para que os “chamados” façam por elas o trabalho sujo de ir a países pobres e,
ainda por cima, melindram-se quando se fala em injustiça social.
2.2 O membro estimulado a comprar.
Com
a teologia do “sentir-se bem”. O membro hoje é estimulado a comprar.
Muitos
evangélicos, quando preparam-se para irem à igreja já estão totalmente
envolvidos pelo pensamento consumista de comprar e gastar.
Em seu caminho para a
igreja ouvem mensagem evangélica pelo rádio e chegando ao templo, entram,
sentam e esperam ser servidos como se estivessem em um shopping center.
Não estão em busca de um
envolvimento íntimo com Deus, como verdadeiros adoradores, mas, sim, estão em
busca de algo que os possa chamar a atenção, agradar aos olhos, e
despertar-lhes um envolvimento maior, assim como um produto exposto na vitrina
de uma loja, de preferência em promoção, de maneira que possam sair
alimentados, satisfeitos, como um verdadeiros senhores clientes e não como
crentes.
As mensagens tornam-se
alegorias, que procuram entretê-los, de modo a levá-los a um estímulo para
aceitar ou não o teor exposto pelo pregador.
Entram nos templos como
verdadeiros consumidores, em busca do melhor envolvimento e entretenimento;
jovens andam pelo salão como se estivessem em uma praça pública, crianças fazem
da diaconia, verdadeiras “babás” enlouquecidas com as suas peripécias.
E, tão logo a igreja que
freqüentam deixa de satisfazer às suas necessidades consumistas, elas saem pela
porta tão facilmente quanto entraram.
Notamos
que atualmente o membro não se envolve por estar em íntima comunhão com Deus,
com os irmãos, mas tem-se envolvido de uma maneira consumista, os louvores têm
que despertá-lo a consumir o louvor, a mensagem por sua vez, têm que
despertá-lo a querer receber para si o teor da mesma. Nos dias atuais o membro
questiona o seu próprio envolvimento, de modo secularizado, racionalizado, deixando
de lado a fé, a graça, a redenção.
Igrejas têm procurado de
todo modo agradar aos seus clientes, mudam sua liturgia, programam momentos
especiais, correm em busca de pregadores que possam satisfazer aos desejos de
uma multidão sedenta por consumir, e de sentir-se realizada emocionalmente.
O pluralismo
pós-modernista traz conseqüências imperceptíveis a muitos paladares. Todas as
áreas são tratadas na esfera do comercialismo. O que se vende tem que ser de
acordo com os mais variados paladares dos consumidores.
III O SACERDOTE
COMO GERENTE.
Ser
sacerdote no mundo pós-moderno não é fácil. O sacerdote se vê acuado, pois
exerce uma profissão considerada irrelevante para a sociedade, quando é
escutado, seu falar fica na mesma categoria que os esotéricos.
Tendo o mesmo que servir
como gerente diante de uma massa consumista, procurando servir a todos e em
nome da “casa” saber ouvir e atender sem prejudicar o bom andamento e
funcionamento do estabelecimento, para não acarretar no esvaziamento e até
mesmo fechamento da mesma.
Desse
modo, o sacerdote corre vários riscos, pois por causa do avanço científico na
busca objetiva da verdade que pode ser testada e verificada, ao contrário da
fé, a religião foi departamentalizada, e consideram-na hodiernamente, como um
esforço dos fracassados para supersticiosamente controlar o desconhecido.
Assim, o sacerdote, na ótica do homem pós-moderno, é aquele que “fatura” em
cima dessa ignorância.
Buckarin,
colaborador de Lennin, escreveu o pensamento do “bolchevismo russo”, adotando
inúmeras vezes pêlos teóricos do consumismo como a posição a ser adotada no
combate à religião:
É necessário lutar contra a religião, não com
violência, mas com convicção. A igreja deve ser separada do Estado. Isto quer dizer:
que haja sacerdotes, se for preciso, mas que sejam sustentados por aqueles que
estão dispostos a aceitar o seu veneno. Existe um veneno que se chama ópio.
Quem fuma ópio tem os sonhos mais maravilhosos; sente-se como no paraíso.
