sábado, 16 de maio de 2015

O PRAGMATISMO RELIGIOSO SOB A INFLUÊNCIA DA PÓS-MODERNIDADE PRESENTE NO SÉCULO XX.



O PRAGMATISMO RELIGIOSO SOB A INFLUÊNCIA DA PÓS-MODERNIDADE PRESENTE NO SÉCULO XX.
FERREIRA, D.R.




INTRODUÇÃO
       
O relacionamento entre ministério sacerdotal e pós-modernidade não poderia, por nenhum esforço da imaginação, ser descrito como um casamento ideal. No entanto, ambos estão presentes cotidianamente no século XX e no futuro próximo, século XXI. Porém, devemos estar preparados para essa era que circunda-nos e projeta-se nas igrejas sobre todos.
Temos visto uma série de problemáticas que envolvem o ministério sacerdotal e a vida do ministro eclesiástico, frente às pós-modernidade.
Fatos que levam-nos a tratar do assunto de perto.
Falaremos sobre a pós-modernidade, no decorrer da história e suas influências na mídia, em diversos setores relacionados ao indivíduo e ao meio social.
De algumas pressões da pós-modernidade sobre o ministério sacerdotal, enfatizando a questão do membro como um consumidor, tendo sempre a razão e sendo estimulado a comprar em todo o momento até mesmo dentro dos templos, distanciando-o do verdadeiro evangelho, levando-o a buscar uma mensagem que possa satisfazer todos os seus desejos como consumidor.
Por outro lado, iremos expor a posição do sacerdote, ou seja, do ministro do evangelho, diante dessa massa consumista, como gerente de uma megaigreja, ou catedral, e os riscos que ele corre por assim agir. Riscos como a comparação, elitização cultural, profissionalização, construtor de monumentos, política eclesiástica;
Em contraste com as posições ministeriais de alguns sacerdotes junto à pós-modernidade, mostraremos alguns exemplos bíblicos de ministérios sacerdotais, citando como exemplo Moisés, Neemias, Daniel, Paulo, Pedro, que em todo o momento serviram ao Senhor não em busca de uma posição hierárquica egocêntrica, mas serviram por crerem e amarem um povo a quem Deus amou, e a um Deus que os amou em todo o momento. Homens estes, comuns, sujeito às mesmas paixões que nós, porém, homens que dispuseram-se a servir no Reino, com fidelidade, como profetas, apóstolos, missionários, chamados a servir, como discípulos. Assim, expressaremos uma perspectiva do ministério sacerdotal na pós-modernidade.









I  PÓS-MODERNIDADE

            Não podemos aqui traçar uma definição absoluta da pós-modernidade, pois estaríamos deste modo, definindo uma modernidade. Não poderíamos falar da pós-modernidade sem mencionar a modernidade.
            René Descartes definiu a natureza humana como uma substância pensante e a pessoa humana como sujeito racional autônomo.
            Enquanto na modernidade o objetivo era o empenho de infundir na vida um gerenciamento racional capaz de aperfeiçoar a existência humana por intermédio da tecnologia, com a defesa da autonomia do eu, o sujeito autodeterminante que existe fora de qualquer tradição ou comunidade, tendo a antropologia universalista moderna, em busca da verdade absoluta e sendo o conhecimento inerentemente bom, com a supremacia da razão, através do método científico; a pós-modernidade surgiu como uma rejeição da atitude moderna, embora tenha sido lançada no âmbito da modernidade.
            O pluralismo religioso vigente na sociedade contemporânea ocidental teve a sua origem em outros ismos filosófico-teológicos nestas últimas décadas. Ele tem a ver intimamente com o relativismo e com um pós-racionalismo do Iluminismo, que é o chamado pós-modernismo, além das influências do orientalismo religioso.           
            Francis Schaeffer (1988, p.21) afirmou que:
Um dos traços da Modernidade é a civilização admitir (consciente ou inconscientemente) que o universo e o homem podem ser explicados pelo impessoal, somado ao tempo e ao acaso.[1]

A filosofia, absorvida por toda a mentalidade da Renascença, convertia-se em racionalista. Novamente o ser humano tornava-se auto-suficiente.
Sören Kierkegaard (1813-1855), chamado “O Pai Do Existencialismo” reagiu a tudo isso. Ele rebateu a famosa frase de Descartes: “Penso, logo existo”. Para Kierkegaard, “quanto mais penso, menos sou, e quanto menos penso, mais sou”. O existencialismo, tornou-se uma força questionadora dos valores da Modernidade através de escritores como Albert Camus, que viveu na Europa no auge de sua produção literária, durante a II Guerra Mundial; para ele, o otimismo dos Iluministas havia sido um terrível engano.
Mas, Jean Paul Sartre (1994, p.129), contemporâneo de Camus, foi quem se tornou o grande artífice do existencialismo moderno e quem mais contribuiu para desacreditar os postulados renascentistas.
Em sua obra, o romance intitulado La Nausée, publicado em 1938, ele expõe seu ponto de vista:
Não tinha o direito de existir. Surgira por acaso, existia como uma pedra, uma planta, um micróbio. Minha vida se desenvolvia ao acaso e em todos os sentidos. Enviava-me às vezes sinais vagos; outras vezes percebia apenas um zumbido sem importância.[2]

Para Sartre (1994), não haviam pontos de referência previamente estabelecidos para guiar o homem.
Ricardo Gondim (1997,p.19), em seus escritos de reflexão bíblica expressa o seguinte:
O desejo enorme de reverter a realidade, aliado ao total desencanto, é o que se tenta denominar de Pós-Modernidade. Se na Modernidade, as pessoas gritavam: ‘Deus está morto’, hoje proclamam: ‘Marx também, e eu estou doente de morte’. Nessa bagunça toda em que irrompe a falência da civilização, as pessoas já não sabem mais se a tomografia computadorizada e o Shopping Center sem mendigos proclamam a aurora de uma nova civilização ou se Chernobyl, Ruanda e o viciado em crak.[3]
A modernidade crê em determinismo, a pós-modernidade, em intedeterminismo. Assim a modernidade enfatiza propósito e desígnio, a pós-modernidade enfatiza a chance e o acaso. A modernidade estabelece uma hierarquia; a pós cultiva a anarquia. A modernidade valoriza tipos, a pós, o mutantismo. A modernidade busca o logos, que oferece o substrato do universo expresso na linguagem, a pós abraça o silêncio e rejeita sentido e palavra [4].