Porém, seus efeitos não tardam em aparecer na saúde abalada: o fumador de ópio
transforma-se pouco e pouco num tranqüilo idiota. Exatamente a mesma coisa se
dá com a religião. Há pessoas que querem fumar ópio, porém seria absurdo que o
Estado à sua custa, isto é, à custa de todo o povo, quisesse financiar lugares
de encontro para os viciados, e pessoas que estivessem a serviço deles. Pelo
que se há de proceder com a igreja do seguinte modo ( o que aliás já se faz): sacerdotes,
bispos, metropolitas, patriarcas, abades, e toda a quadrilha ficam privados de
qualquer subvenção por parte do Estado. Os crentes, se assim o desejarem,
podem, a expensas suas, tratar os santos padres com salmão esturjão e outros
manjares prediletos.[11]
Bill Hibels, amigo do presidente Bill Clinton, e sacerdote
da Willow Creek Community Church, adequou sua igreja às necessidades do
mercado. Primeiro, pesquisou a zona mais rica de Chicago para descobrir qual o
tipo de igreja aquele segmento desejaria freqüentar.
Descobriu
que a maioria ansiava por um espaço light, sem legalismos, com uma abordagem
bem descontraída, com muita programação e pouca falação. Assim, ele começou uma
igreja em que o púlpito foi trocado pelo palco, o sermão virou uma encenação
teatral, e o louvor transformou-se num show.
Os
bancos de veludo da Willow Creek Community Church receberam atualmente mais de
30.000 pessoas aos domingos, todas em busca de um ambiente descontraído, que
fale de Deus, mas sem a atitude “culpabilizante” das igrejas do passado.
A
Willow Creek Community Church, adaptou-se deliberada e programaticamente às
exigências de sua clientela, demonstrando as forças que a pós-modernidade
exerce através de um poder avassalador sobre todas as instituições sociais,
inclusive sobre a própria igreja.
O sacerdote
precisa olhar no espelho sem se enxergar como espertalhão oportunista que vive
da fragilidade de algumas pessoas, procurando não incorrer nos riscos que sofre
dentro dos próprios redutos eclesiásticos, presentes nos momentos hodiernos,
que procuram tenazmente nos enfraquecer, riscos estes que bramam como leão no
interior de muitos ministros eclesiásticos.
3.1 O risco da comparação.
Alguns
sacerdotes, até mesmo seminaristas, deixam ser envolvidos por um mesquinho
sentimento de inveja, isto porque no ambiente pós-modernista em que vivemos
encontramos frases tais como “quem será que vai rebentar como grande
avivalista, sacerdote, conferencista, em nosso meio eclesiástico?”. Um espírito
de competição e disputa têm alojado em nosso meio episcopal, trazendo consigo
conseqüências trágicas, levando muitos a pensarem nos perigos existenciais,
morais e espirituais que correm, onde sobressaem os riscos da comparação.
3.2
O risco da elitização cultural.
A
pós-modernidade está mexendo com a cabeça dos sacerdotes, de forma que a
espiritualidade e o relacionamento com Deus estão sendo substituídos por uma
busca exacerbada de profissionalização.
O
sacerdote após quatro anos de curso na área teológica vê que o seu diploma não
possui nenhum reconhecimento diante do Ministério da Educação, levando-o a
querer fazer um curso secular que o possa fornecer aceitabilidade na sociedade.
Uns buscam no Direito, na
Sociologia, Filosofia, ou até mesmo chegam a buscar melhores conhecimentos nos
Estados Unidos e Europa, demonstrando assim a preocupação em entender a
insatisfação ministerial que leva sacerdotes a profissionalizarem-se.
Diversos
cursos têm surgido com o passar dos tempos, dentre eles o Mestrado em Divindade
(M.D), Doutor em Divindade (D.D) e outros, onde muitos dos mesmos podem ser até
mesmo efetuados por correspondência por aqueles que desejarem o título de
Doutor antes da menção de seu nome.
3.3 O risco da profissionalização.
Muitos
sacerdotes, seduzidos pelo mundo e sua riqueza, ajoelham-se no altar de “Mamom”
pensando que cultuam a Jeová.
Diante
de uma sociedade pluralista da pós-modernidade, líderes eclesiásticos têm-se
corrompido, deixando até mesmo princípios bíblicos de lado para assim poderem
viver uma vida regalada, com os prazeres efêmeros do mundo; encontramos hodiernamente
sacerdotes com guarda-costas, armados, com medo de serem seqüestrados, devido
ao seu alto montante financeiro, que alojam-se em hotéis não como sacerdotes e
sim como executivos, esperando deste modo serem bem atendidos pela empresa
prestadora de serviços.
Atualmente
o risco da profissionalização têm estado presente não somente nas megaigrejas,
mas também, nas pequenas, pois sacerdotes têm sido levados e influenciados pela
profissionalização, onde o mercado define suas funções ministeriais.