A modernidade aconteceu não apenas na esfera da filosofia, mas também sociologicamente, trazendo como conseqüências a secularização, a privatização e a pluralização, que alternaram e esvaziaram três pilares da sociedade: o convívio, as relações humanas e a percepção da ética.
A Pós-modernidade trata de uma rejeição do projeto iluminista e das suposições básicas sobre as quais ele se ergueu.
A pós-modernidade, possui uma mente pós-moderna, caracterizada em diversas áreas por um pós-modernismo filosófico, uma atitude pós-moderna, um espírito pós-moderno; que refere-se à atitude intelectual e às expressões culturais que estão se tornando cada vez mais predominantes na sociedade contemporânea, através de uma consciência pós-moderna.
A pós-modernidade é tida como um fenômeno cultural, influenciando nos diversos meios, tais como na arquitetura, na arte, no teatro, na ficção, na cultura popular, tendo como veículos mais eficientes para a disseminação do espírito pós-moderno por toda a sociedade, a televisão, o cinema, o computador.
É certo que a cena já não representará... já não virá repetir um presente, representar um presente que estaria noutro lugar e antes dela, cuja plenitude seria mais velha do que ela, ausente de cena e podendo de direito passar sem ela: presença a si do Logos absoluto, presente vivo de Deus. [5]

            O filósofo francês Jacques Derrida (1971), reivindica o abandono tanto da onteologia, como da metafísica da presença; e, segundo Michel Foucault, toda interpretação da realidade é uma declaração de poder.
            Richard Rorty relata que a verdade não é estabelecida quer pela correspondência de uma afirmação com a realidade objetiva quer pela coerência interna das afirmações em si mesmas. Argumenta que deveríamos simplesmente abandonar a busca pela verdade e nos contentarmos com a interpretação.
            A obra de Derrida, Foucault e Rorty, reflete o que parece ter se tornado a verdade central da filosofia pós-moderna.
            Não existe verdade absoluta, pelo contrário, a verdade é relativa à comunidade da qual participamos. Nossa sociedade, porém, está no meio de uma transição monumental, da modernidade para a pós-modernidade.
            Por anos, combateu-se a idéia de que os fins justificam os meios, porque essa premissa justificava comportamentos aéticos.
Hoje, o problema aprofundou-se. Não se sabe mais se a igreja existe para levantar dinheiro ou se o dinheiro existe para dar continuidade à igreja.
            Crescer numericamente não imuniza a igreja de perigos. Pelo contrário, torna-a mais vulnerável. Grande soma de pessoas têm abandonado as suas igrejas em busca de uma nova unção, uma nova onda do Espírito. Portanto, faltam com a fidelidade para com a denominação, e, acabam não possuindo raízes, tornando passíveis de uma queda, derrota.
            O pluralismo tem várias grandes pressuposições que controlam todo um conjunto de idéias inclusivistas, o abandono da arrogância cultural e teológica é uma dessas pressuposições, num contexto pluralista em que vivemos, ninguém pode afirmar algo sobre fundamentos da sociedade e da moralidade, razão e fé - pois tudo é relativo.
            Outra pressuposição do pluralismo religioso é a ausência da verdade absoluta.
            Segundo Nietzsche (1978), nosso mundo é uma obra de arte em contínua criação e recriação. Nada há, porém, “por trás” ou “além” dessa teia de ilusões. De certa forma, a “obra de arte”, em todo seu esmero, cria-se a si mesma; de algum modo, ela dá à luz a si própria.
O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismo, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gasta e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moeda. [6]

            Não existe a verdade, mas verdades. A verdade é alguma coisa subjetiva, na mente de quem interpreta um texto, mas não no texto propriamente. O pós-modernismo tem sido caracterizado por uma aversão endêmica pelas questões da verdade.
            Assim, na concepção pluralista, nenhuma religião, inclusive o cristianismo, é a depositária da verdade. Não existe a idéia de definição: este versus aquele.
Não deve haver, em hipótese alguma, a definição de estar de um lado ou de outro, como se somente um dos lados estivesse com a verdade. A verdade está com todas as religiões, e , não é propriedade de uma só. Há uma relativização histórica das verdades do cristianismo.
            Dá para perceber que não é simplesmente a verdade que está em jogo, mas também o poder.
            Há muitos sacerdotes evangélicos que não estão percebendo o grande perigo da inconsistência teológica, que é produto direto do pluralismo em que vivemos. Na presente geração de sacerdotes, muitos não possuem solidez e consistência teológica.
Uma parte da nova geração de sacerdotes que está sendo formada em muitos seminários vem sendo atacada pelo pós-modernismo, e ela não percebe isso.
            Temos que evitar o perigo da inconsistência teológica. Temos que assumir a nossa identidade doutrinária com as devidas cores. Não podemos ser camaleões, assumindo a cor do ambiente onde estamos. Temos que lutar contra as inconsistências teológicas em nosso mundo pluralista.
            Os pós-modernistas acabam caindo na inconsistência de aceitar verdades universais para resolver situações específicas.
            As pessoas não estão preocupadas com a verdade na Igreja, mas se os resultados aparecem; muitos ministros têm sacrificado a verdade em nome da performance, em benefícios dos resultados. A crença básica do pluralismo está expressa nestas palavras de McGrath:
Todos os sistemas de crença devem ser considerados como igualmente plausíveis. Alguma coisa é verdadeira se ela é verdadeira para mim. O cristianismo tem se tornado aceitável porque é crido ser verdadeiro por alguns, não porque ele é verdadeiro.[7]

            Olham para além da razão e dão guarida a meios não-racionais de conhecimento, dando às emoções e às intuições um status privilegiado.
            A pós-modernidade afirma e celebra a diversidade, o relativismo e o pluralismo, a celebração da diversidade cultural, por sua vez, requer um novo estilo: o ecletismo.
            Podemos encontrar na pós-modernidade a duplicidade de códigos, diversidade, a ênfase ao sentimento, a opinião coletiva, o que funciona, a produção de informações.
            Segundo Jencks (1989), a Pós-modernidade é marcada pelo pluralismo e relativismo exacerbado, e pela negação de critérios de verdade.
O pós-modernismo é, fundamentalmente, a mistura eclética de uma tradição qualquer com a tradição do passado imediato: é, a um só tempo, a continuação do modernismo e sua transcendência. Suas melhores obras têm como característica a duplicidade de códigos e a ironia, a padronização de um amplo espectro de opções, o conflito e a descontinuidade das tradições, porque é a heterogeneidade que capta com maior clareza nosso pluralismo. [8]
Enquanto que nas academias do pré-modernismo e do modernismo buscou-se a verdade objetiva através da pesquisa, nas academias do pós-modernismo procura-se “o que funciona”.
A tentativa dos pós-modernistas é de desmantelar todos os sistemas construídos anteriormente.
Enquanto o cristianismo moderno enfatiza a experiência com Cristo Jesus como base de sua fé, no pluralismo pós-modernista é a de que a experiência religiosa de todas as tradições deve ser fonte de autoridade.
Segundo o princípio pluralista, a fé cristã tem que se contentar em ser apenas mais uma entre as muitas alternativas religiosas neste mundo pós-modernista.
A fé cristã não pode jactar-se de ser a única detentora da verdade. O orgulho teológico do cristianismo deve ser combatido.
A Pós-modernidade tem influenciado na vida do ministério sacerdotal em diversos aspectos, onde podemos ressaltar uma consistência doutrinária rala, demonstrando pouca preocupação ética e um mínimo de impacto social.
A teologia liberal tem minado o ânimo evangelístico, havendo uma forte tendência teológica e litúrgica na busca de uma divindade que se molde aos contornos teológicos dessa igreja e que ofereça apoio aos anseios e caprichos pessoais.
O deus que está a serviço de seu povo para lhe cumprir todos os desejos certamente não é o Deus da exortação de Hebreus 12:28-29. As experiências que só geram arrepios pelo corpo são relatadas como se Deus fosse apenas um estimulante químico.
            Uma das marcas mais patéticas do tempo em que vivemos é a repetição maçante de jargões nos púlpitos evangélicos.
Frases de efeito são copiadas e multiplicadas nos sermões. Servem para esconder o despreparo teológico e a falta de esmero ministerial. Manipulam-se os auditórios, eleva-se a temperatura emotiva dos cultos, mas não se cria um enraizamento de princípios.
A insegurança diante do novo e do imponderável, a identidade ameaçada pela globalização fazem ressurgir certas práticas culturais tidas como pré-modernas.
A Pós-Modernidade encolheu-se, e morre com a doença do pânico.
No mundo pós-moderno, o homem considera Deus como um louco, um ser enlouquecido, tudo para o homem falhou, o homem descrê de tudo, de todos e de si, diante da falta de opções para o futuro ele inquieta-se e procura buscar do passado, na pré-modernidade, respostas para seu dilema. Segundo Grenz (1996), o homem está em busca de um paraíso perdido e distante.
A transição da era moderna para a pós-moderna coloca um sério desafio à igreja e à sua missão no contexto de sua nova geração. Confrontados por esse novo estado de coisas, não podemos cair na armadilha do desejo nostálgico pelo retorno daquela modernidade primitiva que deu à luz o movimento evangélico, pois não somos chamados a ministrar a uma época remota, mas aos dias de hoje, cujo contexto acha-se sob a influência da pós-modernidade. [9]

            A pós-modernidade assume formas diversas. Ela aparece personificada em certas atitudes e expressões que tocam o dia-a-dia de inúmeras pessoas da sociedade contemporânea.
Os pós-modernos substituíram o ideal do Iluminismo pela crença de que todas as reivindicações à verdade - e, em última análise, à verdade em si mesma - estão condicionadas socialmente.




























II  ALGUMAS PRESSÕES DA PÓS-MODERNIDADE SOBRE O MINISTÉRIO  
     SACERDOTEAL.

            As igrejas do passado funcionavam, mais ou menos, como centros comunitários nas pequenas cidades e bairros onde se instalavam. Lá, as pessoas encontravam-se e desenvolviam um ambiente de aconchego.
Divertiam-se, tinham sonhos comuns, namoravam e casavam. É verdade que havia muita fofoca, as vezes uns se metiam exageradamente na intimidade dos outros, mas em compensação os laços de amizade e afetos eram duradouros.
            Hodiernamente, numa igreja urbana as pessoas chegam anonimamente, assistem passivamente ao culto e saem como entraram, anonimamente, muitas vezes sem ao menos serem cumprimentadas na porta pelo sacerdote.
            As igrejas gradativamente deixam de ser centros comunitários para se converterem em centros de auto-ajuda. O fim disso tudo é que conseguem produzir momentos, apenas momentos, de júbilo, alegria e sensações.
Quando, porém, despedem as multidões, devolvem-nas à solidão e desespero de suas vidas. A igreja assim pode até ganhar o mundo inteiro. Contudo, perdendo sua capacidade de oferecer afetos, não perde também sua alma? Mateus 8:36.

2.1   O membro como consumidor.

            Estamos vivendo em meio a uma sociedade consumista, onde o ser humano vive cercado por produtos lançados pela mídia, durante todo o dia, passando a ser visto não como um ser criado para adorar a Deus, mas um ser criado para consumir, na busca de possuir coisas e consumi-las. E envolvido neste sistema de pensar, encontramos presas e predadores.
 Não nos esqueçamos de que existem vítimas da prosperidade, gerações inteiras devoradas pela droga, pelo vazio existencial, pela falta de desafio, de motivação.[10]

            Muitos traços e características do capitalismo de hoje são impensáveis, se não certamente condenados na história da Igreja Cristã. A cobrança de juros era contrária à lei. A reserva de mercado e a especulação eram considerados como dissoluto.
No século IV, Agostinho dizia que “ Os negócios em si mesmo são um mal”. Na mesma ocasião Jerônimo achava que “O negociante raramente pode agradar a Deus, se é que pode”.
Assim como no meio comercial, o mesmo tem acontecido no seio de muitas igrejas, ou seja, a razão não está mais centralizada e alicerçada na Palavra de Deus, e sim, na palavra do membro.
            No mercado, o cliente sempre tem razão e, como o gosto dos clientes muda rapidamente, a mentalidade mercantil da igreja a força a adaptar-se ao sabor dos novos eventos. Entendem-se porque tantos modismos eclesiásticos e tantos novos ventos de doutrina: uma necessidade de agradar o cristão como se ele fosse um cliente.           
O consumismo tem alcançado e dominado a muitos em diversas áreas, tendo como lema “Consumir para viver e viver para consumir”; através da propaganda persuasiva e invasiva, o consumismo tem entrado nos lares, sendo ele o avesso do cristianismo, possuindo poder através do capitalismo e deste modo gerando mudanças na teologia, onde procuram levar  o membro a uma estimulação consumista através do desejo, utilizando até mensagens de salvação econômica.
            Hoje em dia, o membro de uma igreja evangélica, tem uma concepção diferente da dos cristãos da Igreja Primitiva,  possuem  hoje  uma fé virtual, esquecem-se da fidelidade que é uma virtude central da fé bíblica.
            O consumismo encontrou a porta da igreja evangélica. Tudo gira em torno do indivíduo, e tudo existe para satisfazer às suas necessidades.        
            Esta mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas, a forma e o conteúdo das pregações, a escolha das músicas, o tipo de liturgia, e as estratégias para crescimento de comunidades locais.
Métodos são justificados à medida que se prestam para atrair mais freqüentadores, e torná-los mais felizes, mais alegres, mais satisfeitos, e dispostos a continuar freqüentando as igrejas.
            Temos percebido isto em diversos meios eclesiásticos, dentre eles a Igreja Católica Romana, que abriu suas portas para os cultos afro-brasileiros, carismáticos, onde a mesma procura envolver todos os seus fiéis, sem entrar em contradição com seus pensamentos teológico-liberais que contracenam com a teologia da libertação.
Décadas passadas encontrávamos um piano antigo e um coral no momento da Koinonia, hoje temos guitarras, violões elétricos, baterias eletrônicas, pedaleiras, teclados, contra-baixos, e várias equipes de louvores, que procuram através de seus vários ritmos, melodias e músicas; agradar as diversas classes de ouvintes presentes em suas reuniões.
            O membro que antes falava em vigílias e retiros de orações mudou o vocabulário para um vocabulário pós-moderno, hoje fala-se sobre lual de verão, com muita música e animação, acampamentos onde após regressarem o mais comentado é “estou satisfeito, jogamos, bebemos, brincamos...”.
            Outros membros, contrariados com a performance das reuniões nos templos, procuram investir nas reuniões nos lares, o chamado culto doméstico, buscando assim possuir o seu próprio público, através de reuniões de orações em casas apertadas, invocando os dons espirituais e muitos fazendo até mesmo o mal uso de tais dons, envolvidos por um “fogo estranho”, procuram agradar ao máximo as pessoas presentes.
            Dessa forma, a igreja vai-se transformando paulatinamente em um lugar onde princípios importantes são proclamados do púlpito, mas sem coerência nem consistência na vida das pessoas.
Elas não querem ser cobradas, passam a semana obrigadas a decidir sobre tudo e sentam-se nos bancos das igrejas, dominicalmente, anelando um ambiente que as deixe aliviadas. Pagam um sacerdote para que busque a Deus ao invés de O buscarem, investem em missões para que os “chamados” façam por elas o trabalho sujo de ir a países pobres e, ainda por cima, melindram-se quando se fala em injustiça social.