Com
seus salários faraônicos, esses líderes pressupõem que podem ser vitimados a
qualquer momento. Encontramos
até mesmo uma diferente classificação dentro das igrejas, sacerdotes
administrativos, sacerdotes exortativos, sacerdotes espirituais.
3.4
O risco de tornar-se um construtor de
monumentos.
Alguns
sacerdotes acham que no dia em que construírem e pastorearem o maior templo do
mundo, uma megacatedral, então serão reconhecidos pela sociedade; infelizmente,
tais sacerdotes estão correndo o risco de tornarem-se construtores de
monumentos, nada mais, pois a sociedade em si não compreende tamanho
empreendimento para que após sua conclusão venha ficar fechada durante toda a
semana sem nenhuma prestação de serviço à comunidade.
Sacerdotes
estrangulam os membros através das mais diversas campanhas pró-construção em
busca de obter alto número de moeda corrente para que possa colocar em prática
o seu “sonho encantado”, depois de pronto, realizado, nota-se que apenas foi
mais um sonho, e seu reconhecimento diante da sociedade é o mesmo,
irreconhecível.
A
sociedade em si, ao deparar-se com tamanha obra colossal, argumenta-se dentro
de uma lógica secular que se há tanto dinheiro para obras desnecessárias, devem
sobrar recursos para que as igrejas paguem os impostos como todos os outros
“negócios” instalados na cidade.
Sacerdotes
têm visto estas construções como um meio de auto-afirmação, esquecendo-se dos
dizeres do apóstolo Pedro em sua primeira carta no capítulo cinco, nos
primeiros versículos.
3.5 O risco da política
eclesiástica.
Desprezíveis
pela sociedade, alguns sacerdotes procuram refugiar-se no mundo eclesiástico,
do qual participam e fazem parte; envolvidos pelo trabalho que exercem,
sentem-se importantes, recebem carinho, acham-se numa posição de destaque, a
qual não teriam em meio a uma sociedade secularizada.
Deste
modo, fazem da igreja uma verdadeira área de campanha política, em que pessoas
de convívio íntimo à família do sacerdote acabam por ocupar cargos, e a
exercerem ofícios na igreja.
Algumas até mesmo sem
nenhuma qualificação para a área a ser trabalhada, outras vezes, familiares dos
próprios sacerdotes acabam por exercerem as funções, criando um verdadeiro
nepotismo eclesiástico.
Temos
presenciado, verdadeiras corridas eleitorais dentro das igrejas, igrejas que
politicarizaram-se eclesiasticamente, elegendo presbíteros às pressas para
poderem assim obter o título de igreja autônoma e não congregação.
Há
denominações que hodiernamente são um verdadeiro campo de batalha político,
onde compram-se votos através de favores, consagrações de obreiros que amanhã
garantirão a permanência dos sacerdotes candidatos à eleição. Lutas pela
presidência, campanhas entre a diaconia, em busca de alcançar o maior número de
votos.
Nas convenções, temos
escutado até mesmo certos tipos de desabafos de baixo escalão contra o próximo
procurando deste modo desqualificar o companheiro de ministério que almeja um
cargo superior.
Muitos
sacerdotes têm alcançado uma elite política dentro da denominação, através da
oratória, discursam como verdadeiros políticos, envolvidos por uma embriaguez
gramatical, devido a exuberância de suas palavras, recebem aplausos das
multidões, mas perdem a unção na Palavra; acreditam ser vitais e até mesmo
insubstituíveis dentro da denominação e para com o reino de Deus, não
percebendo que a própria igreja os rejeita.
Quão desastroso é esse tipo de recurso
político. Os sacerdotes perdem toda a sintonia com as necessidades e com o
pulsar da comunidade; ganham cargos e firmam-se como uma elite política, mas
perdem a unção da Palavra.
Os sacerdotes sentem-se, portanto, acossados
por todos os lados. Como indivíduos lutam para se sentir valorizados; como
profissionais competem no mercado de trabalho com uma remuneração baixa e com
desprestígio; como maridos e pais acham-se sufocados, e como sacerdotes de alma
não têm princípios bíblicos que norteiem seus ministérios! [12]
IV ALGUNS EXEMPLOS BÍBLICOS DE
MINISTÉRIO SACERDOTAL
4.1 Moisés - Um homem que trocou o Palácio pelo
deserto.