2.2  O membro estimulado a comprar.

            Com a teologia do “sentir-se bem”. O membro hoje é estimulado a comprar.
            Muitos evangélicos, quando preparam-se para irem à igreja já estão totalmente envolvidos pelo pensamento consumista de comprar e gastar.
Em seu caminho para a igreja ouvem mensagem evangélica pelo rádio e chegando ao templo, entram, sentam e esperam ser servidos como se estivessem em um shopping center.
Não estão em busca de um envolvimento íntimo com Deus, como verdadeiros adoradores, mas, sim, estão em busca de algo que os possa chamar a atenção, agradar aos olhos, e despertar-lhes um envolvimento maior, assim como um produto exposto na vitrina de uma loja, de preferência em promoção, de maneira que possam sair alimentados, satisfeitos, como um verdadeiros senhores clientes e não como crentes.
As mensagens tornam-se alegorias, que procuram entretê-los, de modo a levá-los a um estímulo para aceitar ou não o teor exposto pelo pregador.
Entram nos templos como verdadeiros consumidores, em busca do melhor envolvimento e entretenimento; jovens andam pelo salão como se estivessem em uma praça pública, crianças fazem da diaconia, verdadeiras “babás” enlouquecidas com as suas peripécias.
E, tão logo a igreja que freqüentam deixa de satisfazer às suas necessidades consumistas, elas saem pela porta tão facilmente quanto entraram.
            Notamos que atualmente o membro não se envolve por estar em íntima comunhão com Deus, com os irmãos, mas tem-se envolvido de uma maneira consumista, os louvores têm que despertá-lo a consumir o louvor, a mensagem por sua vez, têm que despertá-lo a querer receber para si o teor da mesma. Nos dias atuais o membro questiona o seu próprio envolvimento, de modo secularizado, racionalizado, deixando de lado a fé, a graça, a redenção.
Igrejas têm procurado de todo modo agradar aos seus clientes, mudam sua liturgia, programam momentos especiais, correm em busca de pregadores que possam satisfazer aos desejos de uma multidão sedenta por consumir, e de sentir-se realizada emocionalmente.
O pluralismo pós-modernista traz conseqüências imperceptíveis a muitos paladares. Todas as áreas são tratadas na esfera do comercialismo. O que se vende tem que ser de acordo com os mais variados paladares dos consumidores.


























III  O SACERDOTE COMO GERENTE.

            Ser sacerdote no mundo pós-moderno não é fácil. O sacerdote se vê acuado, pois exerce uma profissão considerada irrelevante para a sociedade, quando é escutado, seu falar fica na mesma categoria que os esotéricos.
Tendo o mesmo que servir como gerente diante de uma massa consumista, procurando servir a todos e em nome da “casa” saber ouvir e atender sem prejudicar o bom andamento e funcionamento do estabelecimento, para não acarretar no esvaziamento e até mesmo fechamento da mesma.
            Desse modo, o sacerdote corre vários riscos, pois por causa do avanço científico na busca objetiva da verdade que pode ser testada e verificada, ao contrário da fé, a religião foi departamentalizada, e consideram-na hodiernamente, como um esforço dos fracassados para supersticiosamente controlar o desconhecido. Assim, o sacerdote, na ótica do homem pós-moderno, é aquele que “fatura” em cima dessa ignorância.
            Buckarin, colaborador de Lennin, escreveu o pensamento do “bolchevismo russo”, adotando inúmeras vezes pêlos teóricos do consumismo como a posição a ser adotada no combate à religião:
É necessário lutar contra a religião, não com violência, mas com convicção. A igreja deve ser separada do Estado. Isto quer dizer: que haja sacerdotes, se for preciso, mas que sejam sustentados por aqueles que estão dispostos a aceitar o seu veneno. Existe um veneno que se chama ópio. Quem fuma ópio tem os sonhos mais maravilhosos; sente-se como no paraíso. Porém, seus efeitos não tardam em aparecer na saúde abalada: o fumador de ópio transforma-se pouco e pouco num tranqüilo idiota. Exatamente a mesma coisa se dá com a religião. Há pessoas que querem fumar ópio, porém seria absurdo que o Estado à sua custa, isto é, à custa de todo o povo, quisesse financiar lugares de encontro para os viciados, e pessoas que estivessem a serviço deles. Pelo que se há de proceder com a igreja do seguinte modo ( o que aliás já se faz): sacerdotes, bispos, metropolitas, patriarcas, abades, e toda a quadrilha ficam privados de qualquer subvenção por parte do Estado. Os crentes, se assim o desejarem, podem, a expensas suas, tratar os santos padres com salmão esturjão e outros manjares prediletos.[11]

            Bill Hibels, amigo do presidente Bill Clinton, e sacerdote da Willow Creek Community Church, adequou sua igreja às necessidades do mercado. Primeiro, pesquisou a zona mais rica de Chicago para descobrir qual o tipo de igreja aquele segmento desejaria freqüentar.
Descobriu que a maioria ansiava por um espaço light, sem legalismos, com uma abordagem bem descontraída, com muita programação e pouca falação. Assim, ele começou uma igreja em que o púlpito foi trocado pelo palco, o sermão virou uma encenação teatral, e o louvor transformou-se num show.
Os bancos de veludo da Willow Creek Community Church receberam atualmente mais de 30.000 pessoas aos domingos, todas em busca de um ambiente descontraído, que fale de Deus, mas sem a atitude “culpabilizante” das igrejas do passado.
A Willow Creek Community Church, adaptou-se deliberada e programaticamente às exigências de sua clientela, demonstrando as forças que a pós-modernidade exerce através de um poder avassalador sobre todas as instituições sociais, inclusive sobre a própria igreja. 
O sacerdote precisa olhar no espelho sem se enxergar como espertalhão oportunista que vive da fragilidade de algumas pessoas, procurando não incorrer nos riscos que sofre dentro dos próprios redutos eclesiásticos, presentes nos momentos hodiernos, que procuram tenazmente nos enfraquecer, riscos estes que bramam como leão no interior de muitos ministros eclesiásticos.