Um grande legislador hebreu,
pertencente à tribo de Levi, da família de Coate e da casa de Anrão, Êxodo
6:18-20, filho de Jacobede, sua mãe. Adotado pela filha de faraó, ainda
criança, o mesmo obteve educação principesca, instruído em toda a literatura
dos egípcios, Atos 7:22.
Moisés
possuía grandes dotes naturais, aperfeiçoados por uma cultura especial, que o
preparavam para exercer missão mais elevada do que a de ser herdeiro do trono
dos Faraós.
Familiarizou-se
com a vida na corte, privou com os príncipes, contemplou a grandeza, as pompas
e os rituais do culto; entrou no conhecimento do simbolismo convencional,
fez-se tal quanto o permitiam as idéias do tempo. Presidiu à administração da
justiça e familiarizou-se com as artes em uso na vida civilizada daquela época.
Contudo,
não perdeu de vista a sua origem, acreditava nas promessas reservadas ao povo
hebreu.
Tendo
visto um dos egípcios lutando com um dos hebreus, matou-o, escondendo o cadáver
na areia. Faraó tendo notícia do caso procurava matar a Moisés; mas este, fugindo
da sua vista, retirou-se para a terra de Midiã.
Não quis ser chamado
filho da filha de Faraó, e lançou a sua sorte com o povo de Deus, assumindo as
funções de salvador e juiz sobre ele, Êxodo 2:11-15; Atos 7:24-28; Hebreus
11:24,25.
Este
lapso de tempo serviu-lhe de escola preparatória, convivendo com homens que
exerciam funções elevadas entre os midianitas, homens de bom senso e sacerdotes.
Neste meio, Moisés
alargou seus conhecimentos religiosos e familiarizou-se com as formas de culto,
ficou conhecendo os caminhos do deserto, os recursos que ali havia, estudou o
clima e os costumes do povo. No meio da grandeza solene do deserto e de sua
profunda solidão, teve tempo para meditar e refletir.
Ao
terminar este período, foi ele surpreendido com o incêndio de uma sarça, que
ardia sem se consumir. Aproximando-se para observar o fenômeno, o Senhor o
chamou no meio da sarça para ir libertar o seu povo.
Assim
como Moisés, que teve que trocar o palácio, a casa real, para poder assim
refugiar-se no deserto, é necessário, que façamos uma reflexão sobre a vida
ministerial, para vermos se estamos ou não sendo ludibriados pelo comodismo,
pelas pressões da pós-modernidade, e assim tomar-mos um posicionamento diante
de Deus e do Corpo de Cristo, de tal modo que possamos ser chamados e
conhecidos como filhos de Deus e não como filhos da pós-modernidade.
4.2 Neemias - Um profissional
a serviço do Reino.
Filho de Hacalias,
Neemias 1:1, exercia as funções de copeiro junto ao rei Artaxerxes Longímano,
rei dos persas.
A primeira coisa para a
qual desejamos atentar bem, para proveito prático das nossas almas, é o
espírito com que está impregnada toda a conduta de Neemias.
Ele foi o instrumento de
Deus preparado para Sua glória nas circunstâncias que agora nos são
apresentadas.
Vejamos os sentimentos de
Neemias. Em Susan, ele tinha todas as comodidades. Era uma mudança infeliz,
tanto quanto parecia, abandonar a corte do rei para ir para o meio de toda a
ruína da terra da Judéia e da cidade de Jerusalém.
Ele era evidentemente
respeitado e estimado pelo rei. Ocupava um lugar de grande responsabilidade,
pois não devemos confundir o lugar de um servo nos tempos modernos com o lugar
que Neemias ocupava.
Um copeiro, nesses dias,
era alguém que estava em muita intimidade com o rei, e, neste caso, com o rei
da Pérsia.
O copeiro, portanto,
ocupava um posto delicado e de grande responsabilidade no império. Podia
dispor, se nos é permitido falar, da vida do rei.
E todo aquele que ocupava
esta posição estava, praticamente, num lugar de maior intimidade com o rei; era
uma espécie de grão-vizir ou primeiro-ministro do rei, contudo o coração de
Neemias estava com o povo de Deus.
Assim como Moisés, que
amava o povo, e, mais do que isso amava a Deus. Ele tinha o sentido do que era
a glória de Deus, e a compreensão de que Deus havia de atuar segundo a Sua
glória, e que não havia outro meio de abençoar o povo.
Assim pensava Neemias,
como Moisés pensou no princípio assim pensou ele no fim da história; um antes
do povo ser formado nação, o outro, no fim da nacionalidade. “Lo ammi”. - “Não
sois meu povo”- Oséias 1:9, era agora escrito acerca de Israel, mas o mesmo
espírito estava com os dois homens, se bem que em circunstâncias inteiramente
diferentes.
O coração de Neemias
estava cheio de tristeza. Não era um caso pessoal; era unicamente a mágoa do
amor; porém, a tristeza do amor em conformidade com Deus. Era o amor pelo povo,
porque era o Seu povo, embora Deus tivesse apagado o seu título de povo de
Deus.
Todavia, ele sabia bem
que apesar de Deus ter lançado fora o povo temporariamente não era para sempre;
e que o título “Meu povo” brilhará em Israel com mais esplendor do que nunca
quando o Messias os reconhecer outra vez.
Neemias amou o povo de
Deus na própria ocasião em que ele tinha perdido o seu título e estava sendo
castigado pelas suas faltas graves e pecados contra Deus, numa ocasião em que
parecia ser a coisa mais razoável deixá-lo. Contudo, nada disso o preocupou.
Ele sabia que havia na
terra apenas o remanescente desse povo, culpado e justamente punido, mas, ainda
assim, o povo de Deus, com o qual estavam ligados os planos de Deus de bênção e
graça para o mundo. Sabia que na terra de Israel, e somente ali, devia nascer o
Messias, que era nessa terra, e entre esse povo, que o Cristo havia de vir.
Portanto, o seu coração
volta-se para Jerusalém. A cidade podia estar em ruínas, e estava; mas o seu
coração estava ali também.
Neemias era um grande
profissional, que dispôs-se a trabalhar no serviço do Reino, estava contente
por se encontrar apenas entre alguns do remanescente. Isto é um pensamento
triste, mas devemos sempre encarar a verdade.
Este fato não obrigou a
Neemias a desprezar o remanescente. A sua razão para o considerar com afeição
peculiar quer andasse bem ou mal, era que eles eram o povo de Deus.
Neemias, um homem de
Deus, um profissional a serviço do Reino.
A culpa da Cristandade,
não temos receio em afirmar, é pior do que a culpa de Israel. Incomparavelmente
mais bem-aventurada, é incomparavelmente mais culpada, porque o grau de culpa é
sempre em proporção às misericórdias pervertidas ou violadas.
Contudo, atrevemos a
dizer que devemos amar a igreja, não meramente o evangelho, ou só o Senhor.
Porquanto, se
compreendermos os sentimentos de Cristo, conheceremos que Cristo ama a igreja;
e, portanto, contentarmo-nos apenas com as misericórdias que o Senhor nos dá é
como se Neemias bendissesse a Deus pelo que tinha no palácio do rei, e
estivesse contente por não ter inquietações, nem cuidados, nem lágrimas e sem
ter de orar pelo povo de Deus.
4.3 Daniel - O profeta estadista fiel a Deus.
Foi levado cativo a
Babilônia durante o reinado de Joaquim, Daniel 1:2. Ele e três companheiros
foram selecionados para que fossem ensinados a servir ao rei, devido às suas
qualidades especiais, Daniel 1:3-4.
Podemos
observar semelhanças entre a vida de Daniel e a de José.
Ambos
foram levados cativos na juventude, foram jovens modelos, e serviram na corte
real. Ambos foram perseguidos injustamente, suas penalidades converteram-se em
fundamentos sólidos que lhes proporcionaram honra. Através da interpretação de
sonhos foram promovidos a governantes. Ambos viveram vidas duras em meio a ambientes
corruptos, e ambos morreram em terras estrangeiras.
Daniel,
como Moisés, foi estadista e profeta. Como vidente, possuía uma visão
telescópica de alcance maior que a maioria dos profetas. Viu mais além da vinda
do Messias, viu seu reinado como Rei dos reis. Ele é particularmente um profeta
dos últimos dias.
Daniel
possuía domínio próprio, Daniel 1:8;10:3. Coragem, Daniel 5:22,23; integridade,
Daniel 6:4, devoção, Daniel 2:17,18;6:10. Humildade, Daniel 10:17, visão
espiritual, Daniel 7:9-12; 10:5,6.
Daniel
foi levado cativo para Babilônia por Nabucodonosor por ocasião do primeiro
cerco de Jerusalém que se deu no ano 605
a.C. Como cativo, foi separado com mais alguns para exercerem funções de
estado. Tiveram coragem de substituir as iguarias do rei por comidas simples
para que assim não viessem contrariar as leis de Moisés.
Ezequiel citou o nome de
Daniel como exemplo de notável retidão e sabedoria, Ezequiel 14:14; 28:3.