3.1  O risco da comparação.

            Alguns sacerdotes, até mesmo seminaristas, deixam ser envolvidos por um mesquinho sentimento de inveja, isto porque no ambiente pós-modernista em que vivemos encontramos frases tais como “quem será que vai rebentar como grande avivalista, sacerdote, conferencista, em nosso meio eclesiástico?”. Um espírito de competição e disputa têm alojado em nosso meio episcopal, trazendo consigo conseqüências trágicas, levando muitos a pensarem nos perigos existenciais, morais e espirituais que correm, onde sobressaem os riscos da comparação.
           
3.2   O risco da elitização cultural.

            A pós-modernidade está mexendo com a cabeça dos sacerdotes, de forma que a espiritualidade e o relacionamento com Deus estão sendo substituídos por uma busca exacerbada de profissionalização.
            O sacerdote após quatro anos de curso na área teológica vê que o seu diploma não possui nenhum reconhecimento diante do Ministério da Educação, levando-o a querer fazer um curso secular que o possa fornecer aceitabilidade na sociedade.
Uns buscam no Direito, na Sociologia, Filosofia, ou até mesmo chegam a buscar melhores conhecimentos nos Estados Unidos e Europa, demonstrando assim a preocupação em entender a insatisfação ministerial que leva sacerdotes a profissionalizarem-se.
            Diversos cursos têm surgido com o passar dos tempos, dentre eles o Mestrado em Divindade (M.D), Doutor em Divindade (D.D) e outros, onde muitos dos mesmos podem ser até mesmo efetuados por correspondência por aqueles que desejarem o título de Doutor antes da menção de seu nome.

3.3  O risco da profissionalização.

            Muitos sacerdotes, seduzidos pelo mundo e sua riqueza, ajoelham-se no altar de “Mamom” pensando que cultuam a Jeová.
            Diante de uma sociedade pluralista da pós-modernidade, líderes eclesiásticos têm-se corrompido, deixando até mesmo princípios bíblicos de lado para assim poderem viver uma vida regalada, com os prazeres efêmeros do mundo; encontramos hodiernamente sacerdotes com guarda-costas, armados, com medo de serem seqüestrados, devido ao seu alto montante financeiro, que alojam-se em hotéis não como sacerdotes e sim como executivos, esperando deste modo serem bem atendidos pela empresa prestadora de serviços.
            Atualmente o risco da profissionalização têm estado presente não somente nas megaigrejas, mas também, nas pequenas, pois sacerdotes têm sido levados e influenciados pela profissionalização, onde o mercado define suas funções ministeriais.
            Com seus salários faraônicos, esses líderes pressupõem que podem ser vitimados a qualquer momento.            Encontramos até mesmo uma diferente classificação dentro das igrejas, sacerdotes administrativos, sacerdotes exortativos, sacerdotes espirituais.


3.4   O risco de tornar-se um construtor de monumentos.

            Alguns sacerdotes acham que no dia em que construírem e pastorearem o maior templo do mundo, uma megacatedral, então serão reconhecidos pela sociedade; infelizmente, tais sacerdotes estão correndo o risco de tornarem-se construtores de monumentos, nada mais, pois a sociedade em si não compreende tamanho empreendimento para que após sua conclusão venha ficar fechada durante toda a semana sem nenhuma prestação de serviço à comunidade.
            Sacerdotes estrangulam os membros através das mais diversas campanhas pró-construção em busca de obter alto número de moeda corrente para que possa colocar em prática o seu “sonho encantado”, depois de pronto, realizado, nota-se que apenas foi mais um sonho, e seu reconhecimento diante da sociedade é o mesmo, irreconhecível.
            A sociedade em si, ao deparar-se com tamanha obra colossal, argumenta-se dentro de uma lógica secular que se há tanto dinheiro para obras desnecessárias, devem sobrar recursos para que as igrejas paguem os impostos como todos os outros “negócios” instalados na cidade.
            Sacerdotes têm visto estas construções como um meio de auto-afirmação, esquecendo-se dos dizeres do apóstolo Pedro em sua primeira carta no capítulo cinco, nos primeiros versículos.

3.5  O risco da política eclesiástica.
           
            Desprezíveis pela sociedade, alguns sacerdotes procuram refugiar-se no mundo eclesiástico, do qual participam e fazem parte; envolvidos pelo trabalho que exercem, sentem-se importantes, recebem carinho, acham-se numa posição de destaque, a qual não teriam em meio a uma sociedade secularizada.
            Deste modo, fazem da igreja uma verdadeira área de campanha política, em que pessoas de convívio íntimo à família do sacerdote acabam por ocupar cargos, e a exercerem ofícios na igreja.
Algumas até mesmo sem nenhuma qualificação para a área a ser trabalhada, outras vezes, familiares dos próprios sacerdotes acabam por exercerem as funções, criando um verdadeiro nepotismo eclesiástico.
            Temos presenciado, verdadeiras corridas eleitorais dentro das igrejas, igrejas que politicarizaram-se eclesiasticamente, elegendo presbíteros às pressas para poderem assim obter o título de igreja autônoma e não congregação.
            Há denominações que hodiernamente são um verdadeiro campo de batalha político, onde compram-se votos através de favores, consagrações de obreiros que amanhã garantirão a permanência dos sacerdotes candidatos à eleição. Lutas pela presidência, campanhas entre a diaconia, em busca de alcançar o maior número de votos.
Nas convenções, temos escutado até mesmo certos tipos de desabafos de baixo escalão contra o próximo procurando deste modo desqualificar o companheiro de ministério que almeja um cargo superior.
            Muitos sacerdotes têm alcançado uma elite política dentro da denominação, através da oratória, discursam como verdadeiros políticos, envolvidos por uma embriaguez gramatical, devido a exuberância de suas palavras, recebem aplausos das multidões, mas perdem a unção na Palavra; acreditam ser vitais e até mesmo insubstituíveis dentro da denominação e para com o reino de Deus, não percebendo que a própria igreja os rejeita.
Quão desastroso é esse tipo de recurso político. Os sacerdotes perdem toda a sintonia com as necessidades e com o pulsar da comunidade; ganham cargos e firmam-se como uma elite política, mas perdem a unção da Palavra.
Os sacerdotes sentem-se, portanto, acossados por todos os lados. Como indivíduos lutam para se sentir valorizados; como profissionais competem no mercado de trabalho com uma remuneração baixa e com desprestígio; como maridos e pais acham-se sufocados, e como sacerdotes de alma não têm princípios  bíblicos  que norteiem seus ministérios! [12]