A profecia de Daniel é
citada por Jesus Cristo, como genuína e como certos os seus vaticínios nelas
contidos, Mateus 24:15. Josefo acreditava que as profecias de Daniel já
existiam antes de Alexandre, o Grande, 330 a.C. e até mesmo no tempo de
Artaxerxes.
Daniel foi um grande
exemplo bíblico de ministério sacerdotal, não deixando-se vencer pelos rituais
pagãos da época, sendo fiel para com Deus, homem digno de nota e esmero.
Face a uma política
econômica, social e religiosa como a que estamos vivenciando hodiernamente,
precisamos ser idôneos, e deste modo possuirmos uma postura ministerial tal
como Daniel, tendo tais características: domínio próprio, coragem, integridade,
devoção, Humildade, visão espiritual.
4.4 Paulo - Apóstolo e missionário.
Seu nome judaico anterior
era Saulo; assim denominado nos Atos dos Apóstolos, mesmo até depois da
conversão de Sérgio Paulo, procônsul de Chipre, Atos 13:9. Havia nascido em
Tarso, cidade principal da Cilicia, e pertencia a tribo de Benjamim, Filipenses
3:5.
De perseguidor aos
cristãos da Igreja Primitiva, tornou-se um dos maiores proclamadores do
Evangelho de Cristo, após a sua conversão a caminho de Damasco.
Paulo
era filho de um fariseu, cidadão romano, quando jovem aprendeu o ofício de
fazedor de tendas, ofício este que o auxiliou no decorrer de sua jornada
cristã, para não ser pesado aos irmãos. Homem de jejum e oração.
No
decurso de sua vida cristã, foi um homem que exerceu fielmente o ministério sacerdotal,
em defesa do cristianismo a tempo e fora de tempo. Trabalhou em vários lugares
procurando implantar o Reino de Deus em todos os lugares por onde passou;
sofreu por causa do evangelho a ponto de perder a própria vida.
Os foros de cidadão
romano, a instrução recebida nas escolas, as suas qualidades pessoais, tudo
isto serviu para fazer dele um instrumento especial para a obra missionária.
Paulo deu início à obra
de evangelização; em parte graças à sua natural energia, e também por haver
Deus revelado que ele ia ser vaso escolhido para levar o seu nome diante das
gentes, dos reis e dos filhos de Israel, isto é, missionário e apóstolo, Atos
9:15;26:16-20; Gálatas 1:15,16.
Paulo exerceu fielmente o
seu ministério sacerdotal, e em um dos seus escritos ele expressa o seu
sofrimento por amor do evangelho de Cristo. 2 Coríntios 10:23-33.
(...) São ministros de Cristo? (falo como
fora de mim) eu ainda mais. Em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que
eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes. Cinco vezes
recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um. Três vezes fui açoitado
com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um
dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos
entre patrícios, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no
deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalho e
fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio
e nudez. Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o
cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça?
Quem se escandaliza, que eu não me abrase? Se é preciso gloriar-me,
gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. Em Damasco,
o que governava sob o rei Aretas pos guardas às portas da cidade dos
damascenos, para me prenderem. Mas por uma janela da muralha desceram-me num
grande cesto, e assim escapei das suas mãos (...)[13]
Encontramos
em Paulo um grande interesse pela Igreja, pêlos membros do Corpo de Cristo, um
ardor missionário, um anseio por proclamar as Boas Novas de Salvação em todo o
tempo; possamos ter como exemplo a vida ministerial do apóstolo Paulo que no
final da sua vida deixou registrado nos anais da história, este texto: “ Quanto a mim, já estou sendo derramado como
libação, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei
a carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:6-7.(ibid.)
4.5 Pedro - Um homem chamado por
Jesus para o ministério.
Simão era filho de certo João, João
1:42; 21:15,16,17, ou filho de Jonas, Mateus 16:17, talvez síncope da palavra
João, que, com seus filhos André e Pedro, exercia a profissão de pescador no
Mar de Galiléia, de parceria com Zebedeu e seus filhos, Mateus 4:18; Marcos
1:16; Lucas 5:3 e seg. Havia nascido em Betsaida, de onde se transferiu com sua
família para Cafarnaum. Jesus deu-lhe o sobrenome de Cefas ou Pedro que quer
dizer “Rocha”.
Em comum com os primeiros
discípulos de Jesus, Pedro recebeu três chamadas distintas de seu Mestre; a
primeira para ser discípulo, João 1:40; a segunda, para acompanhá-lo em sua
missão, Mateus 4:19; Marcos 1:17; Lucas 5:10; e a terceira para ser apóstolo,
Mateus 10:2; Marcos 3:14,16; Lucas 6:13,14.
Era ele quem primeiro
falava, o primeiro a confessar que Jesus era o Cristo Filho do Deus Vivo,
Mateus 16:16; Marcos 8:29, mas também foi o primeiro a dissuadir o Mestre a não
seguir o caminho dos sofrimentos, recebendo dele a mais formal repreensão,
Mateus 16:22; Marcos 8:33.
A
vida do apóstolo Pedro apresenta três feições muito distintas. A primeira é o
período de aprendizagem de que o Evangelho nos dá conta. Durante os anos de
convivência pessoal com Cristo aprendeu a conhecer-se a si mesmo e a seu
Mestre. Ele que havia protestado fidelidade incondicional a Jesus, terminou por
negá-lo três vezes, Mateus 26;69ss; Marcos 14:66ss; Lucas 22:54ss; João
18:15ss.
Neste epílogo de suas
experiências, parece terem desaparecido todos os conhecimentos adquiridos nos
anos de sua aprendizagem. Porém, o Divino Mestre termina o curso de seus
ensinos provando o coração de Pedro, restaurando-lhe a paz e a confiança, João
21:15 a seguir.
A segunda feição é o
período em que ele toma a dianteira aos demais apóstolos para regular os
negócios da igreja como se vêem nos primeiros capítulos de Atos.
A
terceira fase compreende o período de trabalho humilde no reino de Cristo
revelado nas epístolas do Novo Testamento. Depois de lançados os fundamentos da
igreja, Pedro toma lugar humilde, entrega-se ao trabalho de alargar os limites
do reino de Deus, e desaparece das páginas da história.
Sabe-se,
finalmente, que ele glorificou a Deus, sofrendo o martírio, João 21:19. O
apóstolo Pedro desenvolveu um profícuo ministério sacerdotal revestido de uma
encantadora humildade, despido de todas as pretensões no governo da igreja,
seguindo os ensinos de Paulo ou de Judas, e exortando os seus leitores a
permanecerem na fé que lhes era comum.
Pedro,
embora fosse um homem impulsivo por natureza, cheio de contradições estranhas:
às vezes presunçoso, outras vezes tímido e covarde, inclinado a ser egoísta,
lento para compreender as verdades mais profundas, depois do batismo
pentecostal do Espírito Santo, ele se converteu numa “rocha” cumprindo-se a
profecia de Cristo, Mateus 16:18; João 1:42; Atos 1:8.
Pedro, como ministro
chamado por Jesus para realizar uma obra sobremodo triunfante, deixou-nos
muitos exemplos para o ministério sacerdotal, pois, somos chamados por Jesus,
vocacionados, convocados, trabalhados, preparados por Ele, enviados, e cuidados
através do Seu amor.
CONCLUSÃO
Como
Filho da Reforma, do petismo e dos “espirituais” despertamentos, o movimento
evangélico nasceu nos primórdios do período moderno, tendo desse modo, laços
muito próximos com a modernidade.
Sempre
utilizando os instrumentos da modernidade, tais como o método científico, a
abordagem empírica da realidade e o realismo do senso comum.
Alguns
cristãos que se defrontam pela primeira vez com as idéias de pensadores como
Foucault, Derrida e Rorty tendem a recuar horrorizados diante da possibilidade
de que o projeto iluminista tenha ido longe demais.
Não
podemos simplesmente permitir que o cristianismo seja relegado ao status de
mais uma fé entre outras. O evangelho é, em sua essência, uma mensagem
missionária em expansão. Cremos não somente que a narrativa bíblica faz sentido
para nós, como é também mensagem de boas-novas para todos.
Ela proporciona a
satisfação dos desejos e das aspirações de todos os povos. Ela incorpora a
verdade - a verdade de toda a humanidade e para toda a humanidade.
No mundo pós-moderno, não
podemos mais seguir o caminho que nos aponta a modernidade, que situa o indivíduo
no centro dos acontecimentos. Em vez disso, é preciso que nos lembremos de que
a nossa fé é altamente social.
O fato de que Deus é a
trindade social - Pai, Filho e Espírito - dá-nos uma certa indicação de que o
propósito divino para a criação tem como alvo o inter-relacionamento do
indivíduo. Nosso evangelho deve se dirigir à pessoa humana no contexto das
comunidades a que ela pertence.