IV  ALGUNS EXEMPLOS BÍBLICOS DE MINISTÉRIO  SACERDOTAL
 
4.1  Moisés - Um homem que trocou o Palácio pelo deserto.

            Um grande legislador hebreu, pertencente à tribo de Levi, da família de Coate e da casa de Anrão, Êxodo 6:18-20, filho de Jacobede, sua mãe. Adotado pela filha de faraó, ainda criança, o mesmo obteve educação principesca, instruído em toda a literatura dos egípcios, Atos 7:22.
            Moisés possuía grandes dotes naturais, aperfeiçoados por uma cultura especial, que o preparavam para exercer missão mais elevada do que a de ser herdeiro do trono dos Faraós.
            Familiarizou-se com a vida na corte, privou com os príncipes, contemplou a grandeza, as pompas e os rituais do culto; entrou no conhecimento do simbolismo convencional, fez-se tal quanto o permitiam as idéias do tempo. Presidiu à administração da justiça e familiarizou-se com as artes em uso na vida civilizada daquela época.
            Contudo, não perdeu de vista a sua origem, acreditava nas promessas reservadas ao povo hebreu.
            Tendo visto um dos egípcios lutando com um dos hebreus, matou-o, escondendo o cadáver na areia. Faraó tendo notícia do caso procurava matar a Moisés; mas este, fugindo da sua vista, retirou-se para a terra de Midiã.
Não quis ser chamado filho da filha de Faraó, e lançou a sua sorte com o povo de Deus, assumindo as funções de salvador e juiz sobre ele, Êxodo 2:11-15; Atos 7:24-28; Hebreus 11:24,25.
            Este lapso de tempo serviu-lhe de escola preparatória, convivendo com homens que exerciam funções elevadas entre os midianitas, homens de bom senso e sacerdotes.
Neste meio, Moisés alargou seus conhecimentos religiosos e familiarizou-se com as formas de culto, ficou conhecendo os caminhos do deserto, os recursos que ali havia, estudou o clima e os costumes do povo. No meio da grandeza solene do deserto e de sua profunda solidão, teve tempo para meditar e refletir.
            Ao terminar este período, foi ele surpreendido com o incêndio de uma sarça, que ardia sem se consumir. Aproximando-se para observar o fenômeno, o Senhor o chamou no meio da sarça para ir libertar o seu povo.
            Assim como Moisés, que teve que trocar o palácio, a casa real, para poder assim refugiar-se no deserto, é necessário, que façamos uma reflexão sobre a vida ministerial, para vermos se estamos ou não sendo ludibriados pelo comodismo, pelas pressões da pós-modernidade, e assim tomar-mos um posicionamento diante de Deus e do Corpo de Cristo, de tal modo que possamos ser chamados e conhecidos como filhos de Deus e não como filhos da pós-modernidade.

4.2  Neemias - Um  profissional   a  serviço  do Reino.

Filho de Hacalias, Neemias 1:1, exercia as funções de copeiro junto ao rei Artaxerxes Longímano, rei dos persas.
A primeira coisa para a qual desejamos atentar bem, para proveito prático das nossas almas, é o espírito com que está impregnada toda a conduta de Neemias.
Ele foi o instrumento de Deus preparado para Sua glória nas circunstâncias que agora nos são apresentadas.
Vejamos os sentimentos de Neemias. Em Susan, ele tinha todas as comodidades. Era uma mudança infeliz, tanto quanto parecia, abandonar a corte do rei para ir para o meio de toda a ruína da terra da Judéia e da cidade de Jerusalém.
Ele era evidentemente respeitado e estimado pelo rei. Ocupava um lugar de grande responsabilidade, pois não devemos confundir o lugar de um servo nos tempos modernos com o lugar que Neemias ocupava.
Um copeiro, nesses dias, era alguém que estava em muita intimidade com o rei, e, neste caso, com o rei da Pérsia.
O copeiro, portanto, ocupava um posto delicado e de grande responsabilidade no império. Podia dispor, se nos é permitido falar, da vida do rei.
E todo aquele que ocupava esta posição estava, praticamente, num lugar de maior intimidade com o rei; era uma espécie de grão-vizir ou primeiro-ministro do rei, contudo o coração de Neemias estava com o povo de Deus.
Assim como Moisés, que amava o povo, e, mais do que isso amava a Deus. Ele tinha o sentido do que era a glória de Deus, e a compreensão de que Deus havia de atuar segundo a Sua glória, e que não havia outro meio de abençoar o povo.
Assim pensava Neemias, como Moisés pensou no princípio assim pensou ele no fim da história; um antes do povo ser formado nação, o outro, no fim da nacionalidade. “Lo ammi”. - “Não sois meu povo”- Oséias 1:9, era agora escrito acerca de Israel, mas o mesmo espírito estava com os dois homens, se bem que em circunstâncias inteiramente diferentes.
O coração de Neemias estava cheio de tristeza. Não era um caso pessoal; era unicamente a mágoa do amor; porém, a tristeza do amor em conformidade com Deus. Era o amor pelo povo, porque era o Seu povo, embora Deus tivesse apagado o seu título de povo de Deus.
Todavia, ele sabia bem que apesar de Deus ter lançado fora o povo temporariamente não era para sempre; e que o título “Meu povo” brilhará em Israel com mais esplendor do que nunca quando o Messias os reconhecer outra vez.
Neemias amou o povo de Deus na própria ocasião em que ele tinha perdido o seu título e estava sendo castigado pelas suas faltas graves e pecados contra Deus, numa ocasião em que parecia ser a coisa mais razoável deixá-lo. Contudo, nada disso o preocupou.
Ele sabia que havia na terra apenas o remanescente desse povo, culpado e justamente punido, mas, ainda assim, o povo de Deus, com o qual estavam ligados os planos de Deus de bênção e graça para o mundo. Sabia que na terra de Israel, e somente ali, devia nascer o Messias, que era nessa terra, e entre esse povo, que o Cristo havia de vir.
Portanto, o seu coração volta-se para Jerusalém. A cidade podia estar em ruínas, e estava; mas o seu coração estava ali também.
Neemias era um grande profissional, que dispôs-se a trabalhar no serviço do Reino, estava contente por se encontrar apenas entre alguns do remanescente. Isto é um pensamento triste, mas devemos sempre encarar a verdade.
Este fato não obrigou a Neemias a desprezar o remanescente. A sua razão para o considerar com afeição peculiar quer andasse bem ou mal, era que eles eram o povo de Deus.
Neemias, um homem de Deus, um profissional a serviço do Reino.
A culpa da Cristandade, não temos receio em afirmar, é pior do que a culpa de Israel. Incomparavelmente mais bem-aventurada, é incomparavelmente mais culpada, porque o grau de culpa é sempre em proporção às misericórdias pervertidas ou violadas.
Contudo, atrevemos a dizer que devemos amar a igreja, não meramente o evangelho, ou só o Senhor.
Porquanto, se compreendermos os sentimentos de Cristo, conheceremos que Cristo ama a igreja; e, portanto, contentarmo-nos apenas com as misericórdias que o Senhor nos dá é como se Neemias bendissesse a Deus pelo que tinha no palácio do rei, e estivesse contente por não ter inquietações, nem cuidados, nem lágrimas e sem ter de orar pelo povo de Deus.

4.3  Daniel - O profeta estadista fiel a Deus.
           
Foi levado cativo a Babilônia durante o reinado de Joaquim, Daniel 1:2. Ele e três companheiros foram selecionados para que fossem ensinados a servir ao rei, devido às suas qualidades especiais, Daniel 1:3-4.
            Podemos observar semelhanças entre a vida de Daniel e a de José.
            Ambos foram levados cativos na juventude, foram jovens modelos, e serviram na corte real. Ambos foram perseguidos injustamente, suas penalidades converteram-se em fundamentos sólidos que lhes proporcionaram honra. Através da interpretação de sonhos foram promovidos a governantes. Ambos viveram vidas duras em meio a ambientes corruptos, e ambos morreram em terras estrangeiras.
            Daniel, como Moisés, foi estadista e profeta. Como vidente, possuía uma visão telescópica de alcance maior que a maioria dos profetas. Viu mais além da vinda do Messias, viu seu reinado como Rei dos reis. Ele é particularmente um profeta dos últimos dias.
            Daniel possuía domínio próprio, Daniel 1:8;10:3. Coragem, Daniel 5:22,23; integridade, Daniel 6:4, devoção, Daniel 2:17,18;6:10. Humildade, Daniel 10:17, visão espiritual, Daniel 7:9-12; 10:5,6.
            Daniel foi levado cativo para Babilônia por Nabucodonosor por ocasião do primeiro cerco de Jerusalém que se deu no ano  605 a.C. Como cativo, foi separado com mais alguns para exercerem funções de estado. Tiveram coragem de substituir as iguarias do rei por comidas simples para que assim não viessem contrariar as leis de Moisés.
Ezequiel citou o nome de Daniel como exemplo de notável retidão e sabedoria, Ezequiel 14:14; 28:3.
A profecia de Daniel é citada por Jesus Cristo, como genuína e como certos os seus vaticínios nelas contidos, Mateus 24:15. Josefo acreditava que as profecias de Daniel já existiam antes de Alexandre, o Grande, 330 a.C. e até mesmo no tempo de Artaxerxes.
Daniel foi um grande exemplo bíblico de ministério sacerdotal, não deixando-se vencer pelos rituais pagãos da época, sendo fiel para com Deus, homem digno de nota e esmero.
Face a uma política econômica, social e religiosa como a que estamos vivenciando hodiernamente, precisamos ser idôneos, e deste modo possuirmos uma postura ministerial tal como Daniel, tendo tais características: domínio próprio, coragem, integridade, devoção, Humildade, visão espiritual.

4.4  Paulo - Apóstolo e missionário.
           
Seu nome judaico anterior era Saulo; assim denominado nos Atos dos Apóstolos, mesmo até depois da conversão de Sérgio Paulo, procônsul de Chipre, Atos 13:9. Havia nascido em Tarso, cidade principal da Cilicia, e pertencia a tribo de Benjamim, Filipenses 3:5. 
De perseguidor aos cristãos da Igreja Primitiva, tornou-se um dos maiores proclamadores do Evangelho de Cristo, após a sua conversão a caminho de Damasco.
            Paulo era filho de um fariseu, cidadão romano, quando jovem aprendeu o ofício de fazedor de tendas, ofício este que o auxiliou no decorrer de sua jornada cristã, para não ser pesado aos irmãos. Homem de jejum e oração.
            No decurso de sua vida cristã, foi um homem que exerceu fielmente o ministério sacerdotal, em defesa do cristianismo a tempo e fora de tempo. Trabalhou em vários lugares procurando implantar o Reino de Deus em todos os lugares por onde passou; sofreu por causa do evangelho a ponto de perder a própria vida.
Os foros de cidadão romano, a instrução recebida nas escolas, as suas qualidades pessoais, tudo isto serviu para fazer dele um instrumento especial para a obra missionária.
Paulo deu início à obra de evangelização; em parte graças à sua natural energia, e também por haver Deus revelado que ele ia ser vaso escolhido para levar o seu nome diante das gentes, dos reis e dos filhos de Israel, isto é, missionário e apóstolo, Atos 9:15;26:16-20; Gálatas 1:15,16.
Paulo exerceu fielmente o seu ministério sacerdotal, e em um dos seus escritos ele expressa o seu sofrimento por amor do evangelho de Cristo. 2 Coríntios 10:23-33.
(...) São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais. Em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos entre patrícios, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalho e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me abrase? Se é preciso gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pos guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem. Mas por uma janela da muralha desceram-me num grande cesto, e assim escapei das suas mãos (...)[13]

            Encontramos em Paulo um grande interesse pela Igreja, pêlos membros do Corpo de Cristo, um ardor missionário, um anseio por proclamar as Boas Novas de Salvação em todo o tempo; possamos ter como exemplo a vida ministerial do apóstolo Paulo que no final da sua vida deixou registrado nos anais da história, este texto: “ Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:6-7.(ibid.)

4.5  Pedro - Um homem chamado por Jesus para o ministério.

            Simão era filho de certo João, João 1:42; 21:15,16,17, ou filho de Jonas, Mateus 16:17, talvez síncope da palavra João, que, com seus filhos André e Pedro, exercia a profissão de pescador no Mar de Galiléia, de parceria com Zebedeu e seus filhos, Mateus 4:18; Marcos 1:16; Lucas 5:3 e seg. Havia nascido em Betsaida, de onde se transferiu com sua família para Cafarnaum. Jesus deu-lhe o sobrenome de Cefas ou Pedro que quer dizer “Rocha”.
Em comum com os primeiros discípulos de Jesus, Pedro recebeu três chamadas distintas de seu Mestre; a primeira para ser discípulo, João 1:40; a segunda, para acompanhá-lo em sua missão, Mateus 4:19; Marcos 1:17; Lucas 5:10; e a terceira para ser apóstolo, Mateus 10:2; Marcos 3:14,16; Lucas 6:13,14.
Era ele quem primeiro falava, o primeiro a confessar que Jesus era o Cristo Filho do Deus Vivo, Mateus 16:16; Marcos 8:29, mas também foi o primeiro a dissuadir o Mestre a não seguir o caminho dos sofrimentos, recebendo dele a mais formal repreensão, Mateus 16:22; Marcos 8:33.
            A vida do apóstolo Pedro apresenta três feições muito distintas. A primeira é o período de aprendizagem de que o Evangelho nos dá conta. Durante os anos de convivência pessoal com Cristo aprendeu a conhecer-se a si mesmo e a seu Mestre. Ele que havia protestado fidelidade incondicional a Jesus, terminou por negá-lo três vezes, Mateus 26;69ss; Marcos 14:66ss; Lucas 22:54ss; João 18:15ss.
Neste epílogo de suas experiências, parece terem desaparecido todos os conhecimentos adquiridos nos anos de sua aprendizagem. Porém, o Divino Mestre termina o curso de seus ensinos provando o coração de Pedro, restaurando-lhe a paz e a confiança, João 21:15 a seguir.
A segunda feição é o período em que ele toma a dianteira aos demais apóstolos para regular os negócios da igreja como se vêem nos primeiros capítulos de Atos.
            A terceira fase compreende o período de trabalho humilde no reino de Cristo revelado nas epístolas do Novo Testamento. Depois de lançados os fundamentos da igreja, Pedro toma lugar humilde, entrega-se ao trabalho de alargar os limites do reino de Deus, e desaparece das páginas da história.
            Sabe-se, finalmente, que ele glorificou a Deus, sofrendo o martírio, João 21:19. O apóstolo Pedro desenvolveu um profícuo ministério sacerdotal revestido de uma encantadora humildade, despido de todas as pretensões no governo da igreja, seguindo os ensinos de Paulo ou de Judas, e exortando os seus leitores a permanecerem na fé que lhes era comum.
            Pedro, embora fosse um homem impulsivo por natureza, cheio de contradições estranhas: às vezes presunçoso, outras vezes tímido e covarde, inclinado a ser egoísta, lento para compreender as verdades mais profundas, depois do batismo pentecostal do Espírito Santo, ele se converteu numa “rocha” cumprindo-se a profecia de Cristo, Mateus 16:18; João 1:42; Atos 1:8.
Pedro, como ministro chamado por Jesus para realizar uma obra sobremodo triunfante, deixou-nos muitos exemplos para o ministério sacerdotal, pois, somos chamados por Jesus, vocacionados, convocados, trabalhados, preparados por Ele, enviados, e cuidados através do Seu amor.