Nosso
objetivo, como ministros do Evangelho, não deve se resumir a fazer com que
outros concordem com uma lista de proposições corretas. Devemos empregar
proposições teológicas tais como “pecado” e “graça” para que outros encontrem a
Deus em Cristo e, em seguida, unam-se a nós na grandiosa jornada que busca
compreender o significado daquele encontro para toda a vida.
O evangelho que proclamamos implica a
integração do aspecto emocional-afetivo, bem como físico-sensual, juntamente
com o intelectual-racional, tendo em vista a pessoa humana como um todo.[14]
Vivemos
num mundo que é anti-Deus, anti-Cristo e anti-Palavra de Deus. O diabo é um
destruidor e ele tentará destruir o que Deus possa usar. Se é que vamos
concluir a tarefa que Deus nos deu, teremos que ter diante de nós a visão
global e pedir que Deus nos dê sabedoria na batalha.
Temos
que compreender que a tarefa que o Senhor nos entregou é a de sermos
testemunhas e fazermos discípulos. Nossa tarefa não é a de trazer uma nova
ordem mundial, mas sim fazermos discípulos de todas as nações.
A
pós-modernidade têm muitas deficiências em diversas áreas. Portanto, não devemos
simplesmente “acompanhar os novos tempos” e abraçar acriticamente a última moda
intelectual.
O envolvimento crítico
com a pós-modernidade não pode determinar com uma rejeição simplista de todo o
seu espírito. Nossas reflexões críticas devem nos levar a determinar os
contornos do evangelho que falará aos corações dos indivíduos pós-modernos.
Devemos nos envolver com
a pós-modernidade para que possamos discernir a melhor maneira de expressar a
fé cristã para a próxima geração.
O
evangelho de Jesus Cristo foi proclamado em todas as eras com poder para
converter os corações humanos.
O
ministério do Senhor não reside exclusivamente nas mãos de uma elite, e, sim,
está disponível para todos os crentes.
Nossa
missão como discípulos de Cristo consiste em encarnar e expressar as boas novas
eternas de salvação de modo que a nova geração possa compreendê-las.
Somente desse modo
poderemos nos tornar veículos do Espírito Santo, possibilitando assim às
pessoas experimentarem o mesmo encontro transformador com o Deus triuno de quem
toda a nossa vida extrai significado.
O
ministério sacerdotal passa por grandes tensões nesse final de século. As
crises e problemas que enfrenta não se resolverão se uma atitude de soberba e
discórdia perdurar entre lideranças. Urgentemente deve haver um clamor como o
de Jeremias 3:25:
Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-nos a
nossa ignomínia, porque temos pecado contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos
pais, desde a nossa mocidade até ao dia de hoje. Do contrário, ela corre o
risco de passar pelo mesmo vexame da igreja medieval, que ficou historicamente
conhecida como a igreja do “milênio de trevas”.[15]
A
sociedade atual é tão complexa, que somente através da sabedoria de Deus é que
o ministério sacerdotal poderá sobreviver aos seus desafios. Qualquer erro será
fatal.
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Sião, Brasília,1988, pág.21.
[2]
SARTRE, J.P., A Náusea, Editora Nova
Fronteira, Rio de Janeiro, 1994, pág.129.
[3]
GONDIM, Ricardo, Fim de Milênio: Os
perigos e Desafios da pós-modernidade na Igreja, Editora Abba Press, São Paulo,
SP, 1997, pág.19.
[4]
ibid. p. 22.
[5]
DERRIDA, Jacques, A escritura e a
diferença, São Paulo, Perspectiva, 1971, p.157.
[6]
NIETZSCHE, Friedrich - “Sobre verdade e
mentira no sentido extra-moral”, São Paulo, Abril, 1978, Os Pensadores, p. 48.
[7] McGrath, “The Chalenge of
Pluralism,”366
[8] JENCKS, Charles, What is
post-modernism? 3ª edição. (New York, St. Matin’s Press,1989)
[9] GRENZ,
Stanley J. - PÓS-MODERNISMO, pág. 28.
[11]
Citado por Georg Siegmund, O Ateísmo
Moderno, Edições Loyola, São Paulo,1966, .
[12] GONDIM,
Ricardo - Fim de Milênio: Os Perigos e
Desafios da pós-Modernidade na Igreja, pág.105
[13] Biblia
De Referência Thompson, Editora Vida, 1993, pág.1055
[14] GRENZ,
Stanley J. “Pós-modernismo”, pág. 248.
[15] Biblia
De Referência Thompson, Editora Vida, 1993
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