CONCLUSÃO

            Como Filho da Reforma, do petismo e dos “espirituais” despertamentos, o movimento evangélico nasceu nos primórdios do período moderno, tendo desse modo, laços muito próximos com a modernidade.
            Sempre utilizando os instrumentos da modernidade, tais como o método científico, a abordagem empírica da realidade e o realismo do senso comum.
            Alguns cristãos que se defrontam pela primeira vez com as idéias de pensadores como Foucault, Derrida e Rorty tendem a recuar horrorizados diante da possibilidade de que o projeto iluminista tenha ido longe demais.
            Não podemos simplesmente permitir que o cristianismo seja relegado ao status de mais uma fé entre outras. O evangelho é, em sua essência, uma mensagem missionária em expansão. Cremos não somente que a narrativa bíblica faz sentido para nós, como é também mensagem de boas-novas para todos.
Ela proporciona a satisfação dos desejos e das aspirações de todos os povos. Ela incorpora a verdade - a verdade de toda a humanidade e para toda a humanidade.
No mundo pós-moderno, não podemos mais seguir o caminho que nos aponta a modernidade, que situa o indivíduo no centro dos acontecimentos. Em vez disso, é preciso que nos lembremos de que a nossa fé é altamente social.
O fato de que Deus é a trindade social - Pai, Filho e Espírito - dá-nos uma certa indicação de que o propósito divino para a criação tem como alvo o inter-relacionamento do indivíduo. Nosso evangelho deve se dirigir à pessoa humana no contexto das comunidades a que ela pertence.
            Nosso objetivo, como ministros do Evangelho, não deve se resumir a fazer com que outros concordem com uma lista de proposições corretas. Devemos empregar proposições teológicas tais como “pecado” e “graça” para que outros encontrem a Deus em Cristo e, em seguida, unam-se a nós na grandiosa jornada que busca compreender o significado daquele encontro para toda a vida.
O evangelho que proclamamos implica a integração do aspecto emocional-afetivo, bem como físico-sensual, juntamente com o intelectual-racional, tendo em vista a pessoa humana como um todo.[14]

            Vivemos num mundo que é anti-Deus, anti-Cristo e anti-Palavra de Deus. O diabo é um destruidor e ele tentará destruir o que Deus possa usar. Se é que vamos concluir a tarefa que Deus nos deu, teremos que ter diante de nós a visão global e pedir que Deus nos dê sabedoria na batalha.
            Temos que compreender que a tarefa que o Senhor nos entregou é a de sermos testemunhas e fazermos discípulos. Nossa tarefa não é a de trazer uma nova ordem mundial, mas sim fazermos discípulos de todas as nações.
            A pós-modernidade têm muitas deficiências em diversas áreas. Portanto, não devemos simplesmente “acompanhar os novos tempos” e abraçar acriticamente a última moda intelectual.
O envolvimento crítico com a pós-modernidade não pode determinar com uma rejeição simplista de todo o seu espírito. Nossas reflexões críticas devem nos levar a determinar os contornos do evangelho que falará aos corações dos indivíduos pós-modernos.
Devemos nos envolver com a pós-modernidade para que possamos discernir a melhor maneira de expressar a fé cristã para a próxima geração.
            O evangelho de Jesus Cristo foi proclamado em todas as eras com poder para converter os corações humanos.
            O ministério do Senhor não reside exclusivamente nas mãos de uma elite, e, sim, está disponível para todos os crentes.
            Nossa missão como discípulos de Cristo consiste em encarnar e expressar as boas novas eternas de salvação de modo que a nova geração possa compreendê-las.
Somente desse modo poderemos nos tornar veículos do Espírito Santo, possibilitando assim às pessoas experimentarem o mesmo encontro transformador com o Deus triuno de quem toda a nossa vida extrai significado.
            O ministério sacerdotal passa por grandes tensões nesse final de século. As crises e problemas que enfrenta não se resolverão se uma atitude de soberba e discórdia perdurar entre lideranças. Urgentemente deve haver um clamor como o de Jeremias 3:25:
Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-nos a nossa ignomínia, porque temos pecado contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa mocidade até ao dia de hoje. Do contrário, ela corre o risco de passar pelo mesmo vexame da igreja medieval, que ficou historicamente conhecida como a igreja do “milênio de trevas”.[15]

            A sociedade atual é tão complexa, que somente através da sabedoria de Deus é que o ministério sacerdotal poderá sobreviver aos seus desafios. Qualquer erro será fatal.        








REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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[1] SCHAEFFER, Francis, A Igreja no Final do Século XX, Editora Sião, Brasília,1988, pág.21.
[2] SARTRE, J.P., A Náusea, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1994, pág.129.
[3] GONDIM, Ricardo, Fim de Milênio: Os perigos e Desafios da pós-modernidade na Igreja, Editora Abba Press, São Paulo, SP, 1997, pág.19.
[4] ibid. p. 22.
[5] DERRIDA, Jacques, A escritura e a diferença, São Paulo, Perspectiva, 1971, p.157.
[6] NIETZSCHE, Friedrich - “Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral”, São Paulo, Abril, 1978, Os Pensadores, p. 48.
[7] McGrath, “The Chalenge of Pluralism,”366
[8] JENCKS, Charles, What is post-modernism? 3ª edição. (New York, St. Matin’s Press,1989)
[9] GRENZ, Stanley J. - PÓS-MODERNISMO, pág. 28.
[10]  ULTIMATO - Maio 1997 - pág. 17      
[11] Citado por Georg Siegmund, O Ateísmo Moderno, Edições Loyola, São Paulo,1966, .
[12] GONDIM, Ricardo - Fim de Milênio: Os Perigos e Desafios da pós-Modernidade na Igreja, pág.105

[13] Biblia De Referência Thompson,  Editora Vida, 1993, pág.1055
[14] GRENZ, Stanley J. “Pós-modernismo”, pág. 248.
[15] Biblia De Referência Thompson,  Editora Vida, 1993

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